Tipografia é a impressão dos tipos. Está morrendo com o computador. Tipologia é o estudo da formação dos tipos. Cresce a cada dia. Mas no final, a nomenclatura usada é tipografia. Como fonte (família do tipo) é tipo, atualmente.
1. História da Tipografia
Assim
como as roupas são reflexos de tendências e comportamentos de uma época, podemos
dizer que a tipografia, desde a invenção da escrita cuneiforme pelos sumérios
em 3150 a.C até a impressão de tipos móveis por Gutenberg em 1450, sempre
acompanhou a urgência do homem como meio de diferentes expressões culturais
e implementou as trocas comerciais. Como exemplo, pode-se afirmar que, a partir
da Revolução Industrial, a tipografia passou a ter um foco mais comercial,
que foi fundamental para o desenvolvimento da propaganda. Além disso, ao aliar
estética e espírito crítico teve influência decisiva em movimentos artísticos
como o Dadaísmo, Futurismo, Construtivismo e a Bauhaus. A partir da década
de 70, com o advento do computador, iniciou-se outra revolução considerada
chave para entender a sociedade de informação em que vivemos hoje: o processamento
de informações por bits e o desenvolvimento do Desktop Publishing , inovações
estas que são a base da tipologia digital da atualidade.
2.Elementos da tipologia
Os
elementos tipográficos podem ser divididos em:
- Linha de Base (baseline)
- Linha Central (meanline ou midline)
- Ascendente (ascender)
- Descendente (descender)
- Letra Caixa Alta (upper-case)
- Letra Caixa-baixa (lower-case)
- Altura de x (x-height)
- Cabeça ou Ápice (apex)
- Serifa (serif)
- Barriga ou Pança (bowl)
- Haste ou Fuste (stem)
- Montante ou Trave (diagonal stroke)
- Base ou Pé (foot)
- Barra (bar)
- Bojo (counter)
3. Tipo metálico
O tipo metálico pode ser
dividido nas seguintes partes:
- Olho
- Corpo
- Espessura
- Rebaixo do olho
- Guia
- Ponte ou Costela
- Cabeça
- Altura
- Ombro
- Alinhamento
4. Classificação dos tipos
A
tendência tipológica é sempre a simplificação, buscando a maior legibilidade.
O coerente espacejamento óptico também é muito importante para um visual agradável
dos textos. Baseados em estudos feitos por Francis Thibedeau, em meados do
século XVIII, na França, foi estabelecido as principais família de letras
de imprensa. São elas:
- Romana antiga
Criada pelos
franceses no século XVIII, inspirada na escrita monumental romana, proporciona
ao leitor um inconsciente descanso visual, alcançando o maior grau de visibilidade
de todas as famílias.
- Romana moderna
Criada pelos
italianos no século XVIII, apresenta uma evolução dos romanos clássicos, Esteticamente
agradáveis, trouxeram sensível melhora na legibilidade das letras.
- Egípcia ou Serifa
Grossa
Criada com o
advento da revolução industrial, no século XVIII, tem como característica
estrutural uma certa uniformidade nas hastes e serifas retangulares.
- Lapidária ou Sem
Serifa
Criada na Alemanha
no século XIX, possui caracteres com poucas variações em suas hastes, cujos
arremates não possuem serifas. Indicada para a confecção de hastes e embalagens,
mas desaconselhável para textos longos.
- Cursiva
São as letras
que não se encaixam em nenhuma das famílias já vistas. Elas têm hastes e serifas
livres, o que as tornam as mais ilegíveis de todas, limitando seu uso a destaques,
com número limitado de toques.
5. Medidas tipográficas
Há
dois sistemas básicos de medidas tipográficas utilizados no Brasil : o Didot
e o anglo-americano.
O sistema Didot tem como
unidades básicas o cícero e o ponto. Um cícero equivale a 12 pontos, que medem
cerca de 4,512 milímetros. O sistema anglo-americano tem como sistemas a paica
e o ponto. Uma paica equivale a 11,33 pontos do sistema Didot.
