Fonte: CorreioWeb, Correio Braziliense, 15/02/2002 - http://www.correioweb.com.br | Voltar ao Início | Ugo
Braga A partir de quarta-feira, a Universidade de Brasília (UnB) fará um ciclo de debates com o qual pretende mudar a história das campanhas eleitorais no Brasil. O reitor Lauro Morhy quer trazer para dentro da área acadêmica as discussões sobre grandes temas nacionais, hoje confinados aos palanques. O nível está muito baixo, reclama. Queremos ajudar a subir um pouco. Morhy juntou uma equipe de pensadores e montou o projeto Brasil em Questão A UnB e as Eleições Presidenciais. A idéia, que terá o apoio do Correio Braziliense, é promover 11 debates sobre temas estratégicos. As discussões serão reunidas num livro. Vamos formar um grupo de notáveis para extrair desse livro sugestões para os problemas das 11 áreas, conta o reitor. Em agosto e setembro, as sugestões serão entregues aos candidatos à Presidência da República. Para recebê-las, eles terão que ir à universidade falar sobre suas próprias propostas e conversar a respeito com pensadores da área acadêmica. Lauro Morhy diz não se preocupar com o fato de ter marcado as visitas dos presidenciáveis em agosto e setembro, período da máxima temperatura na campanha eleitoral. Exceto o PT, os partidos já anunciaram que terão suas campanhas baseadas em Brasília. Então, os candidatos estarão por aqui mais de uma vez por semana, não haverá problema. As TVs Nacional, Câmara e Senado já demonstraram interesse em veicular os debates. O portal da universidade na internet (http://www.unb.br) também fará a cobertura completa dos eventos. A intenção do reitor é aproximar os intelectuais e a juventude do processo eleitoral. Os primeiros, diz Morhy, passam o ano pensando o país, mas na hora H sua participação se resume ao voto. Já os jovens, segundo ele, estão muito preocupados com sua bancada (pequenas coisas do dia, na gíria acadêmica), desenganados da vida política. De acordo com o reitor, a UnB é a única que tem condições de envolver candidatos, intelectuais e jovens em debates de alto nível, até por uma questão de geografia. Ele cita o fato de o corpo docente contar com o presidente do Supremo Tribunal Federal (o ministro Marco Aurélio Mello é professor do curso de Direito), de integrantes do Superior Tribunal de Justiça e assessores dos ministérios nas áreas de saúde, educação e economia. Mas vamos convidar representantes de universidades de todo o país, avisa. Para o primeiro debate o tema eleito foi Brasilidade. Acho que é um momento oportuno de mostrar que existe a globalização, existe o mundo, mas também existe o Brasil, diz Lauro Morhy. Os debatedores serão os senadores Roberto Freire (PPS-PE) e Arthur da Távola (PSDB-RJ) e os professores Aspásia Camargo (FGV) e Vamireh Chacon (UnB). Fonte: CorreioWeb Correio Braziliense, 17/02/2002 - http://www.correioweb.com.br | Voltar ao Início | A UnB nas Eleições Presidenciais
Na terça-feira, dia 19 de fevereiro, o reitor da Universidade
de Brasília (UnB) Lauro Morhy foi o entrevistado do programa
NBR Entrevista apresentado pelo jornalista Carlos Eduardo. A entrevista
de dois blocos de dez minutos foi sobre os 40 anos da UnB e o fórum
de debates Brasil em Questão - A Universidade e a Eleição Presidencial - considerado o maior evento para comemoração
das quatro décadas. O fórum tem início hoje, às 10 horas, no Auditório Dois Candangos, localizado no campus universitário. Serão debatidos 11 temas nacionais. Veja a programação no nosso site (www.unb.br/lef/brasilemquestao). Ao cumprir o papel de formadora de opinião, a universidade pretende contribuir para que a sociedade possa discutir questões importantes para o desenvolvimento do país. Fonte: Assessoria de Comunicação Social da UnB | Voltar ao Início | Fórum Político - UnB debate eleição Começa hoje o ciclo de debates Brasil em Questão - A Universidade e a Eleição Presidencial, promovido pela Universidade de Brasília (UnB). O primeiro debate terá por tema Brasilidade, e acontecerá a partir das 10 horas no Auditório Dois Candangos, no campus da UnB. Participarão dos debates de hoje os senadores Roberto Freire (PPS-PE) e Artur da Távola (PSDB-RJ) e os professores Aspácia Carmarfo (FGV) e Vamireh Chacon, diretor do Instituto de Ciências Políticas e de Relações Internacionais da UnB. Ao todo serão realizados 11 debates até o dia 17 de julho. A partir de agosto a UnB convidará os candidatos à Presidência da República para discutir suas propostas de governo e tomarem conhecimento das soluções apresentadas durante o ciclo de debates. Fonte: Correio Braziliense, 20/02/2002 - http://www.correioweb.com.br | Voltar ao Início | Fórum na UnB traça radiografia do Brasil Propostas defendidas nas onze rodadas de discussões, que enfocarão principais temas nacionais, serão debatida, no final, com os candidatos a presidente da república Roberto
Fragoso A Universidade de Brasília (UnB) aproveita o ano em que completará quatro décadas de existência para retomar seu papel de formadora de conhecimento e opinião na sociedade brasileira, abrindo um grande fórum em que serão discutidas as questões mais importantes para o país. O Congresso "Brasil em Questão - A Universidade e a Eleição Presidencial" começa hoje às 10 horas no Auditório Dois Candangos, na UnB, e contará com grandes nomes da política brasileira. O fórum procurará abordar as necessidades do Brasil e as possíveis soluções. No fechamento do grande encontro, após o término do ciclo de discussões, a Universidade receberá os candidatos à Presidência da República, que apresentarão suas propostas de governo. A UnB reunirá em seu Campus, além de políticos de várias vertentes, renomados especialistas de todo o país, para discutir o futuro da nação. Entre os nomes que estarão presentes, destacam-se o ex-governador do DF, ex-reitor da UnB e candidato do PT ao Senado Federal, Cristovam Buarque, e o diretor do Centro de Estudos do Ministério de Ciência e Tecnologia, Evandro Mirra. A proposta da universidade é refletir sobre o rumo que o Brasil deve tomar e as possíveis soluções para os problemas mais freqüentes do cotidiano da sociedade brasileira. O enfoque serão as políticas públicas que possam ajudar a resolver os problemas apresentados. Para o reitor da UnB, Lauro Morhy, o ciclo de conferências deve ajudar a situação do país, pois o discurso de decisões políticas está "preso a palanques". "O nível está muito baixo. Queremos ajudar a subir um pouco". Serão ao todo 11 temas de debates de importância nacional, apresentados a cada 15 dias, sempre às quartas-feiras, às 10 horas. No primeiro debate, cujo tema é Brasilidade, os integrantes da mesa serão o senador Roberto Freire (PPS/PE), o senador Arthur da Távola (PSDB/RJ), os professores Aspásia Camargo (Fundação Getúlio Vargas - FGV) e Valmireh Chacon, diretor