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Notícias
do Fórum:
CIRO
GOMES
07 DE AGOSTO
Fotos:
Daniel Cabral

Ciro Gomes conversa
à vontade com o jornalista e
mediador Tales Faria, da revista Isto É
O presidenciável pela Frente Trabalhista, Ciro Gomes, defende a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico e aponta defeitos do governo FHC
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O Centro Comunitário Athos Bulcão na Universidade de Brasília (UnB) ficou lotado como em nenhuma outra edição do Fórum Brasil em Questão - A Universidade e a Eleição Presidencial. Estavam presentes cerca de 2,3 mil pessoas entre alunos, professores, funcionários, políticos e jornalistas para receber o candidato da Frente Trabalhista (PPS/ PTB/ PDT) à presidência da república - Ciro Gomes. Ele foi o primeiro presidenciável a comparecer a segunda fase do fórum, em que os candidatos vêm à universidade. O próximo candidato - convidado para 14 de agosto, às 10h, no mesmo local - é Anthony Garotinho, do PSB. A assessoria ainda não confirmou a presença. |
Foto:
Ornil Junior
![]() O Centro Comunitário Athos Bulcão ficou lotado com mais de 2,3 mil pessoas |
Ciro chegou acompanhado pelo reitor da UnB, Lauro Morhy, e pelo vice-reitor, Timothy Mulholland. Ciente dos variados direcionamentos políticos existentes entre os alunos, Morhy abriu o debate agradecendo à iniciativa democrática do presidenciável em participar do encontro e pedindo à platéia que o respeitasse também democraticamente. Aproveitou ainda para saudar os participantes da Escola do Futuro da Universidade de São Paulo (USP) que assistiam e participaram em tempo real - por videoconferência - o encontro.
"A presença de Ciro coroa o fórum, já que a intenção principal era que os candidatos tomassem conhecimento de nossas propostas e também participassem", afirmou Morhy. O reitor aproveitou ainda para destacar que a realização do fórum é uma forma efetiva de a universidade participar da vida social. O vice-reitor então apresentou o currículo do candidato da Frente Trabalhista.
![]() Carlos Alberto (E) e Lauro Campos (D) acompanharam o debate ao lado do vice-reitor |
ALVOS - Antes de Ciro Gomes começar a expor o programa de governo, o senador Lauro Campos (candidato ao senado pelo PDT) e Carlos Alberto Torres (candidato ao GDF pelo PPS) foram convidados para compor a mesa. Ciro disse que é muito difícil resumir um plano de governo em apenas 30 minutos, tempo concedido a ele na abertura. E começou logo atacando o neoliberalismo: "Essa perversão neoliberal é vendida para nós como ciência, mas não passa de teoria de quinta categoria, fruto de massiva propaganda ideológica". |
Outro alvo do candidato da Frente Trabalhista foi a taxa de juros. Segundo Ciro, quando a taxa de juros é maior do que o lucro de áreas chaves (indústria, comércio e agricultura, por exemplo), a economia estanca. "Vivemos em uma ordem internacional perversa, conservadora e espoliadora com arrocho salarial e terrorismo previdenciário", afirmou.
Ciro comentou alguns dos pontos principais do programa de governo, como educação, dividas interna e externa, desenvolvimento, emprego e universidade pública. Sobre a escola pública, considera que ela não prepara nem para o mercado nem para a universidade. Apontou ainda que a dívida interna na era FHC saltou de R$ 61 bilhões para R$ 750 bilhões e que o governo gasta por volta de R$ 93 bilhões com pagamentos de juros dessa dívida anualmente.
Segundo dados fornecidos por Ciro, a dívida interna brasileira chega a 58% do Produto Interno Bruto, enquanto a da Itália é de 100%. "Mas o prazo da nossa dívida vence em 30 meses e a da Itália ainda levará décadas. Dessa forma, daqui a pouco tempo estaremos pedindo empréstimos novamente se nada for feito", explica.