O sistema anglo-americano
é muito utilizado nas máquinas de fotocomposição deorigem americana e o Didot
usado na composição em linotipo.
6. Espaçamento entre
palavras
É feito mecanicamente,
inserindo-se peças de metal entre as palavras, chamadas de espaços ou quadratins.
Os espaços são mais baixos que a superfície impressora dos tipos, não entrando
em contato direto com o papel e, portanto, não imprimindo. O quadratim está
relacionados com o tamanho da letra M, que é o quadrado do corpo. Um espaçamento
normal entre palavras tem1/3 do quadratim.
7. Espaçamento entre
letras
É feito com materiais
muito finos. A maioria das fontes tem espaços de 1 ponto (feitos de bronze),
que podem ser utilizados isoladamente ou em grupos. Há ainda espaços feitos
de papel.
Em computação gráfica,
pode se dar pelo tracking - espaçamento normal, entre as letras; ou pelo kerning
- espaçamento entre combinações de letras, geralmente entre o i (a letra mais
fina) e o M ( a mais grossa).
8. Entrelinhamento
(leading)
Para variar o espaço entre
as linhas colocam-se placas de metal de diferentes espessuras entre elas.
As placas de metal - as entrelinhas -são medidas em pontos. As mais comuns
têm de 1 a 4 pontos. As entrelinhas com 6pontos ou mais são chamadas lingotes
e têm 6, 12, 24 e 36 pontos. As entrelinhase lingotes também são mais baixos
que os tipos, não sendo imprimidos. Acomposição feita sem entrelinhamento
é chamada composição cerrada ou cheia.
9. Alinhamento
Há cinco maneiras básicas
de organizar as linhas de composição em uma página :
1) Justificada : todas as linhas têm o mesmo comprimento e são alinhadas tanto
à esquerda quanto à direita.
2) Não-justificada à direita : as linhas têm diferentes comprimentos e são
todas alinhadas à esquerda e irregulares à direita.
3) Não-justificada à esquerda : as linhas têm diferentes comprimentos e são
alinhadas à direita e irregulares à esquerda.
4) Centralizada : as linhas têm tamanho desigual, com ambos os lados irregulares.
5) Assimétrica : um arranjo sem padrão previsível na colocação das linhas.
10. Legibilidade
Vários fatores influenciam
na legibilidade de um determinado tipo, e desta forma em todo o texto.
-Espaçamento entre as letras e seus contornos internos (determinam a densidade
de um tipo e da composição resultante).
- Contraste dos traços e suas formas
Todas essas características são fundamentais na escolha de uma certa fonte,
isto é, o conjunto de tipos alfanuméricos com traços comuns em seus desenhos.
Há vários formatos comuns de tipo, e a principal classificação feita é pelo modelo de serifas usadas nas fontes. De maneira geral, as serifas, que são as curvas ou traços colocados nas extremidades de um caractere, facilitam a leitura, pois fazem o texto parecer contínuo aos olhos. Os tipos romanos, transformados em metal no século 14 por Adolph Rush e aperfeiçoados pelo francês Nicolas Jenson, caracterizam-se pelas serifas arredondadas e traços de espessuras diferentes. De leitura fácil, mesmo em corpos (ou tamanhos) pequenos- mas com relativamente baixo impacto visual - , tornaram-se um padrão tão forte desde sua invenção que hoje são dispensados apenas quando se pretende chamar a atenção em títulos, rótulos e congêneres. Os tipos egípcios, caracterizados pelas serifas quadradas, apresentam traços uniformes e, comumente, são monoespaçados. Um exemplo de fonte com essas características é a conhecida Courier, e também vários tipos usados em máquinas de escrever, como Delegate. Outro formato comum de tipos é o sem serifa, ou os tipos bastão, com traços também uniformes e, normalmente, retos e com espaços e tamanhos variáveis entre as letras. Um exemplo comum é a fonte Arial, e algumas variações como Helvetica.
Apresentam bom impacto
visual, mas a leitura em corpos pequenos e caixa baixa pode ser prejudicada.