do Instituto de Ciências Políticas e de Relações Internacionais da Universidade de Brasília. Os temas serão discutidos por quatro especialistas. O mediador será um representante da UnB, enquanto os outros três convidados serão de diversas correntes políticas e instituições do país. A oportunidade será também importante para que a sociedade e a comunidade acadêmica tenham maior contato com políticos em exercício e os candidatos à eleição presidencial, bem como com suas propostas. A partir da apresentação dessas propostas, a comunidade acadêmica estará aberta para fazer críticas e proposições. O resultado dos debates deverá ser publicado pela Editora UnB e entregue aos presidenciáveis antes de suas apresentações, em julho. Fonte: Tribuna do Brasil, 20/02/2002 | Voltar ao Início | Começou ontem na Universidade de Brasília (UnB) o ciclo de debates Questões do Brasil - A Universidade e a Eleição Presidencial. O tema Brasilidade foi debatido pelos senadores Roberto Freire (PPS-PE) e Arthur da Távola (PSDB-RJ) e pelos professores Valmireh Chacon (UnB) e Aspásia Camargo (FGV). Os quatro elegeram a globalização como ponto nevrálgico da discussão. Concluíram que o Brasil precisa participar do mundo globalizado sem perder sua identidade cultural. O debate, no auditório Dois Candango, no campus da UnB, derivou para temas tão díspares quanto a divisão teórica da esquerda e a cota de negros nas universidades. Sobre esse assunto, Roberto Freire foi o mais incisivo. "Vivemos numa sociedade em que há discriminação negativa dos negros. A discriminação positiva é uma forma de combater a negativa", disse. Perguntada pelos alunos sobre a revolução de costumes causada pelo aparecimento da AIDS, Aspásia Camargo usou o caso da briga do governo brasileiro com a indústria farmacêutica, em torno do preço dos remédios para tratamento da doença, como forma de exercer papel ativo na globalização. "Temos que ser protagonistas desse processo", defendeu. O projeto Questões do Brasil terá a participação dos presidenciáveis em sua segunda fase. Eles receberão um livro com sugestões sobre os onze temas discutidos e falarão sobre seus planos de governo entre agosto e setembro. O portal da UnB na internet (www.unb.br) está fazendo a cobertura completa dos eventos. O próximo debate está marcado para o dia 6 de março. O tema será Brasil no Mundo. Fonte: Correio Braziliense, 21/02/2002 - http://www.correioweb.com.br | Voltar ao Início | Abertura do Fórum, ontem, na UnB, apontou que a construção de uma identidade nacional é o primeiro passo para o País se desenvolver Renata
Santiago O Brasil, segundo o reitor da Universidade de Brasília (UnB) Lauro Morhy, vive uma experiência juvenil do jogo democrático. O país com mais de 500 anos vai presenciar a quarta eleição presidencial consecutiva após a ditadura militar que governou a nação verde-e-amarelo por quase trinta anos. Morhy abriu, ontem, o fórum "Brasil em Questão - A Universidade e a Eleição Presidencial", com 11 debates sobre os problemas nacionais. O primeiro debate foi "Brasilidade" e contou com a participação dos senadores Roberto Freire (PPS/PE) e Arthur da Távola (PSDB/RJ), a professora da Fundação Getúlio Vargas Aspásia Camargo e o Diretor do Instituto de Ciências Políticas e Relações Internacionais da UnB Valmireh Chacon. O próximo debate ocorrerá no dia 6 de março, sobre o tema "Brasil no Mundo". O momento em que os brasileiros vão escolher o novo presidente e demais representantes do poder legislativo é de profundas transformações. Vivemos o que se convencionou dizer de globalização - ou mundialização ou ainda internacionalização. Seja qual for o nome utilizado para se referir à nova ordem mundial, o fato é que as relações econômicas, políticas e sociais sofrem com a imposição (até certa medida) dessa corrente que ultrapassa fronteiras nacionais. As mudanças, conseqüentemente, exigem novas atribuições para membros que constituem a nação, como papel do Estado e da sociedade civil. "A dúvida dos Estados é optar entre o isolamento ou o associalismo", disse Aspásia Camargo, doutora em Sociologia pelo Instituto de Altos Estudos Em Ciências Sociais da Universidade de paris. Isto é, fechar as fronteiras ou partir para formação de blocos econômicos, como a União Européia (EU) e o Mercosul. Ambas as opções têm desvantagens. "O isolamento gera, entre outras coisas, desintegração social", fala a professora, exemplificando que a exarcebação do nacionalismo - nazismo, fascismo e a guerra fria - são problemas quando se fecha as portas para os demais países. Abrir as fronteiras deliberadamente, no entanto, também tem suas desvantagens. "Temos o exemplo argentino que jogou sua indústria fora e hoje está passando por essa crise", disse o senador Roberto Freire. Além da desestabilização financeira, há o problema da perda de identidade cultural, uma vez que a comunicação de massa é um dos meios pelos quais ocorre a internacionalização das sociedades. Fonte: Tribuna do Brasil, 21/02/2002 | Voltar ao Início | A Universidade de Brasília (UnB) dá continuidade hoje ao fórum Brasil em Questão - A Universidade e a Eleição Presidencial, a partir das 10h, no Centro Comunitário da UnB. O tema desse segundo dia de debate será O Brasil no Mundo. A idéia é discutir modelos e propostas de Políticas Internacionais para o País. Participam do debate o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, o secretário de cultura da cidade de São Paulo, Marco Aurélio Garcia, e o jornalista Oliveiros Ferreira. O ciclo de debates teve início no dia 20 de fevereiro e faz parte das comemorações dos 40 Anos da Universidade. Fonte: Gazeta Mercantil, 06/03/2002 - http://www.gazetamercantil.com.br | Voltar ao Início | Na próxima Quarta-feira. O ex-governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque, o secretário municipal de desenvolvimento e Trabalho de São Paulo, Márcio Pochman e o professor de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) participam de um debate na Universidade de Brasília (UnB). Com o tema Políticas de Distribuição de Renda, o encontro faz parte do fórum Brasil em questão - A Universidade e a Eleição Presidencial, que está em seu terceiro painel. A iniciativa faz parte das comemorações dos 40 anos da UnB. A partir de agosto, a universidade pretende levar ao fórum os candidatos a presidência para apresentarem as propostas de governo. Mais informações no endereço eletrônico www.unb.br/lef/brasilemquestao. Fonte: Gazeta Mercantil, 18/03/2002 - www.gazetamercantil.com.br | Voltar ao Início | Amanhã, às 10h, no Centro Comunitário da Universidade de Brasília (UNB) -localizado na L4 Norte, perto do Clube dos Servidores (Setor de Clubes Norte) -, será realizado o quarto painel do fórum "Brasil em Questão - A Universidade e a Eleição Presidencial". O tema dessa vez será Infra-estrutura. Como o Brasil pode evitar crises como a do apagão? Quais os caminhos e que estrutura mínima o País precisa ter para alcançar o desenvolvimento econômico e social? Para analisar essas e outras questões, foram convidados o físico Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia (COPPE) da Universidade Federal do rio de janeiro (UFRJ); a deputada gaúcha Yeda Crusius (PSDB/RS), ex-ministra do Planejamento (1993); e o economista Dércio Munhoz, um dos mais importantes do País e professor de Economia da UnB. A partir do dia 7 de agosto, os candidatos à presidência as República virão à UnB mostrar suas propostas de governo. A cobertura completa com as principais opiniões dos debatedores, artigos sobre cada tema e o que pensam os participantes dos painéis anteriores pode ser encontrada no site www.unb.br/lef/brasilemquestao. Fonte: Tribuna do Brasil, 02/04/2002 | Voltar ao Início | Saúde e saneamento básico na UTI Renata