TERMOS TÉCNICOS - Ciro, a exemplo do debate realizado no dia 4 de agosto pela Rede Bandeirantes, usou terminologias técnicas e pediu desculpas repetidas vezes por isso. Para o candidato, o problema da política brasileira está relacionada ao modelo das instituições públicas e à forma de inserção do país no âmbito internacional.
O presidenciável tentou demonstrar que as principais necessidades do país podem ser resolvidas em quatro blocos de tarefas (leia quadro). "O brasileiro precisa eliminar a crença em salvadores da pátria. Eles não existem", afirmou.
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Blocos
de mudanças sugeridos por Ciro Gomes
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1° Bloco - criar um alto nível de poupança vinculada a investimentos no setor produtivo nacional, baixar a taxa de juros para levar o país a experimentar um ciclo sustentável de desenvolvimento. |
2° Bloco - Eliminar aos poucos as políticas sociais compensatórias, como Bolsa Escola e Renda Mínima, por exemplo, e desenvolver outras que eliminem a necessidade delas. |
3° Bloco - Equilibrar o Brasil internamente e no cenário internacional e fortalecer a integridade nacional. |
4° Bloco - Ajustar a engenharia política para melhorar e reestruturar as instituições políticas nacionais e desenvolver maior controle sobre elas. |
As soluções de Ciro para resolver o problema da poupança e dos investimentos passam por uma mudança no sistema tributário brasileiro e também pelo deslocamento de impostos dos salários para o consumo e a especulação. "Vamos desenvolver um modelo de capitalização pública para eliminar a servidão que hoje existe em relação ao financiamento internacional".
| VAIA
- Ainda falando sobre política externa e empréstimos
internacionais, Ciro recebeu uma grande vaia ao dizer que frases como
"Fora FMI e FHC" não fazem sentido, e explicou: "Se
isso acontecer, o país mergulhará em uma profunda crise
com altíssima inflação novamente. Os preços
explodirão, os salários comprarão menos coisas e
a moeda sofrerá desvalorização brutal".
Quando falava sobre os problemas que o neoliberalismo trouxe para o país, lembrou-se de um livro que escreveu, em 1995, com o professor Mangabeira Unger (mentor político de sua campanha), aproveitou para alfinetar o presidente Fernando Henrique Cardoso e foi aplaudido: "Não vou pedir a ninguém que esqueça o que eu penso ou escrevi". Em todo momento, o candidato lembrava-se das universidades públicas e ressaltou o momento difícil pelo qual as instituições passam. Ciro acredita ser possível chegar a um quadro de emancipação das universidades, com fixação de um padrão de gastos por aluno, por ano, adicional por extensão e pesquisa, procurando desenvolver um quadro de autonomia radical. "Não faz sentido o governo dizer o que a universidade deve ser ou fazer. Por isso é preciso que as instituições tenham autonomia para decidir onde e como investir o dinheiro repassado", explica. |
![]() "Não vou pedir a ninguém que esqueça o que eu penso ou escrevi" |
Fonte: Assessoria de Comunicação Social da UnB. Participaram dessa cobertura os jornalistas Rodrigo Caetano, André Augusto Castro, Maiesse Gramacho e Ariane Abrunhosa. Fotos de Daniel Cabral
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![]() As perguntas da platéia foram retiradas de urnas colocadas em frente à mesa |
Ao iniciar a segunda fase do Fórum Brasil em Questão, que ocorre desde fevereiro, a Universidade de Brasília recebeu Ciro Gomes, representando a Frente Trabalhista (PPS/ PTB/ PDT). A apresentação foi dividida em dois blocos. No primeiro, Ciro teve 30 minutos para discorrer sobre seu programa de governo. Em seguida, passou a responder perguntas formuladas pelo jornalista mediador, Tales Faria (chefe da sucursal Brasília da revista Isto É), e, depois, a algumas feitas pelo público de cerca de 2,3 mil pessoas. As perguntas da platéia foram depositadas em quatro urnas. Dez foram sorteadas e lidas pelos professores Benício Schimidt, de Ciência Política e por Flávio Saraiva, de Relações Internacionais. |
Confira abaixo as principais idéias do candidato Ciro Gomes:
Programa - "A perversão neoliberal, que nos é vendida como ciência, sendo ideologia de quinta categoria, tirou de boa parte da elite brasileira - que foi prostrada intelectualmente - uma compreensão de que globalização não pode ser entendida como um fenômeno ao qual um país como o Brasil possa se integrar passivamente". Com esta consideração o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, iniciou o discurso de apresentação de seu programa de governo. Para o candidato, "o problema do Brasil é de modelo e de formas de inserção internacional". Segundo ele, o país tem capacidade de apresentar uma alternativa ao atual modelo que nos é imposto.
