A Universidade e a Eleição Presidencial
Centro Comunitário Athos Bulcão - Campus da UnB - 10 h

Notícias do Fórum:
MEIO AMBIENTE, DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL E AMAZÔNIA
19 DE JUNHO

Desenvolvimento sem equívocos

Fotos: Ornil Júnior

Reunidos na Universidade de Brasília, especialistas concordam sobre a urgência de debater o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável para defender a Amazônia da devastação

Maior biodiversidade do planeta, maior floresta tropical do mundo, lar de indígenas e seringueiros, lar dos amazônidas. Não é à toa que a Amazônia é alvo de atenção nacional e internacional. Seja pela instalação do Sistema Integrado de Vigilância da Amazônia (Sivam), seja pelo eterno boato de internacionalização da floresta. A Amazônia não é só beleza. É também um lugar onde um terço da população vive em condições de indigência, sem saneamento básico nem água tratada. Também possui cerca de 7,19% da população nacional, e 63,35% dessas pessoas vivem em ambiente urbano. Tem ainda 600 mil quilômetros quadrados de floresta desmatada (15% da área total) e quase um terço desse total, cerca de 230 mil quilômetros quadrados sem qualquer ocupação humana.

Especialistas na questão ambiental e sobre a Amazônia reuniram-se na Universidade de Brasília (UnB), para a nona rodada de discussões do Fórum Brasil em Questão - A Universidade e a Eleição Presidencial. Coordenados pelo professor Marcel Burstyn, diretor do Centro de Desenvolvimento Sustentável da UnB, o consenso entre os participantes foi de que a Amazônia só está desse jeito porque o modelo de desenvolvimento aplicado na região baseou-se em equívocos e, por isso, provocou enorme devastação das áreas de florestas.

Ao abrir o debate, o reitor da UnB, Lauro Morhy, anunciou que a universidade lançará, no dia 2 de agosto, um livro com todas as propostas apresentadas durante o fórum. Logo depois, no dia 7 de agosto, receberá o primeiro dos presidenciáveis para participação no Fórum. A agenda segue durante todo o mês de agosto, com a participação dos demais candidatos.

O reitor enfatizou que o fórum, ao permitir o debate eleitoral de alto nível, abre oportunidade para discutir os problemas nacionais e encontrar caminhos para superá-los. Morhy - conhecedor da Amazônia já que nasceu, viveu e pesquisou na região - comunicou ainda que, na terça-feira - véspera do nono painel -, foi dada a aula inaugural da Faculdade de Medicina de Rio Branco (AC), que vai funcionar com o apoio da UnB.

O professor Marcel Burstyn disse que a questão amazônica sempre esteve presente no imaginário nacional e internacional, confundindo-se com algo fantástico e desafiador. Lembrou, no entanto, que depois de 500 anos de ser descoberta, a Amazônia é desconhecida. Segundo ele, o Brasil ainda não soube construir um projeto nacional para a região, elaborado cientificamente e que promova soluções para "as várias amazônias". Burstyn assinalou que não existe apenas uma Amazônia, mas que a região é um mosaico complexo, como ocorre com as demais regiões brasileiras.

A senadora Marina Silva (PT-AC), primeira participante a falar, arrancou aplausos calorosos das pessoas que acompanhavam o debate. Ela falou sobre a Amazônia com a propriedade de quem nasceu, cresceu e começou a vida política na região, acompanhando de perto a luta dos seringueiros, liderado por Chico Mendes. Morto em 1988, Mendes não viveu o suficiente para ver sua lua transformar-se em política e em luta internacional. Marina Silva orgulha-se dessa vivência e defende a região como se fosse a própria casa, o que não deixa de ser verdade. "Pensar o desenvolvimento da Amazônia é pensar o desenvolvimento sustentável de forma geral. É um grande desafio frente a relação que o ser humano estabeleceu com a natureza", afirma.

Para ela, a preservação do meio ambiente e da floresta não é tarefa apenas dos amazônidas, mas sim de toda a população brasileira. "A região não é um vazio demográfico e nem é atrasada, como já foi especulado. A floresta não é homogênea. Esses equívocos levaram à elaboração de modelos de desenvolvimento errados", explica. Hoje em dia, a exploração desordenada (agricultura, pecuária, extrativismo e mineração) devasta a floresta. "Precisamos de um modelo de desenvolvimento na Amazônia em vez de desenvolvimento da Amazônia", define.

Os debatedores concordaram que a região precisa de sustentabilidade econômica, ambiental, cultural, política e ética. A professora da Universidade Federal do Pará (UFPA), Edna Castro, defendeu participação mais efetiva do estado no desenvolvimento da região.