Santiago A situação da saúde no Brasil tem dois reflexos. O primeiro é de um país que sofre com doenças típicas de países subdesenvolvidos, como malária, dengue, esquistossomose, leishmaniose e verminoses em geral. Isso é conseqüência de uma estrutura deficitária do saneamento básico e da assistência médica. Por outro lado, os brasileiros padecem cada vez mais de enfermidades características de Primeiro Mundo decorrentes do estilo de vida sedentário - obesidade, cardiopatias, diabetes, etc. O delicado cenário do binômio saúde-saneamento básico foi o tema de discussão do quinto painel do fórum "Brasil em Questão - A Universidade e a Eleição Presidencial", realizado ontem no Centro Comunitário da Universidade de Brasília (UnB). O coordenador do debate foi o professor da Faculdade de Medicina da UnB na área de Medicina Social, Pedro Tauil. O conselheiro da Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento Mecos Helano Montenegro, o senador Tião Viana (PT/AC) e o médico sanitarista Sérgio Arouca foram os participantes desse fórum. "O País inicia o século 21 sem ainda ter resolvido problemas que os países subdesenvolvidos enfrentam", disse o professor Tauil, especialistas em doenças tropicais, principalmente, dengue. Para ele, a rápida urbanização da população - sem um acompanhamento de um saneamento dessas áreas - é um dos fatores da incidência de dengue e de risco de reincidência da febre amarela. O nível de saúde da população, destaca o professor, deve ser visto pelas condições de alimentação, moradia, saneamento básico, meio ambiente, transporte, educação, lazer, renda familiar e condições de trabalho. "O Brasil ocupa hoje lugar pouco lisonjeiro de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) das Nações Unidas (ONU) e comparado a países com uma renda per capita quatro vezes menor que a nossa", explica Tauil. O professor da UnB credita a situação da saúde no Brasil à falta de investimento nos setores de saneamento, como água tratada, esgoto, coleta de lixo, sistema de captação de águas pluviais. O Plano Nacional de Saneamento (Planasa) - criado na década de 70 - previa saneamento de todas as cidades brasileiras até 2000. Porém, desde os anos 80, o orçamento para investir nesse setor, assim como o destinado à saúde, ficaram estagnados ou forma reduzidos. No orçamento de 2001, segundo o senador Tião Viana, houve corte de R$ 69 milhões para investimentos no controle de endemias. "Nós só vamos alcançar a meta traçada pelo Planasa em 2015", disse. Fonte: Tribuna do Brasil, 11/04/2002 | Voltar ao Início | No Brasil, os pesquisadores nas universidades não costumam conversar com o mercado. Falta visão prática aos acadêmicos, o que sobra nas empresas. E os planos de longo prazo pensados pelas instituições de ensino superior estão longe das intenções apressadas da maioria dos empresários do país. Essa foi a principal constatação do Fórum Brasil em Questão realizado ontem na Universidade de Brasília (UnB). Os convidados debateram Educação, Ciência e Tecnologia. As conclusões serão enviadas aos candidatos à presidência da República como provocação para debates na universidade. Para Roberto Vermlum, diretor do Centro de Gestão de Estudos Estratégicos do Ministério da Ciência e Tecnologia, é preciso rever a relação entre a academia e o mercado. "No mundo desenvolvido, as novas tecnologias estão sempre ligadas à produção científica, mas no Brasil isso não acontece", critica. Em apenas 40 anos, o país saiu de uma economia agrária para industrial. Ainda segundo Vermlum, o governo investiu em subsídios para o meio empresarial, pois era importante a produção para consumo interno. Mas não se preocupou com a origem da tecnologia - a maioria era estrangeira. Parado no tempo - Enquanto o mundo avança, o Brasil dá mostras de que parou no tempo. As áreas de Química, Mecânica e Eletro-Eletrônica tiveram, juntas, um déficit na balança comercial de R$ 18 bilhões, enquanto o superávit ficou por conta de produtos primários como o aço e o alumínio. Enquanto o comércio mundial de aço cresce apenas 1% ao ano, o das três áreas com déficit cresce cerca de 15% anualmente. No Fórum, foram propostas soluções para reunir os pensadores da academia com os empresários que trazem dinheiro para o país. Entre elas, a capacitação de recursos humanos, a padronização do setor tecnológico, o investimento nas universidades e, principalmente, a interação entre universidades e empresas. "Existe um preconceito muito grande dos dois lados. As empresas acham que nas universidades só existem visionários e, para a academia, só há pessoas que pensam a curto prazo e em lucros nas empresas", afirma Vermlum. A criação de políticas de difusão da Ciência no ensino básico, nas empresas e na mídia foi apontada como essencial. Vermlum acredita que a iniciativa de investimento na articulação entre essas áreas deve ser do governo federal. "Não é um desejo político, é uma imposição real. Se não mudarmos, perderemos o bonde da história", acredita. Fonte: Correio Braziliense, 18/04/2002 - http://www.correioweb.com.br | Voltar ao Início | Luiz Mott, presidente do Grupo Gay da Bahia, é o próximo convidado do Fórum Brasil em Questão, promovido pela UnB, na próxima quarta-feira, no Centro Comunitário da universidade. Ele vai falar sobre cidadania, violência e exclusão social. E vai lançar um livro que promete vender: Crime Anti-homossexual no Brasil. Fonte: Correio Braziliense, Coluna Valéria Blanc, 20/04/2002 - http://www.correioweb.com.br | Voltar ao Início | Cidadania, exclusão social e violência? Artigo