Para alcançar este objetivo, Ciro acredita que é preciso estimular o desenvolvimento nacional. "O Brasil precisa experimentar um ciclo de desenvolvimento sustentável, com incentivo do setor produtivo para, com isso, aumentar a poupança e promover, assim, o crescimento", explica. O candidato também aponta como questão fundamental para o desenvolvimento do Brasil a criação de políticas que proporcionem mudanças estratégicas e estruturais. "Nós brasileiros precisamos nos desvencilhar da crença em 'salvadores da pátria'", opinou.
Segundo Ciro Gomes, o primeiro passo para o país retomar o crescimento econômico é a mudança no modelo atual de cobrança de impostos. "Advogo por um modelo tributário que não onere o setor produtivo", afirmou. Para ele, essa é a única saída para estimular o setor. Em segundo lugar, Ciro acredita que é necessário mobilizar a sociedade brasileira para um problema grave que o sistema previdenciário do país vem atravessando. "A previdência social está quebrada, por gastar mais do que arrecada. E isso se deve à má administração, à corrupção", alfinetou. O terceiro passo, seria, para o presidenciável, a superação do rombo nas contas externas do país. "A solução para este problema existe, ela apenas não é simples", admite. Ciro acredita que é necessário "um manejo austero das dívidas interna e externa brasileiras".
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Na educação, o candidato pretende promover a "ampliação das bases da escola fundamental", levando em consideração as condições de saúde da criança. "Muitas das crianças que entram no ensino fundamental são desnutridas e têm dificuldades de aprendizagem. É preciso estar atento a esse fato e tentar executar ações que tentem resolver as duas coisas", pondera. Para o ensino médio, quer ampliar a oferta de cursos técnicos ou profissionalizantes. Ciro Gomes também destacou a importância da consolidação da soberania brasileira por meio do fortalecimento das instituições representativas da Democracia, como o Congresso Nacional. Parlamentarismo - Ciro Gomes nunca escondeu de seus eleitores a simpatia que tem pelo Parlamentarismo. Em 1995, lançou livro versando sobre o assunto e as vantagens que encontra nessa forma de governo. Na primeira pergunta que o candidato do PPS foi solicitado a responder, o jornalista Tales Faria questionou sua opinião acerca do tema hoje, como candidato a presidência num país de regime presidencialista. "Eu sou um defensor do Parlamentarismo e todos sabem disso. Não vou pedir para ninguém esquecer o que escrevi", disse, ironizando frase célebre do atual presidente FHC. "Entretanto, por opção, o povo brasileiro escolheu o Presidencialismo. Vejo o parlamento como o santuário das liberdades e acho que, no Parlamentarismo, ele é mais livre. Na lógica do Presidencialismo, o parlamento fica constrangido a votar questões de interesse do povo por lobby ou pressões políticas". |
![]() "A solução para este problema existe, ela apenas não é simples" |
Dívida pública - Questionado sobre suas propostas para controlar a crescimento da dívida pública brasileira, Ciro Gomes destacou a necessidade de se alongarem os prazos para o pagamento. "A dívida interna cresceu muito nos últimos sete anos. Ela era de 28% do PIB e, hoje, está em 58% do PIB", comparou.
