Introdução
Conclusões
Modernidade e Pós-modernidade
Comunicação e Tecnologia
O Hipertexto
Em direção à uma nova textualidade

(Breve parênteses sobre a
descoberta da gravidade)

> O que é um instinto?

Filha: Papai, que é um instinto?

Pai: Um princípio, querida, é um princípio explicativo.

F: Mas o que explica?

P: Tudo... quase absolutamente tudo. Qualquer coisa que queiras explicar. (note-se que, algo que explica tudo, provavelmente não explica nada).

F: Não sejas bobo: não explica a gravidade.

P: Não, mas isso é porque ninguém quer que o "instinto" explique a gravidade. Se o quiserem, explicaria. Poderíamos dizer que a lua tem um instinto cuja força varia inversamente ao quadrado da distância...

F: Mas isso não faz sentido, papai.

P: Creio que não, mas foste tu quem mencionou o instinto, não eu.

F: Está bem... mas o que é que explica a gravidade?

P: Nada, querida, porque a gravidade é um princípio explicativo.

F: Oh! Breve pausa.

P: Humm... quase nunca. É o que Newton queria dizer quando disse: Hypothesis non fingo.

F: E o que significa isso, por favor?

P: Bem, tu já sabes o que são hipóteses. Qualquer afirmação que conecta, entre si, duas afirmações descritivas é uma hipótese. Se tu dizes que houve lua cheia em 1ª de fevereiro e novamente em 1ª de março e logo conectas essas duas observações, de certa maneira essa afirmação é uma hipótese.

F: Sim, e também sei que quer dizer non, mas e fingo?

P: Bem, fingo é uma palavra que, em latim antigo, significa faço. Forma um substantivo verbal fictio, do qual procede nossa palavra ficção.

F: Papai, queres dizer que Sir Isaac Newton pensava que todas as hipóteses se compõe como se fossem contos?

P: Sim, precisamente.

F: Mas não descobriu a gravidade? Com a maçã?

P: Não, querida, a inventou.

Moral da história: Se Newton inventa a gravidade é a linguagem quem inventa o mundo. Se ele a descobre, então a linguagem representa o mundo.

"Metálogo", um diálogo fictício entre um pai e uma filha escrito por Gregory Bateson em seu livro Steps to an Ecology of Mind (1972) e reproduzido por Heinz von Foerster em seu artido "Visão e conhecimento: disfunções de segunda ordem" no livro "Novos paradigmas cultura e subjetividade" organizado por Dora Fried Schnitman.
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