Para ela, é fundamental que sejam definidas políticas claras para evitar que a floresta seja completamente devastada. "Hoje existem ilhas de floresta cercadas por campos de pastagens, onde nem sequer há bois, porque o solo está desgastado, o chão rachado e os igarapés, secos", diz, para logo depois finalizar: "Se a Amazônia pode contribuir o fará com o que tem lá e não com modelos já existentes e lá aplicados".

O jornalista Washington Novaes foi o participante que trouxe dados, aterradores, para a discussão. Segundo ele, a humanidade vive uma crise de padrão civilizatório e passa por momentos de insustentabilidade social, política, econômica, militar e ambiental em que a discussão de novos paradigmas de desenvolvimento se apresenta como uma das saídas. "Precisamos reinventar nosso modo de viver e a Amazônia pode tirar grande benefício disso. Já foi comprovado que a expansão das fronteiras agrícolas em direção à Amazônia é contraproducente e devastadora", afirma.

Segundo dados apresentados por Novaes, a fatia populacional da região Norte em relação ao total do país saltou de 3,66% para 7,19%. A população urbana pulou de 37,38% para 62,35%, mas as cidades não têm toda a infra-estrutura necessária para abrigar esse movimento de migração da floresta para as cidades. A população total da região saiu de 957 mil para sete milhões de pessoas, um crescimento de mais de 630%. "Mais de 10% da população não tem esgoto e cerca de 43% não tem coleta de lixo", aponta.

Os números do desmatamento chocam ainda mais: 600 mil km² de floresta já foram desmatados (equivalente a cerca de 15% da área total), 230 mil km² dessa área não têm ocupação humana. "Há estudos que apontam a possibilidade de aumento da emissão de poluentes e perda da biodiversidade nos próximos ano", diz. Outra pergunta lançada e respondida pelo jornalista diz respeito às bacias hidrográficas: "Quais são os efeitos dos desmatamentos sobre o sistema hidrológico? Na Amazônia ainda não se sabe, porque não há estudos. Mas no cerrado, por exemplo, já foi comprovado que interferem diretamente no funcionamento das bacias".

O sistema aplicado à região demonstrou resultados. A Amazônia é responsável pela produção de 20% da soja nacional, tem 11% do rebanho bovino, 13,5% da produção mineral e quase 7% do Produto Interno Bruto (PIB). E, segundo os debatedores, são justamente estes resultados que dificultam provar que o sistema está errado. "No cerrado, a erosão provoca perda de seis a 10 quilos de solo por quilo de grãos produzidos. Isso equivale a uma perda de um bilhão de toneladas de solo por ano. Na Amazônia, novamente, ainda não há pesquisas nessa área, mas há estudos que fornecem dados assustadores. Em 2020, estima-se que 40% da cobertura florestal tenham desaparecido e, em 2050, que a Amazônia emita mais gás carbônico do que atualmente", disse Novaes.

A solução para isso é reinventar os modelos, colocar representantes da sociedade nos debates sobre o futuro da região e levar o meio ambiente para o centro das discussões das políticas publicas destinadas à Amazônia.. Não perca!

Fonte: Assessoria de Comunicação Social da UnB. Participaram dessa cobertura os jornalistas André Augusto Castro, Ariane Abrunhosa e Welington Fonseca. Fotos de Ornil Júnior

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Viola de cocho à brasileira



Professor da Universidade Federal do Mato Grosso, Abel Santos Anjos Filhos,
toca a viola de cocho e encanta o público presente à nona rodada de debates do fórum

Antes do início do debate, as pessoas que se acomodavam para assistir à discussão foram presenteadas com a apresentação do professor Abel Santos Anjos Filhos da Universidade Federal do Mato Grosso. Ele foi saudado pelo reitor da UnB, Lauro Morhy, que deu publicações da universidade ao professor. Abel veio a Brasília para fazer o lançamento oficial do livro Uma Melodia Histórica e apresentou cinco canções.

Abriu o show com Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, seguida por Reino dos Pantanais, de Carlos Silva, O Guarany, de Carlos Gomes, Caminhos do Sol, na versão de Zizi Possi e fechou a apresentação com Panis Angelicus, uma polifonia católica com letra gregoriana. A viola de cocho é um instrumento típico o Centro Oeste, particularmente do Pantanal Mato-grossense, mas veio para o Brasil por influência ibérica.