C&T - Em relação aos investimentos que pretende fazer para o desenvolvimento da ciência e tecnologia, Ciro Gomes disse que "é preciso transformar pública a tarefa de promoção do desenvolvimento tecnológico". Disse ainda achar necessária a criação de uma rede de proteção à indústria tecnológica nacional, bem como convocar a universidade pública para assumir pesquisas na área.
Educação - Inquirido sobre as medidas que pretende aplicar para garantir o acesso ao ensino superior e melhorar as condições do ensino fundamental, Ciro disse que fará esforço articulado. "A nossa proposta é a de aperfeiçoar o Fundef (Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental) e expandir a pré-escola. Além disso, queremos criar um fundo federal de complementação salarial para professores. E, ainda, desenvolver mecanismos de avaliação coletiva de desempenho das escolas".
Para o ensino médio, Ciro quer aumentar a oferta de vagas e de opções de cursos profissionalizantes. "Como o mercado de trabalho hoje está exigindo uma escolarização cada vez maior, e com a expansão das matrículas no ensino fundamental, é normal que haja uma demanda maior para o segundo grau. E atualmente o Brasil não está preparado para isso.
"Também é preciso dar autonomia para as universidades públicas, na administração de suas verbas, por exemplo". Ciro falou ainda que quer promover uma substituição gradual do vestibular por um mecanismo de avaliação do desempenho do aluno durante os anos do ensino médio. "E criar, assim, um sistema meritocrático de entrada na universidade. O vestibular não avalia o conhecimento do aluno e sim seu estado psicológico no momento da prova", avalia.
![]() "Os gastos sociais do Brasil não alcançam a ponta da pobreza" |
Distribuição de renda - Quando a pergunta foi sobre a desigual distribuição de renda no Brasil, Ciro Gomes disse que, caso eleito, pretende unificar toda a relação dos pobres com os serviços públicos num só cartão. "Se considerarmos a classificação contábil, em relação a outros países, o Brasil é um dos que mais tem gastos sociais. O que desvirtua é que esses gastos não alcançam a ponta da pobreza. É preciso mudar as políticas sociais compensatórias por aquelas estruturais", afirmou. Maconha - Indagado sobre a descriminalização da maconha, Ciro foi diplomático. Disse que não considera o usuário da droga um criminoso, mas disse também que não pretende mexer na Lei que condena quem faz uso dela. "Se mudarmos a Lei, estaremos abrindo espaço para o crescimento do narcotráfico", justificou. |
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![]() "Não há governabilidade nem é possível fazer reformas estruturais se não houver uma integração" |
PFL - Sobre sua coligação com o PFL, partido do ex-senador Antônio Carlos Magalhães, a resposta foi breve. Ciro afirmou achar impossível governar sem a aproximação com outros partidos. Definiu seu programa de governo como sendo de "centro-esquerda", o que, segundo ele, lhe permite dialogar tanto com setores mais conservadores quanto com os mais radicais. "Sou um socialista democrata e estou me sentindo perfeitamente confortável. Não há governabilidade nem é possível fazer reformas estruturais se não houver uma integração". Impostos - Para desonerar o setor produtivo, atualmente castigado pela alta carga de impostos, Ciro Gomes acredita que o país precisa passar por uma reforma tributária. "No meu programa, sugiro um modelo de apenas cinco impostos para substituir todos os atuais. Entretanto, para que isso se torne realidade, não depende só do presidente e envolve diretamente todo o Congresso", esclareceu. |
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Meio-ambiente - O candidato afirmou que seu programa de governo está comprometido com a sustentabilidade ambiental. "Estou sensível às questões que envolvem a Amazônia e quero ouvir ONGs respeitáveis que atuam na área ambiental, como o Greenpeace e o WWF.