de Dóris Santos de Faria Existe de fato relação entre cidadania, exclusão social e violência? Ou trata-se de mais uma generalidade explícita que termina por subliminarmente condicionar uma relação entre pobreza e violência insuficiente para resolver os nossos problemas? Se existe relação entre pobreza e violência, a violência deveria ser - de acordo com as estatísticas oficiais sobre a pobreza no Brasil - infantil (50%), parda ou negra (43%) e sem educação fundamental (61%). Não há dúvida de que isso não é realidade. Outros fatores interferem para que o tecido social esteja sendo esgarçado, rompendo um tácito contrato social de respeito aos direitos individuais e coletivos que caracteriza o pleno direito e exercício da cidadania. Assim, é premente que políticas públicas sejam capazes de ir além da redistribuição de renda e atendam a políticas sociais capazes não só de garantir a melhoria das condições de vida das parcelas mais desfavorecidas, mas que alcancem o conjunto dos valores que constituam verdadeiramente uma sociedade e que façam com que o cidadão não se veja tentado à delinqüência e ao crime. Afinal de contas, sendo a violência no Brasil multicolorida, multicategorizada entre ricos, remediados e pobres, projeta-se para o campo dos valores éticos e culturais. Podemos considerar três tipos de processos agentes da violência: a carência de recursos, especialmente a carência extrema que atinge grande parte da população brasileira, pode ser um fator de excitação da violência, mas não só; a delinqüência também afeta o processo de construção da violência em nossos dias, principalmente derivada da atuação de um terceiro fator, o crime organizado, que atinge não só o tráfico de drogas, jogo e prostituição, mas também a corrupção dos processos institucionais - nas mais imediatas expressões da vida cotidiana, mas que também penetra nos mais altos escalões dos poderes da República e perpetra os grandes crimes chamados do ''colarinho branco''. O cidadão passa a ver-se tentado pela corrupção e contravenção, mesmo que violentado pelo latrocínio, assalto, seqüestro, homicídio e morte tão próximos quanto no trânsito ou nos conflitos mais banais. Assim, os processos da sociedade vão sendo carcomidos pelos antivalores de uma era muito materialista, consumista, campo extremamente fértil para o processo de empobrecimento que atinge os países mais carentes do planeta, mas não só. A violência também afeta os países mais ricos, mesmo quando adquire outras formas de expressão, inclusive a indiferença ao sofrimento e necessidades alheias. Outro aspecto do problema - as formas de promovermos a prevenção e a redução da violência - passa pela superação da pobreza com a redistribuição de renda e acesso a bens primordiais como saúde, educação e condições dignas de vida, mas não só. Passa também por conseguirmos recuperar a confiança nas instituições, para o que a justiça tem que ser eficiente, pondo fim à impunidade que grassa em nossa sociedade e que privilegia somente os mais dotados. Uma política de segurança pública adequada é fundamental, para pôr fim a pelo menos parte da delinqüência e ao crime organizado. Outros valores devem atingir os meios de comunicação de massa, bem como o mais íntimo dos indivíduos, silenciosamente propalando a correção dos comportamentos. Aos candidatos, conclamemos a projetos realistas para enfrentar os problemas sociais do Brasil. Dóris Santos de Faria é Decana de Extensão da UnB | Voltar ao Início | A Universidade de Brasília (UnB) realiza no dia 05 de junho o fórum Brasil em Questão - a Universidade e as Eleições Presidenciais. O tema é a diversidade econômica regional brasileira. Entre os convidados para a discussão estão o diretor de Estudos Regionais Urbanos do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA), Gustavo Maia, o Senador Eduardo Suplicy (PT-SP), e o consultor internacional na área de Desenvolvimento do Centro-Oeste do Minístério de Integração Nacional, Marcos Formiga. Os participantes vão apresentar estudos sobre o desenvolvimento de diferentes regiões brasileiras - Nordeste, Sudeste, Norte e Centro-Oeste. As propostas apresentadas pelos participantes vão compor um livro que será entregue aos candidatos à Presidência da República. Será possivel acompanhar as discussões pela internet no endereço www.unb.br/lel/brasilemquestao. (Da Redação) | Voltar ao Início | Na quarta feira será realizado mais um painel do fórum "Brasil em questão - A Universidade e a Eleição Presidencial" . O tema em debate será "A Diversidade Regional Brasileira". O Fórum começa às 10h horas, no Centro Comunitário da Universidade de Brasília. Desde fevereiro, já foram discutidos sete assuntos que envolvem o desenvolvimento do país, entre eles Cidadania. Exclusão Social, Infraestrutura, Educação, Saneamento Básico. | Voltar ao Início | Diversidade Regional Brasileira Artigo
de Marcos Formiga Na quarta-feira, 5 de junho, a UnB retoma o Fórum Brasil em Questão - A Universidade e a Eleição Presidencial, com o tema "Diversidade Regional Brasileira." Estudos recentes mostram o recrudescimento das disparidades entre as regiões do País. Dessa forma, à decantada e variada riqueza de recursos naturais, cultura e oportunidades, contrapõem-se desigualdades de padrões de vida e de renda de sua população. Essas desigualdades podem ser observadas pela respectiva contribuição das diversas regiões para a formação do Produto Interno Bruto (PIB). De fato, mais da metade do PIB - cerca de 58% - concentra-se no Sudeste, seguido pelo Sul e, à grande distância, o Nordeste, o Norte e o Centro-Oeste. Diante, especialmente, dos desafios de desenvolvimento colocados por estas três últimas regiões, estimulou-se a criação de fundos constitucionais para a correção dessas desigualdades e a promoção de maior dinamismo econômico dessas regiões. Assim, se, por um lado, as desigualdades regionais definem um conjunto de diferenças, por outro, consubstanciam oportunidades e potencialidades, cujo aproveitamento é condição para o desenvolvimento do País. O Centro-Oeste, por exemplo, precisa ser melhor conhecido. A região possui uma área de 1.600 quilômetros quadrados, mais ou menos equivalente à do Nordeste; e, apesar de ter registrado, nos últimos anos, taxas de crescimento econômico superiores ao crescimento do Brasil, produz apenas 6,8% da renda nacional, sendo caracterizada, ainda, por fortes desigualdades socioeconômicas intra-regionais e interregionais. Para estimular a publicação de estudos sobre a realidade da região, contribuindo para a superação de seus desafios e consolidação de uma identidade regional, o Ministério da Integração Nacional, por meio de sua Secretaria Extraordinário do Desenvolvimento do Centro-Oeste (SCO), lançou a Coleção Socioeconômica do Centro-Oeste. Os desafios das regiões Norte e o Nordeste não são menores. Elas possuem o maior número de pobres do País, reflexo da expressão desigual de sua atividade econômica diante das demais regiões. Mas existem mesoregiões diferenciadas por seu dinamismo econômico nas regiões mais pobres: como o Médio São Francisco