São tipos adequados para títulos e placas, onde a composição é feita com corpos
maiores e a leitura rápida é desejada.
As letras script, ou cursivas,
imitam as letras manuscritas e podem ter vários formatos e formas - assim,
a definição desses tipos é a mais genérica. As serifas são naturais e emendam
as letras, umas nas outras, e os traços são bem contrastantes e diferentes.
Podem formar belos efeitos visuais em decorações, mas é preciso usar corpos
um pouco maiores para facilitar a leitura. Não são fontes que podem ser usadas
em grandes blocos de texto, como esse, pois o efeito não é exatamente agradável.
Existem ainda os tipos mistos, com desenho artístico, que podem ser usados
apenas em mensagens rápidas, marcas, títulos e similares. Têm várias formas
diferentes, e misturam características de outros tipos, com traços e pesos
indefiníveis.
Outros critérios que influenciam
na classificação e na escolha dos tipos para uma determinada composição são:
- a força dos traços e a posição
- inclinação das letras (redondo, negrito, fraco, itálico)
- largura dos caracteres (expandido, condensado, normal, estreito).
Fatores externos aos tipos
em si também devem ser levados em conta na escolha das fontes, como a cor
dos caracteres, a cor do papel ou do fundo - o que pode exigir tipos mais
fortes ou com maior corpo -, e o tipo de impressão ou de suporte utilizado,
que pode impedir o uso de corpos menores ou com traços fortes e próximos.
11. Combinando tipos
Deve-se Ter em mente um
princípio básico de design gráfico: não há certo e errado. O importante é
comunicar - o que seu cliente quer. Alguns pontos devem ser evitados:
1. Não use mais
de uma fonte do mesmo estilo (moderno, antigo, etc): Isso causa, ao leitor,
a sensação de que o diagramador errou, porque ele vê a diferença mais não
sabe onde a localizar.
2. Use e abuse de contraste:
O contraste pode se procesar
pela diferença de tamanho, de cor, e de estilo de tipos. Por exemplo, você
pode combinar uma fonte sem serifa com uma estilo antigo - serifada. Isso
porque elas tem sua formação, seu design, contrastantes, e vão causar uma
tensão visual - o que é positivo, porque posiciona o olho do leitor ao local
desejado.
12. O design
O
maior de todos os objetivos do designer é o bom senso. Ele precisa comunicar
algo a alguém, e tem que chamar a atenção. Sem prejuízo à visão. O nosso olho
capta a letra de cima para baixo, então é bom Ter em mente que ao se trabalhar
com tipos desconstruídos, tenha a parte superior conservada intacta, e com
serifa, que facilita a leitura.
Alguns passos São abordados
na construção de uma página:
1. Contraste - seja completamente antagônico. Se for para contrastar, contraste.
Não tenha medo de ousar. Caso contrário, você incorrerá no erro de parecer
que se equivocou, e trocou de fonte sem querer.
2. Repetição - é o que cria uma identidade visual com o leitor, estabelecendo
uma hierarquia.
3. Alinhamento - evite centralizar (porque é muito formal); e justificar (cria
os rios ( vire o texto de cabeça para baixo, e veja o grande espaço entre
palavras e letras e, de repente, um grande amontoado.
4. Proximidade - coloque temas parecidos, e que tenham haver, no mesmo bloco
da página.
Seguindo essas regras, você deu os primeiros passos no design gráfico. Mas
não se esqueça da lição que David Carson nos dá, sobre o desconstrutivismo
- a ausência de espaço negativo ( o fundo da letra, da página, onde não há
imagem/tipo): ouse. Estabeleça critérios, e os siga. Mas dentro de uma ordem.
Você pode comunicar sem legibilidade, com textura de letras. Mas precisa de
um porquê. Boa sorte! E leia. Leia sempre, para aperfeiçoar conhecimentos!
Alguns sites sobre tipografia:
- www.adobe.com
- www.fontsite.com
- www.will-harris.com/type.htm