Taxa de juros - Neste ponto, Ciro fez dura crítica ao governo FHC. "A taxa de juros está como está porque aqueles que nos governam gostam disso", disse. "Se a taxa de juros continuar assim, a economia pára de crescer", acrescentou. Ele propõe uma redução da taxa a partir do estímulo do setor produtivo nacional. "O juro é o preço do dinheiro. Quando há uma demanda excessiva pela moeda e pouca oferta, os juros sobem". O candidato explica que, desonerando o setor produtivo, o país passará a produzir mais e haverá mais dinheiro circulando e, logo, os juros cairão.
Cotas para negros - Mais uma vez Ciro apelou para a diplomacia. "Não consegui me convencer que a política de cotas seja a melhor saída. Discuto muito isso com o senador Roberto Freire. Ele acredita que essa é a melhor política para garantir o acesso de negros ao ensino superior. Mas eu penso nos caboclos do nordeste. Eles também teriam direito a cotas? Acho que não podemos desmerecer o caráter meritocrático de acesso à universidade", finaliza.
Fonte: Assessoria de Comunicação Social. Fotos: Daniel Cabral
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Dois goles de água logo nos três primeiros minutos. O candidato da Frente Trabalhista (PPS/ PTB/ PDT), Ciro Gomes, chegou às 10h25 ao debate Brasil em Questão - A Universidade e a Eleição Presidencial com sede de vitória. Vestido com terno azul-marinho, camisa branca e gravata azul-marinho com listras, ele passou pelo gabinete do reitor da Universidade de Brasília, Lauro Morhy, antes de ir para o Centro Comunitário Athos Bulcão, onde um público de cerca de 2,3 mil pessoas o esperava. Ao chegar, um misto de aplausos e vaias - típico de um ambiente universitário e democrático. Em relação às manifestações contrárias ao seu discurso, Ciro fez dois ou três comentários suaves. Um deles foi ao expressar sua opinião a respeito da abolição do vestibular, recebeu uma vaia isolada. "Esse cara não gosta de nada que digo. E é o mesmo, sempre", sorriu Ciro. |
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Em outra passagem de sua fala na qual dizia que não adiantava nenhum João Valentão gritar "Fora FHC ou Fora FMI", o candidato foi novamente vaiado e respondeu. "As pessoas que estão aqui não precisam deixar sua ideologia de lado para discordarem do que penso. A recepção hostil afasta os candidatos da Universidade. Não quero que ninguém concorde comigo, mas me ouçam. O espaço democrático é assim. Hoje, soube que o último presidente a vir à UnB foi Geisel. Deve ter alguma coisa de errado, né?" Já no final do debate, foi feita uma pergunta da platéia por meio do professor de Relações Internacionais, Flávio Saraiva, sobre a questão de cotas para negros. Saraiva leu um trecho do livro Brasil em Questão em que o senador Roberto Freire (PPS/ PE) defende arduamente as cotas na universidade. Ciro respondeu: "Não consigo me convencer de que essa é a melhor política. Mas não tenho o convencimento oposto". |
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Nesse momento, um estudante negro começou a protestar falando diretamente com o candidato. O público exigiu que dessem o microfone ao estudante. Ciro disse que conversaria com o universitário depois sobre o assunto, porque as regras democráticas do debate tinham sido definidas e que não haveria interpelação direta do público. "É isso que discrimina o negro no Brasil. Só porque ele é negro, ele vai poder furar as regras do debate. Isso é demagogia". Ao ouvir as palavras de encerramento do reitor Lauro Morhy, Ciro Gomes tomou um último gole de água e a imprensa se aproximou. Demonstrando simpatia, Ciro assinou livros e fotos com sua caneta vermelha transparente, distribuiu apertos de mão e sorrisos. Sem falar diretamente com os jornalistas da grande imprensa, o candidato cumprimentou o reitor, conversou com duas jornalistas da Assessoria de Comunicação da Universidade de Brasília e deixou o Centro Comunitário Athos Bulcão na Universidade de Brasília em um Ômega Azul. Ele estava ao lado do motorista com seu assessor de imprensa no banco de trás. A outra parte da comitiva - em um Ômega preto abria caminho para o presidenciável. |