No livro Uma Melodia Histórica, Abel recria o ambiente histórico da colonização para ilustrar o surgimento da viola no país. Produzida artesanalmente, barata e brasileira, a viola de cocho chamou a atenção de Abel porque estava sendo deixada de lado em seu estado de origem. Com as inovações tecnológicas, a chegada do rádio e da televisão nos anos 60, quem tocava viola passou a ser visto como brega e era vaiado nas apresentações.

"Não podíamos deixá-la sumir", conta. Imbuído dessa luta, Abel tornou-se professor de música da universidade e implantou, como disciplina obrigatória, o estudo da viola de cocho. Depois de 15 anos trabalhando para recuperar a imagem da viola de cocho, Abel conseguiu mudar o paradigma do instrumento no estado. "Nunca se produziu e vendeu tanta viola quanto atualmente. E o mais incrível foi o aumento considerável de grupos regionais que a utilizam", comemora.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social. Foto: Ornil Júnior

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O que pensam os debatedores

 

O DEBATE
"Excelente. Levantou questões chaves no debate sobre a Amazônia no Brasil. É de extrema importância porque faz ponte entre a universidade e a sociedade e, entre a universidade e as grandes questões brasileiras"

INVESTIMENTOS JÁ!
"As novas fronteiras são as áreas de novas ocupações na Amazônia. A primeira solução seria estancar o avanço do desmatamento porque os processos são muito rápidos. Antes uma nova fronteira se abria de uma geração para outra. Hoje, esse espaço de tempo é muito menor. Precisamos de ações do Estado que sejam mais eficientes. Precisamos de um reforço no Ministério do Meio Ambiente, no Ibama para resolver a questão"


Edna Castro

     
  O DEBATE
"É uma iniciativa bastante pertinente da UnB porque não é como costuma acontecer em períodos eleitorais, quando os candidatos são convidados para repetir as mesmas coisas que falam em qualquer debate ou programa de televisão. Ao contrário disso, a universidade procurou fundamentar a discussão com várias rodadas de debates envolvendo especialistas. Isso vai servir para enriquecer o Fórum quando os candidatos estiverem presentes''

À PROCURA DE RESPOSTAS
"Discutir Amazônia e Meio Ambiente é fundamental para a sociedade brasileira e até mundial. Existem muitas perguntas sem respostas e muitas respostas sem perguntas sobre a região e precisamos esclarecer todas as dúvidas, mostrar as características antes de formular sistemas de desenvolvimento. O Meio Ambiente e a Amazônia precisam de desenvolvimento sustentável e de políticas claramente definidas"

Marcel Burstyn
     
  O DEBATE
"A academia é um espaço onde o debate político de questões estratégicas deve ser feito com freqüência. Também é um local onde compromissos para o futuro podem ser selados e cobrados depois. É importante discutir questões referentes ao país, mas isso não deve acontecer somente em anos eleitorais"

O NORDESTE
"Acho que ninguém ousaria apresentar algum programa de governo que não envolva consideravelmente a Amazônia. É uma região estratégica para o país e precisamos estar atentos às iniciativas tomadas para que a prática política não deixe a Amazônia de lado. Ela deve ocupar um lugar de destaque nas políticas públicas do país, mas isso não tem acontecido. Precisamos destinar mais verbas para a região"

Senadora Marina Silva
     
  O DEBATE
"Creio que é vital esse tipo de debate porque a chamada questão ambiental raramente freqüenta a pauta da política. Até agora, na campanha eleitoral não se falou nesse assunto e isso deve ser o principio de tudo"

OS CAMINHOS
"Há alguns anos foi feita uma proposta de uma agenda para Amazônia. Eram perguntas e não respostas. Aquele caminho era muito interessante porque já sabemos o que não dá certo. Sabemos que os modelos de desenvolvimentos levados do Sul e do Centro-Oeste não são apropriados para Amazônia. Então, quais são os caminhos da Amazônia? Tudo isso precisa ser construído. A Amazônia não é uma coisa só, são muitos subsistemas dentro da floresta tropical. É possível que num primeiro momento seja necessário se optar pelo não fazer. E, lembrar que o grande valor da Amazônia é pelo que ela já possuía antes da chegada da cultura européia. Agora, não fazer significa ampliar ao máximo as áreas de preservação e encontrar formas para remunerar a população para participar desses serviços de conservação e de pesquisa da biodiversidade "

Washington Novaes

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Curriculum dos debatedores de "Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Amazônia"

Marcel Burstyn
Doutor em Desenvolvimento Econômico e Social, Burstyn coordenada desde 2000 o Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS) da Universidade de Brasília (UnB), onde tem pesquisa nas áreas de Políticas Públicas, Gestão Ambiental e Ambiente Urbano e Exclusão Social. O economista presidiu também a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP/DF) entre 1996 e 1997.
Contato: marcelburs@persocom.com.br