e o Oeste da Bahia, por exemplo. A persistência de padrões de desenvolvimento desiguais no Norte e Nordeste está relacionada a carências de infra-estrutura, nível de qualificação da mão-de-obra, dificuldades no manejo dos elementos ambientais. Os desníveis educacionais levam a baixos níveis salariais e formam uma barreira para investimentos de maior nível. A saída está na educação e na identificação das diversidades regionais que garantem a riqueza do País, apontando oportunidades para a eliminação das desigualdades e o alcance do desenvolvimento sustentado. Nesse sentido, multiplicam-se êxitos na experiência dos clusters: organização de empresas, concentradas geograficamente, voltadas para determinado setor de atividade de forma verticalizada, incluindo fornecedores de insumos, produtores, serviços de comercialização até clientes e instituições de ensino. Este deve ser o desafio político da diversidade regional brasileira: a construção de um projeto de desenvolvimento nacional que inclua a busca da homogeneidade do padrão de vida das pessoas e a valorização da diversidade dos espaços. Analisar as disparidades regionais é uma exigência para definir formas de equacionar os desequilíbrios. A fórmula "tratar desigualmente os desiguais" deve persistir, mas com o compromisso inadiável do governo e da sociedade com uma política de diminuição das desigualdades, superando o falso dilema da eficiência com eqüidade. Marcos Formiga é professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB), membro do Grupo Estratégico de Assessoria do Reitor da universidade e Secretário Extraordinário de Desenvolvimento do Centro-Oeste do Ministério da Integração Nacional | Voltar ao Início | UnB discute futuro da Amazônia Renata
Santiago ''Estamos diante das últimas das últimas fronteiras da Amazônia Oriental. A gente sobrevoa agora e não encontra clareiras, e sim ilhas de mata''. A triste e lamentável afirmação é de Edna Castro, professora da Universidade Federal do Pará (UFPA), na área de sociologia, feita ontem, no nono painel do fórum ''Brasil em Questão - A Universidade e as Eleições Presisidenciais'', na Universiadade de Brasília (UnB), que tratou o tema ''Amazônia: Sustentabilidade e conservação''. Além dela, participaram do evento o jornalista Washington Novaes e a senadora Marina Silva (PT/AC). As exposições foram coordenadas pelo professor Marcel Burstyn, hoje, à frente do Centro de Desenvolvimento Sustentável da UnB. Segundo a professora da UFPA, o cenário é fruto do imaginário brasileiro de paisagens com vegetação plana - típicas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde há a maior parte da produção agropecuária do país. O desmatamento da região é intenso. Por ano, cerca de 16 mil km2 são desmatados. Quinze por cento da floresta, ou seja, 600 mil km2, foram destruídos. ''Quase um terço dessa área desmatada não tem nehuma ocupação econômica'', disse Washington Novaes, um dos responsáveis pela sistematização da Agenda 21 Brasileira. As áreas mais preservadas são as indígenas, onde há maior fração de biodiversidade. Os problemas advindos com essa prática vão além da mudança de modelo econômico. Se nos anos 70, a principal atividade econômica era o látex e a coleta de castanhas, hoje a agropecuária é predominante. O resultado é que, quem vivia no campo, hoje foi obrigado a migrar para a cidade em busca de oportunidades de sobrevivência. De acordo com a senadora Marina Silva, o espaço ocupado por cem famílias para extração do látex é utilizado por cinco peões que cuidam da boiada. Sem qualificação, os extrativistas são obrigados a aceitar subempregos e a morar em locais desprovidos de infra-estrutura. Marcel Burstyn explicou que o modelo de desenvolvimento escolhido para a Amazônia deve-se à falta de conhecimento sobre a região. ''Não a tratamos como espaço estratégico, e sim como um vazio demográfico, uma floresta homogênea, uma região atrasada, que necessita de grandes investimentos para se desenvolver, e um espaço onde se despeja os problemas agrários do Brasil'', enumerou Marina Silva. Uma das soluções para frear o processo de desmatamento seria criar modelos econômicos que promovessem uma melhor qualidade de vida para a população, sem, no entanto, destruir o meio ambiente. A senadora acrescenta que o Estado deve ser mais atuante na fiscalização e na conscientização dos brasileiros, uma vez que o país tem uma das melhores legislações ambientais e que a Amazônia não diz respeito aos moradores da região, e sim de toda a população. | Voltar ao Início | Marcel
Bursztyn* A relação do Brasil com a Amazônia revela que há muitas perguntas para as quais não se tem resposta seguras e muitas respostas (ações) que são dadas sem se conhecer as perguntas. Até hoje não sabemos bem qual é, de fato, a vocação da região. Não conhecemos ao certo quais as potencialidades (sabemos que são muitas...) e quais as limitações (temos certeza de que são preocupantes...). Sabemos que a dinâmica da floresta tem implicações sobre o clima do planeta, mas não sabemos ao certo em que medida e qual é, de fato, a ordem de grandeza das mudanças climáticas globais provocadas pelas alterações físicas do bioma amazônico. Temos plena consciência de que a floresta esconde um imenso potencial de aproveitamento econômico, seja na produção de fármacos, seja na de cosméticos, de alimentos, de minerais e tantos outros produtos. Mas não sabemos como explorá-los de forma racional e sustentável. Como evitar que usos potenciais sejam pesquisados, apropriados e patenteados sem que isso traga benefícios para as comunidades locais, para a região ou para o País? Sabemos das vantagens comparativas que representam possuir um gigantesco manancial de água doce, mas não sabemos como explorá-lo economicamente e de forma sustentável. O máximo que conseguimos, até aqui, tem sido gerar energia elétrica, a partir da construção de grandes barragens que provocam degradação ambiental e geram efeitos sociais negativos. Sabemos que os recursos pesqueiros são uma riqueza real e potencial da região, mas não conseguimos transformar esta possibilidade em uso sustentável. Ao contrário, a região já apresenta sintomas de esgotamento de estoques pesqueiros e mesmo conflitos entre pescadores artesanais e industriais. A geração de energia barata, uma sedutora vantagem da região, viabiliza indústrias de transformação mineral intensivas em energia, mas não atende a populações lindeiras às barragens e linhas de transmissão. A lista de perguntas sem resposta é longa. E a ela há que se somar as respostas sem pergunta, ou seja, ações que são empreendidas sem o prévio conhecimento do contexto em que se inserem ou sem análise prospectiva de seus resultados. É nesse sentido que uma complexa rede de infra-estrutura tem sido implementada na região, ao