![]() Com discurso difícil, Ciro pediu desculpas várias vezes pelos termos rebuscados |
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É um balé no gestual. As pontas dos dedos se juntam como se fossem formar uma concha. Quando as palavras resolvem ficar mais duras, as mãos se separam e o dedo aponta para o ar sem direção. Ciro Gomes modela a voz de acordo com as mãos - que ora falam, ora esbravejam. Elas também conquistam votos, assinam livro e são suspensas ao lado do senador Lauro Campos (candidato ao senado pelo PDT/DF) e do pré-candidato ao governo do DF pelo PPS, Carlos Alberto Torres. |
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O pop star
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O senador Lauro Campos foi muito aplaudido pelo público presente. E também chamou muita atenção por conta do ar descontraído e pelos óculos escuros. Os jornalistas pediram que Ciro Gomes levantasse de um lado a mão do pré-candidato do PPS ao governo do DF e da outra, do senador. Lauro Campos não estava entendendo nada e, depois de segundos, levantou a mão e sorriu. |
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Ciro Gomes nasceu em Pindamonhangaba (SP) no dia 6 de novembro de 1957 e viveu os primeiros anos da infância em Adamantina (oeste de São Paulo), onde residiam os pais - o cearense José Euclides Ferreira Gomes Junior e a paulista Maria José Santos Ferreira Gomes, ambos professores da rede pública.
Depois de concluir os ensinos fundamental e médio, Ciro graduou-se na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará. Quando ainda era universitário, começou sua atividade profissional como monitor concursado de Direito Constitucional. Quando concluiu a graduação, tornou-se professor das universidades de Fortaleza (UNIFOR) e Vale do Acaraú (UVA) em Sobral, ministrando as disciplinas de Direito Tributário e Finanças Públicas.
Em outubro de 1982, com 24 anos, elegeu-se deputado estadual, reelegendo-se em 1986. Integrou o Movimento pelas Diretas Já e foi integrante do Comitê Pró Tancredo. Em 1988, elegeu-se Prefeito de Fortaleza. Em outubro de 1990, com 32 anos, foi eleito Governador do Ceará.
Em setembro de 1994, convidado pelo então presidente Itamar Franco, Ciro Gomes renunciou ao Governo do Ceará e assumiu o Ministério da Fazenda, num momento de turbulência do Plano Real. Em janeiro de 1995, depois de deixar o ministério, viajou para os EUA, onde estudou economia política na Universidade de Harvard.
Em 1998, candidatou-se à Presidência da República pelo Partido Popular Socialista (PPS), obtendo cerca de 10 milhões de votos.
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O que você achou das propostas de Ciro Gomes para presidência da República?
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"Ele
fugiu um pouco dos assuntos que a galera queria saber, como a questão
de receber apoio do PFL. Até agora, não vi nenhuma proposta em termo de
política para área de educação. Ele falou muito sobre os dados, cálculos,
mas não sabemos como ele vai agir quando estiver lá e se estiver no governo" Pedro Osmar Flores Figueiredo, 22 anos, 9º semestre de Educação Física |
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"Não
tenho nenhum problema com a maior parte das proposta. Mas não gostei
da proposta em relação à autonomia universitária. Pois no discurso de
dizer que cada universidade tem autonomia para pensar a sua missão,
está embutida a idéia de retirada de verbas pública. A proposta é dar
uma base e, a partir daí, a universidade teria que se virar para conseguir
recursos. Nesse se virar, você fica dependendo do empresariado. E não
temos um empresariado esclarecido e comprometido com as questões sociais.
Então o que você vai ter são alguns departamentos que conseguem vender,
ou não, o seu produto para as empresas privadas. Por isso, é muito problemático" |
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"As
propostas são válidas, mas não dá para encará-las como realidade. Depois
de eleito, geralmente, muda a visão do candidato. O Fernando Henrique
veio aqui e deu um debate maravilhoso, era lindo e depois as coisas mudaram.