Marina Silva
Senadora pelo PT-AC, Marina Silva está em seu primeiro mandato no legislativo nacional. É integrante titular da Comissão de Assuntos Sociais e da Comissão de Educação do Senado Federal. Antes de 1995, primeiro ano de mandato, foi a deputada estadual mais votada no Acre em 1991 e vereadora pelo município de Rio Branco em 1989. Tornou-se de História pela Universidade Federal do Acre em 1985.
Contato: marinasi@senado.gov.br

Washington Novaes
Advogado e jornalista, Washington Novaes assina atualmente uma coluna no jornal O Estado de São Paulo. Foi consultor do Primeiro Relatório para a convenção da Diversidade Biológica e dos Relatórios sobre Desenvolvimento Humano da Organização das Nações Unidas (ONU). É um dos responsáveis pela sistematização da Agenda 21 Brasileira - bases para a discussão.
Contato: wlnovaes@uol.com.br

Edna Ramos Castro
É consultora em estudos sobre trabalho, desenvolvimento local e em programas de pesquisa interdisciplinares sobre desenvolvimento e meio ambiente desde 1977. Doutora em estudos da Amazônia pela Escola de Estudos em Ciências Sociais de Paris, é atualmente Professora da Universidade Federal do Pará (UFPA) na área de Sociologia. Na instituição, desenvolve também pesquisas sobre políticas públicas.
Contato: edna@amazon.com.br

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Ping Pong: Senadora Marina Silva

Marina Silva queria ser freira. Vivia fora da vida política da região amazônica e não entendia porque as outras freiras não gostavam, e até criticavam, o pensamento de um líder seringueiro. Chico Mendes começava a despontar no cenário nacional quando Marina Silva teve seus primeiros contatos com ele. Tornaram-se amigos e a jovem que queria ser freira mergulhou de cabeça no mundo da política. Tornou-se senadora pelo PT do Acre e hoje defende, com unhas, dentes e lágrimas a terra que a projetou. Confira na entrevista, concedida ao jornalista André Augusto Castro, Editor Online da Assessoria de Comunicação, algumas opiniões da senadora.

UnB - Que tipo de modelo econômico pode ser aplicado à Amazônia respeitando as características da região?
Senadora Marina Silva - Não existe uma fórmula definida, mas precisa ser um modelo que considere os saberes regionais produzidos pela população local e também que permita interação entre a diversidade cultural e sócio-ambiental. Queremos um sistema de desenvolvimento sustentável político e ético que permita desenvolver a região mas também que ela permaneça a Amazônia, sem perder as características.

UnB - O desenvolvimento sustentável pode impedir que a devastação da floresta continue?
Senadora Marina Silva - O desenvolvimento sustentável tem agido como um freio ao sistema civilizatório atual que demonstra ter fracassado, principalmente no que diz respeito ao meio ambiente. Nossa visão antropocêntrica de que o homem afeta as coisas sem ser afetado é equivocado. Se quisermos viabilizar a vida no planeta, precisamos estar atentos ao meio ambiente, porque dependemos dele para tudo. Estamos caminhando para uma catástrofe ambiental e não sabemos se poderemos vencer mesmo que apliquemos o desenvolvimento sustentável de forma 100% correta. Mas ainda assim precisamos fazê-lo, com urgência.

UnB - Seria possível, como sugeriu Washington Novaes durante o debate, não aplicar qualquer modelo de desenvolvimento para a Amazônia e deixar a região sustentar-se sozinha?
Senadora Marina Silva - Passamos por um momento de desafios que permitem muitas visões diferentes. Particularmente, sou a favor da idéia de descobriR o que pode ser feito para desenvolver a região e como fazê-lo de forma correta. A Amazônia é um ponto estratégico para o desenvolvimento do país que não precisa passar por todas as estapas do processo civilizatório. A vantagem da experiência acumulada pelo ser humano na Terra mostra que os modelos que foram aplicados até hoje não funcionaram. Por isso, acredito que a Amazônia possa pular alguns anos nesse processo e entrar direto no desenvolvimento sustentável.

UnB - A presença do estado pode contribuir para o fim da devastação?
Senadora Marina Silva - O Brasil tem leis muito eficientes contra a devastação do meio ambiente, mas faltam elementos para fiscalizar e implantar essas normas. O estado não é tão efetivo quanto a lei determina que seja. Falta também que essa idéia de preservação seja inserida na cultura da sociedade, para que a preservação seja iniciada como princípio cultural das pessoas. Todos nós queremos que a natureza seja preservada, mas ainda acreditamos que isso deve começar no quintal do vizinho e não no nosso. Isso precisa mudar.