longo das últimas três décadas. E, da mesma forma, também incentivos econômicos e uma política de colonização carrearam para a Amazônia investimentos e fluxos de migração, provocando efeitos que demandam medidas corretivas: desmatamento, queimadas, conflitos fundiários, falta de saneamento ambiental nas cidades, demanda por serviços públicos em geral. Respostas sem perguntas, ou ações sem um projeto para a região, tem sido a tônica da intervenção pública direta e da iniciativa privada espontânea. A ausência de mecanismos regulatórios efetivos tem permitido que, mesmo diante da retração de certos instrumentos - como os incentivos fiscais - a dinâmica de ocupação da fronteira amazônica não tenha arrefecido. Os esforços de zoneamento não resultaram, até o presente, em ordenamento do uso do solo por parte de agentes privados ou mesmo públicos. Por mais de uma década a atividade de planejamento governamental em escala nacional vem sendo eclipsada pela prevalência de princípios neoliberais nas esferas decisórias. Os programas de desenvolvimento recentemente editados (Brasil em Ação e Avança Brasil) têm se revelado como marcadamente segmentados ("eixos de desenvolvimento") e essencialmente voltados a obras de infra-estrutura que proporcionem condições de viabilidade à expansão de atividades econômicas. Apresentam um descolamento efetivo em relação ao enfoque ambiental. Voltar a planejar não significou corrigir vícios do passado: a inexistência de um Projeto Nacional, com seus desdobramentos regionais, resultou em ausência de resposta às indagações reais da Amazônia. Em síntese - e esse é um apelo aos candidatos a Presidência da República - é tempo de se definir um projeto brasileiro para a Amazônia, centrado nas reais expectativas e necessidades da população da região, coerente com as vocações econômicas e em sintonia com os princípios do desenvolvimento sustentável. * Doutor em Desenvolvimento Econômico e Social, professor da UnB (Centro de Desenvolvimento Sustentável e Departamento de Sociologia) | Voltar ao Início | O social nas reformas estruturais José
Geraldo de Sousa Junior As próximas eleições presidenciais abrem a oportunidade para colocar no debate político o tema das reformas estruturais para o País. Aliás, este é o próximo assunto em debate no "Fórum: Brasil em Questão. A Universidade e a Eleição Presidencial", que será discutido no dia 03 de julho em evento que vem sendo conduzido pela UnB. O tema requer muito cuidado em sua abordagem. De fato, não trata essa discussão tão somente do tema da reforma do Estado que ganhou centralidade nos anos 1990, sob impulso de sua crise estrutural, considerando o desafio representado pela globalização, cujas repercussões, políticas e econômicas, conduziam a uma limitação da autonomia dos Estados nacionais, ensejando impasses entre tendências de redução do Estado ao mínimo, ou, ao contrário, de sua reconstrução para poder fazer frente às novas realidades do mercado mundializado. Basta ver, em ambiente europeu, impulsionado pela agenda dos requisitos de adesão à Unidade Européia, o rigor em estabelecer, exatamente, critérios políticos e econômicos, entretanto convergentes, para monitorar os progressos em reformas, cujo núcleo, no primeiro caso, estabeleceu ênfase na reforma do Judiciário e no segundo caso, para alcançar economia de mercado viável e capacidade de resistir à pressão da concorrência e aumentar competitividade. O fato é que o debate não é só teórico, mas responde a imperativos de uma lógica que inscreve o tema da reforma do Estado numa dimensão muito mais ampla que é o da própria reforma estrutural do capitalismo em seu mais amplo sentido globalizante. E essa lógica imprimiu à onda reformista dirigida de forma também global e hegemonista segundo um cronograma conduzido por organismos internacionais (Banco Mundial, FMI) que definiram, segundo interesses também internacionais, o rumo e as etapas de reformas, cujos elementos econômico e político, suplantaram, em detrimento dos interesses nacionais, sua face social e humana. Assim, vem prevalecendo nesse processo, marcado por uma estratégia de privatizações das agências estatais de desenvolvimento e de ajuste de contas públicas, uma plataforma de enxugamento, em nome de uma pretensa eficiência de governo, das atividades estatais em áreas sociais e de gestão de direitos. As importantes reformas estruturais do País - reforma agrária, reforma tributária, reforma do judiciário, reforma eleitoral, reforma da universidade, reforma da saúde, reforma da previdência - não podem perder de vista a dimensão ética de uma alternativa solidária, como estão a indicar as proposições do Fórum Social Mundial de Porto Alegre, essa formidável articulação em rede de solidariedade propugnando por uma globalização alternativa. Trata-se aí de rejeitar a lógica de exclusão da globalização impulsionada por critérios exclusivamente políticos e econômicos que levam ao sacrifício da experiência democrática e, conseqüentemente à precarização alienante da própria vida e à flexibilização do trabalho, retirando-lhe o estatuto de produto e produtor dos direitos e da cidadania com a perda do humano inscrito no caráter dos investimentos competitivos de um capital sem fronteiras e sem limites. É para esta nota social que o debate que a UnB vem proporcionando deve estar atento, no sentido de recuperar a dimensão ético-social das reformas estruturais para o País, ou seja, de procurar inserir, enquanto proposições transformadoras das instituições, na sociedade e no estado, valores que organizem os princípios de cooperação, solidariedade e participação, por meio dos quais àquela lógica excludente e alienante, que se sustenta no primado da acumulação, se oponha, como prioridade, a disposição democrática que se sustenta no primado de eqüitativa distribuição. Trata-se, portanto, de fazer coro a melhor direção de expectativas que decorrem das condições de redescoberta democrática das relações de sociabilidade, na perspectiva de um novo horizonte de sentido para a globalização, inserindo-a na luta articulada não apenas por reformas institucionais, senão por reformas que sejam mediadas pelo eixo dos direitos e mais propriamente, pelo eixo dos direitos humanos. | Voltar ao Início | Reformas Estruturais para o País José
