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Profissionais cubanos apóiam Castro e se consideram instrumento do poder revolucionário
Thaïs de Mendonça Jorge

O jornalista Luiz Sexto Sánchez tinha 14 anos quando aconteceu a Revolução Cubana, em 1959. Hoje com 35 anos de profissão, ele dá aulas no Instituto Internacional de Jornalismo José Martí e na Faculdade de Comunicação Social de Havana. Sexto tem consciência de que em Cuba se pratica um jornalismo diferente. “Não é a mesma coisa fazer jornalismo de oposição e fazer jornalismo dentro do poder”, disse ele, na Bolívia, onde foi participar de um curso sobre Jornalismo Literário.
“O jornalismo cubano é uma manifestação que apóia a Revolução e, portanto, se organizou como um instrumento do poder revolucionário. Nós, os jornalistas cubanos, estamos identificados com o processo da Revolução. Alguns podem achar que é preciso emprender mudanças, reformas, melhorar as coisas, tudo isto é verdade. Entretanto, qualquer opinião ou crítica deve partir do pressuposto de que a Revolução deve sobreviver, não desaparecer.”
Para ele, a Revolução Cubana foi radical, mas nunca cometeu excessos. “Os criminosos de guerra, os assassinos, os torturadores da ditadura de Fulgêncio Batista responderam diante dos tribunais”, afirma, admitindo que alguns foram fuzilados por crime de lesa humanidade. Fidel Castro, que Sexto vê como “o ideal de toda a nação”, nacionalizou terras e as pôs em mãos dos campesinos e trabalhadores agrícolas, não permitindo que fossem decapitados.
“Para defender-se, Cuba teve que readequar alguns direitos ou algumas liberdades”, como o controle migratório, que ele encara como “uma porta aberta ao inimigo que te quer destruir”. E por que os norte-americanos até hoje não invadiram a ilha? Segundo Luiz Sexto, ele tentou fazê-lo várias vezes. Entretanto, os Estados Unidos “hoje sabem que não teriam a simpatia em nenhuma parte do mundo e topariam com toneladas de fogo e muita resistencia.” Sexto acredita que eles estão apostando no desgaste econômico de Cuba.




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