UnB - De que forma os povos da floresta podem contribuir para a preservação?
Senadora Marina Silva - Acredito que de forma bastante direta. Eles têm existência milenar na região e nunca destruíram a floresta como nós brancos fazemos. Sabem como consumir os produtos da Amazônia e ainda assim preservá-la. Essa é a maior contribuição deles e não pode ser preterida, nem ignorada, em relação a qualquer conhecimento produzido na sociedade.

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Opinião de quem participou do debate

O que você pensa da iniciativa da UnB em promover o debate?

"Essa iniciativa é importante para divulgar uma região que a maioria dos brasileiros, que não pertence à Amazônia tem um desconhecimento muito grande. Além de uma série de preconceitos, como se a própria população não tivesse capacidade nem condições de promover o desenvolvimento sustentável e a preservação da biodiversidade da região".

Adriana Continho da Costa, 31anos, Antropologia

 

"Essa idéia da UnB de propor sugestões para elaboração dos programas governamentais é uma necessidade. A Amazônia é um dos pontos que exige essa participação dos cidadãos e sobretudo providências governamentais. Uma das sugestões colocadas foi sobre a presença da sociedade civil no Sivam, essa idéia precisa ser sugerida aos candidatos porque o Sivam como órgão de fiscalização da Amazônia terá acesso a segredos estratégicos do Brasil".

Licon Magalhães da Rocha, 65 anos, professor de Direito e Ministro do Tribunal de Contas da União

"Dos pontos de vista social e político foram de suma importância, pois estamos num ano de eleições. O que temos assistido nos últimos governos é uma espécie de descaso total com esse patrimônio. O que prefiro não pensar seria a internacionalização da Amazônia. Isso é uma afronta direta à soberania de qualquer país."

Emerson Barbosa da Silva, 28 anos, 10º semestre do Curso de História

"Gostei, mas faltaram propostas concretas, sugestões de produtos que podem ser explorados sem problemas para o meio ambiente e de como de viabilizar concretamente o desenvolvimento. Foi importante terem colocado o uso dos produtos locais e a busca de soluções com a população da Amazônia".

João Paulo Nunes de Morais, 25 anos, 10º semestre de Ciência Política

"As colocações sobre as questões da conscientização das populações da Amazônia e do desenvolvimento sustentável desta região foram muito importantes. A pessoa não precisa migrar para cidade para viver. É possível utilizar de maneira racional os recursos disponíveis"

José de Souza Penaforte, 21 anos, 4º semestre de Ciência Política

"O tema é muito importante, polêmico e desafiador. Mas como é um tema complexo faltou, por parte dos palestrantes, conceituar melhor a questão do desenvolvimento sustentável na suas dimensões sociais, econômicas, ecológicas, políticas e institucionais. Faltou esclarecer mais isso para os estudantes".

Júnia Rodrigues de Alencar, 46 anos, pesquisadora da Embrapa

"Foi muito bom, muito apropriado e pode ser muito útil para os candidatos. Foram atualizadas todas as questões relacionadas com a Amazônia na área ambiental, econômica e cultural. Conseguiram fazer um tipo de síntese bem variada e mais popular. Pode ser entendido tantos pelos candidatos como pelas pessoas em geral".

Levon Yeganiantz, 64 anos, pesquisadores da Embrapa

"O debate foi interessante para colocar esse tema em pauta nas eleições. O conceito de sustentável foi questionado, o discurso oficial coloca como algo bom, mas sem haver um debate com a sociedade."

Cláudio Luís Ferreira de Oliveira, 28 anos , formando de Biblioteconomia

"Foi uma boa iniciativa, mas eu gostaria que houvesse maior união no sentido de tentar propagar esse debate e abordar outros pontos que ainda não foram enfocados".

Marcos Finsterseifer Woortmam, 20 anos, 5ºsemestre de Ciência Política
   
"O discurso feito pela senadora foi bom. O debate desmitificou alguns pontos que a maioria dos brasileiros pensa ser verdadeiros como a internacionalização e a invasão da Amazônia. Na verdade, é um medo exagerado da nossa parte".

Ricardo Luís Nogueira, 28 anos, Economista

Fonte: Assessoria de Comunicação Social. Entrevistas à jornalista Ariane Abrunhosa. Fotos: Ornil Júnior

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