Geraldo de Sousa Junior No próximo dia 3 de julho, dando seqüência às discussões do "Fórum: Brasil em Questão. A Universidade e a Eleição Presidencial", o tema que a UnB põe em debate é o das reformas estruturais para o País. O assunto é importante não apenas para quem o toma como referência de inserção do Brasil na modernidade. Sob esse ângulo, aliás, por eles se interessam os candidatos, além dos atuais, todos que disputaram as eleições presidenciais desde a redemocratização do País, sendo este tema um divisor de águas das respectivas plataformas. Mas este é também um tema que requer muito cuidado em sua abordagem. De fato, não trata essa discussão tão somente do tema da reforma do Estado que ganhou centralidade nos anos 1990, sob impulso de sua crise estrutural, considerando o desafio representado pela globalização, cujas repercussões, políticas e econômicas, conduziam a uma limitação da autonomia dos Estados nacionais, ensejando impasses entre tendências de redução do Estado ao mínimo, ou, ao contrário, de sua reconstrução para poder fazer frente às novas realidades do mercado mundializado. O fato é que o debate não é só teórico, mas responde a imperativos de uma lógica que inscreve o tema da reforma do Estado numa dimensão muito mais ampla que é o da própria reforma estrutural do capitalismo em seu mais amplo sentido globalizante. E essa lógica imprimiu à onda reformista dirigida de forma também global e hegemonista segundo um cronograma conduzido por organismos internacionais (Banco Mundial, FMI) que definiram, segundo interesses também internacionais, o rumo e as etapas de reformas, cujos elementos econômico e político, suplantaram, em detrimento dos interesses nacionais, sua face social e humana. Assim, vem prevalecendo nesse processo, marcado por uma estratégia de privatizações das agências estatais de desenvolvimento e de ajuste de contas públicas, uma plataforma de enxugamento, em nome de uma pretensa eficiência de governo, das atividades estatais em áreas sociais e de gestão de direitos. As importantes reformas estruturais do País - reforma agrária, reforma tributária, reforma do judiciário, reforma eleitoral, reforma da universidade, reforma da saúde, reforma da previdência - não podem perder de vista a dimensão ética de uma alternativa solidária, como estão a indicar as proposições do Fórum Social Mundial de Porto Alegre, com o sacrifício da experiência democrática na precarização alienante e na flexibilização excessiva de um processo que implica na perda do humano inscrito no caráter dos investimentos competitivos de um capital sem fronteiras e sem limites. O debate que a UnB vem proporcionando, reunindo no "Fórum: Brasil em Questão", a melhor inteligência nacional e a energia generosa de seus professores e alunos para um diálogo de proposições, deve constituir-se numa recuperação da dimensão ético-social das reformas estruturais para o País, de molde a integrar a agenda dos candidatos às eleições presidenciais de outubro. | Voltar ao Início | Reformas em discussão Hoje na UnB, ocorrerá o debate sobre Reformas Estruturais para o país. É o décimo e penúltimo painel do fórum Brasil em Questão - A Universidade e a Eleição Presidencial. O encontro será no Centro Comunitário Athos Bulcão, às 10 horas. O professor de economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Wilson Cano; o secretário de Previdência do Ministério da Previdência e Assistência Social, Vinícius Carvalho Pinheiro e o coordenador de Estudos Tributários do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ricardo Varsano, participam do debate. Presidenciáveis na UnB A partir de agosto, a Universidade de Brasília recebe os candidatos presidenciáveis para apresentar as proposta e questionamentos surgidos nos encontros do Brasil em Questão. A cobertura completa de todos os debates, com as principais opiniões dos debatedores, artigos e o que pensam os participantes, está no portal na Internet www.unb.br na opção Fórum Brasil em Questão | Voltar ao Início | Reformas, como a tributária e da Previdência, são necessárias. Mas segundo os especialistas presentes no fórum da UnB, elas levarão muitos anos para ser concluídas Renata
Santiago Ninguém vai fazer milagre em quatro anos no que diz respeito às reformas estruturais do Estado, de acordo com Wilson Cano, professor de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e presidente do Conselho Curador da Fundação Economia de Campinas. Ele foi um dos palestrantes do fórum ''Brasil em Questão - A Universidade e a Eleição Presidencial'', realizado ontem no Centro Comunitário da Universidade de Brasília (UnB). O décimo, e penúltimo, painel foi coordenado pelo diretor da Faculdade de Direito da UnB, José Geraldo de Sousa Júnior, e contou com as participações do coordenador de Estudos Tributários da Diretoria de Estudos Macroeconômicos do Instituto da Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Ricardo Varsano e do secretário de Previdência Social do Ministério da Previdência e Assistência Social, Vinícius Pinheiro. Para Wilson Cano, é preciso romper com o modelo neoliberal implementado no Brasil na década de 90. ''Esse modelo foi um presente de grego. Nós nos submetemos totalmente aos interesses estrangeiros'', disse o professor da Unicamp, que estuda a realidade dos países da América Latina há 30 anos. A integração Brasileira à economia internacional, assim como a sustentação do Plano Real, se deu às custas da desregulamentação do mercado, da abertura comercial e do aumento da dívida pública. ''Ela acabou por aumentar o volume de juros, que atingem patamares antes desconhecidos pelos brasileiros'', explicou. Os juros no mercado giram em torno de 18% ao ano. Um dos motivos pelo qual essa taxa não pode diminuir é a dependência em relação ao capital estrangeiro. Os investidores internacionais - os compradores de títulos da dívida pública - consideram a redução um risco e retiram o dinheiro da economia nacional, desestabilizando a moeda. ''O fluxo é extremamente sensível à tributação. Se o sistema for muito diferente de outros países, eles migram para outro lugar'', contou Varsano. A carga tributária do Brasil é hoje de cerca de 35%. ''Ela vai ter que continuar alta ainda por um longo tempo porque temos uma dívida pública que tem de ser financiada'', disse o coordenador do IPEA. A dívida pública já supera os 50% do Produto Interno Bruto (PIB) e os juros da dívida pública federal representam 8% do PIB, o equivalente à folha de pagamento dos servidores. ''A manutenção do atual modelo só tende a aprofundar dois sacos sem fundos: o das contas externas e das contas públicas'', contou Wilson Cano. A saída, segundo o professor de Economia, seria elaborar políticas seletivas e prioritárias para que, daqui a 20 ou 30 anos, as reformas estatais sejam implementadas | Voltar ao Início | UnB DISCUTE A AMAZÔNIA O ritmo de devastação da floresta amazônica será debatido na UnB, na quarta-feira. Quatro especialistas foram convodados para discutir o tema Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Amazônia, no fórum Brasil em Questão: Marcel Burstyn, coordenador co Centro de Desenvolvimento Sustentável da UnB; a senadora Marina Silva (PT-AC); o jornalista washington Novais; a professora Edna Ramos Castro, da Universidade Federal do Pará. O encontro