As propostas são interessantes, apesar de visarem muito só o plano econômico"
Gisele Paranhos, 20 anos, 4º semestre de Artes Cênicas |
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"As
propostas são bastante contundentes com dados estatísticos. Ele demonstra
bastante confiança. O que foi colocado para as universidades públicas,
para o ensino brasileiro, os tipos de financiamentos propostos e a autonomia
para universidade, é bom" |
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"As
propostas foram mais ou menos. Em primeiro lugar, falou que não sabe nem
se chega ao segundo turno. Então, ele que dizer que os outros são mais
fortes e que não está numa posição para ser presidente da República" Reginaldo Batista da Silva, 46 anos, motorista de ônibus |
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"A dúvida da população é com relação ao como fazer, porque falar é fácil.
Demonstrar como vai fazer é o mais difícil. Faltou explicar mais como
solucionar os problemas, já que os problemas todos os candidatos apontam" Rodrigo Pereira, 24 anos, formado em Educação Física |
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"Gostei da proposta para reforma tributária de diminuir os impostos
somente para cinco. Ele se saiu bem. Na pergunta que fizeram considerada
pouco ética, ele disse que poderia responder a todos, que estava disposto
a tudo. Quando começaram a vaiar, pediu respeito para que ouvisse sua
proposta. Foi bem" Nelson Barreto, 47 anos, 7º semestre de Jornalismo |
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"É
muito eloqüente, mas não sei se teria base governista para implementar
suas propostas. São mudanças profundas que ele propõe, como a reforma
tributária e a gestão da dívida. Ele foi muito bem. Sua maior qualidade
é ser um grande orador" Pedro Augusto Mendes, 23 anos, formado em Administração |
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"O
Ciro está bem preparado e foi bem. Ele não faz só o diagnostico, mas mostra
como fazer. Penso que o fundamental da sua fala foi como mudar a política
econômica do Brasil. Transformar esse neoliberalismo para um novo projeto
de economia para o país" Alan Rodrigues da Silva, 21anos 7ºsemestre de Comunicação |
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"É
um dos candidatos mais preparados. É bem consistente nas respostas, atinge
o público, explica bem os mecanismos e não fica com conversa fiada. Colocou
bem as questões das privatizações e da previdência. Foi claro em todas
as propostas" Heloisa Azevedo, 46 anos, Arquiteta de Planejamento Urbano |
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"As
propostas dele são boas, desde que sejam cumpridas. Porque, hoje, todos
os presidenciáveis falam muito. Esperamos que eles cumpram o que dizem.
Ele critica esse modelo liberal, esse capitalismo selvagem que está aí.
Então vamos ver se ele faz alguma coisa pela nossa economia. Estou aqui
ouvindo para decidir em quem vou votar" Vera Lúcia de La Passo, 43 anos, professora e técnica de enfermagem |
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"Em
relação ao conteúdo, tenho algumas divergências e, com relação à personalidade
dele, o considero muito arrogante. Isso dificulta a gente acreditar no
que ele está dizendo. Concordo em grande parte com as propostas que resgatam
a soberania de nosso país, e em especial, com relação ao capital internacional.
O desempenho dele vem a cada dia melhorando. Está conseguindo passar uma
imagem mais palatável" Pedro Ivo Ramalha, 25 anos, mestrando em biologia na UFG |
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"As
propostas dele são muito boas, mas o difícil será sair do papel. Fiquei
impressionada ouvindo sua fala. Ele tem o dom da palavra. Comparando com
o debate de domingo, é possível perceber que ele direciona sua fala para
um público especifico. Nesse dia, seu discurso estava dificílimo que era
para o povão não entender e compreender somente os números. Já aqui foi
totalmente diferente, pois sabe que está falando para um público altamente
qualificado" Karina Souza, 22 anos, 4 º semestre de Pedagogia |
Fonte: Assessoria de Comunicação Social. Entrevistas à jornalista Ariane Abrunhosa. Fotos: Ornil Junior
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