será às 10h, no Centro Comunitário Athos Bulcão | Voltar ao Início | Presidenciáveis recebem livro Cada um dos candidatos à presidência da República vai receber no dia 2 de agosto um livro com resumo de todas as discussões e falas apresentadas durante os onze painéis promovidos pela Universidade de Brasília no fórum ''Brasil em Questão - A Universidade e a Eleição Presidencial''. ''Ele serve de subsídios para reflexões em busca de um futuro melhor para o Brasil'', diz o reitor Lauro Morhy. Para ele, o fórum foi um curso de Brasil, brasilidade e civismo. ''Ele cumpriu o papel de proporcionar a oportunidade de repassar e refletir os problemas brasileiros nos meses que antecede as eleições'', explica. Desde março a Universidade colocou em pauta temas como o meio ambiente, desenvolvimento sustentável,reforma do Estado, exclusão social, políticas internacionais, crise energética,ciência e tecnologia,entre outros. Em cada debate, o público teve a chance de saber um pouco mais sobre a realidade brasileira e esclarecer suas dúvidas com especialistas. O evento, que começou no auditório Dois Candangos, teve de ser levado ao Centro Comunitário Athos Bulcão para abrigar as pessoas, interessadas em aprender como ser cidadãs nas urnas, em outubro. O público ultrapassou os limites do campus da UnB, com um link criado com Universidade de São Paulo (USP), que pôde participar dos debates por meio de teleconferência. No dia 7 de agosto, começará uma nova fase do fórum, quando os candidatos irão à UnB debater com alunos, professores e comunidade as plataforma de governo. O primeiro a discutir suas propostas será Ciro Gomes, candidato da Frente Trabalhista - aliança entre PPS, PTB, PDT | Voltar ao Início | No último painel de fórum na UnB, ontem, especialistas afirmaram que o ensino superior deve passar uma reforma, apesar de melhorias nas estatísticas Renata
Santiago Escolher um curso de graduação nem sempre é fácil. Há quem mude duas ou três vezes de opção para, enfim, encontrar um ofício. Mas, para muitos candidatos, esta não é a única escolha a ser feita. Há que se optar ainda por uma instituição de ensino superior (ifes) pública ou privada. A primeira tem bom corpo docente e é gratuita. A segunda conta com uma imensidade de vagas e horários para estudar, porém, tudo isso sai a um custo muito alto - em torno de R$ 600 por mês. Para se qualificar e ter mais chances no mercado de trabalho, a maioria dos candidatos opta pelo ensino privado, uma vez que pode conciliar emprego e estudos, além da concorrência ser bem menor. Sempre haverá uma vaga nas 156 universidades e nas 1.180 ifes no Brasil - sendo a maioria delas (67%) particulares. O aumento na oferta no curso de graduação, no entanto, não significou um acréscimo na qualidade do ensino. No último painel do fórum ''Brasil em Questão - A Universidade e a Eleição Presidencial'', ontem na Universidade de Brasília (UnB), os participantes discutiram a atual situação das ifes no País e seus rumos. O debate foi coordenado pelo reitor da Unb, professor Lauro Morhy. Estavam presentes também o reitor da Universidade da Amazônia (UNAMA), Édson Franco, o coordenador do Centro Interdisciplinar de Pesquisa para Desenvolvimento para a Educação Superior, Hélio Trindade, e o professor da Faculdade de Educação da UnB, Jaques Velloso. De acordo com reitor da Unama, iniciou-se a caça ao aluno, onde as instituições - os supermarcados - anunciam centenas de vagas em outdoors e mil e uma vantagens na matrícula. ''Sou favorável à expansão quantitativa do ensino, mas estamos chegando no limite. Os universitários chegam às instituições de ensino superior sem saber escrever seleção com S'', disse Franco. Segundo ele, essas faculdades não estão preocupadas com o processo educacional. O provão foi uma maneira encontrada pelo governo federal de avaliar o ensino superior no País, mas os participantes do debate acreditam que ele tem muito a melhorar. Para Hélio Trindade, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, há que se enfrentar a dicotomia democratização / privatização da educação superior, pois o modelo criado na ditadura militar - e que ainda está vigente - esgotou-se. E grande dilema existente é, no caso das ifes públicas, a autonomia universitária. O setor privado leva vantagem do público porque pode gerir seus recursos e sua maneira. ''A palavra de hoje é parceria e precisamos acreditar nela'', afirma Édson Franco. ''Há uma necessidade de ampliar recursos das instituições públicas. Noventa por cento do orçamento é para cobrir despesas de pessoal'', conta Lauro Morhy. O ideal, segundo o reitor da UnB, é que gasto com a folha seja de 25% e o restantes fosse destinado para investimentos e pesquisa. ''A Universidade precisa de liberdade para utilizar recursos. Não existirá autonomia se não houver identidade'', explicou o reitor da Unama. | Voltar ao Início | Universidade propõe agenda a candidatos Juliana
Cézar Nunes Criticar é fácil. Apontar soluções, nem tanto. Para provar o contrário, cerca de 50 pesquisadores e políticos se revezaram, desde de fevereiro deste ano, em uma série de nove debates sobre os principais problemas nacionais. O fórum Brasil em Questão, organizado pela Universidade de Brasília (UnB), terminou ontem com um simpósio sobre a crise no ensino superior brasileiro. Antes de colocar o dedo na própria ferida, os acadêmicos debateram temas que consideram cruciais para o próximo governo. Entre eles, a valorização da cultura brasileira, uma política externa mais agressiva, distribuição de renda justa, ampliação do saneamento básicos e investimentos em ciência e tecnologia. Um livro com o resultado de cada discussão será publicado e entregue no dia 2 de agosto aos candidatos à presidência da República. Eles terão apenas cinco dias para analisar propostas e participar do primeiro encontro dos presidenciáveis com pesquisadores. Entre os dias 7 e 28 de agosto, todos os candidatos terão a oportunidade de expor as suas propostas de governo à comunidade acadêmica, principalmente em relação aos temas levantados durantes os debates dos últimos meses na UnB. Um dos pontos mais defendidos pelos palestrantes é a necessidade de o país exportar os produtos culturais regionais e incentivar a produção científica aliada ao desenvolvimento tecnológico. Sobre política externa, o atual secretário de Cultura de São Paulo (SP), Marco Aurélio Garcia, alertou para a urgência de definir uma clara a respeito da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). Em outro encontro, o ex-governador do Distrito Federal e ex-reitor da UnB, Cristovam Buarque (PT), sugeriu que o país enfrentasse uma luta pela segunda abolição: aquela que deve tirar 80 milhões de brasileiros da faixa de pobreza | Voltar ao Início |
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