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Às Margens da Estrada do Futuro
Comunicações, políticas e tecnologia
Autor: Murilo César Ramos
Janeiro/2000

O livro é uma das primeiras publicações da Coleção FAC - Editorial Eletrônica.
 

O livro Às Margens da Estrada do Futuro – comunicações, políticas e tecnologias, do Prof. Murilo César Ramos, assinala o início da Coleção Livros Eletrônicos, editada pela Faculdade de Comunicação da UnB e disponibilizada em seu Portal.

O referido livro foi escolhido para inaugurar a coleção por ter sido, originalmente, aprovado para publicação pela Editora da Universidade de Brasília (EDUnB), já tendo portanto passado por crivo editorial independente. Por iniciativa do autor, no entanto, o livro teve sua publicação em papel cancelada, por entender o Prof. Murilo que seus conteúdos se adaptariam melhor ao formato de livro digital, prestando-se ainda ao processo tão necessário de pesquisa e experimentação desse novo formato.

Podendo ser acessado, consultado e copiado livremente, a obra, não obstante, e esta é a expectativa do autor, bem como dos autores dos futuros livros eletrônicos que serão publicados, deverá ter seus direitos autorais respeitados, com os conteúdos corretamente referenciados, sempre que citados em trabalhos, posteriores, de terceiros.

Por último, a Faculdade de Comunicação da UnB tem a expectativa de receber críticas e sugestões de todos os que eventualmente acessarem seu Portal e consultarem o livro-eletrônico, pois isto será fundamental para o constante aperfeiçoamento da iniciativa.

Nota Introdutória
Este livro-coletânea * nasceu do desejo de colocar em ordem a maior parte do trabalho acadêmico que realizei nos últimos sete anos. Trabalho que ordenei observando as formas e versões originais, com apenas um ou outro reparo, aqui e ali, para efeito de esclarecimento e atualização. São artigos, capítulos de livros, palestras - aqueles mais estruturados e com pretensão mais permanente; estas mais conjunturais, efêmeras, pessoais.

No conjunto, e em retrospectiva, esses textos mostram-se, muitas vezes passageiros, outras vezes contraditórios, eventualmente superados, porém, espero, não mais passageiros, contraditórios e superados do que esses tempos extraordinários que estamos vivendo. Tempos de crise e transição paradigmática nos grandes modelos explicativos da sociedade, bem como, se não de crise, mas, certamente, de uma profunda transição paradigmática nas comunicações, capaz de tornar velho o que ontem parecia irremediavelmente novo, com imprevisibilidade e velocidades marcantes.

Ao expor publicamente essa fatia do meu trabalho, assim em conjunto e retrospectivamente, pretendo acima de tudo testar a coerência mínima de seus principais conceitos e teorias, de modo a prosseguir tentando compreender e explicar para meus alunos e outras audiências os tempos fascinantes que vivemos, não obstante o desamparo que muitos experimentamos diante do fim aparente de nossas utopias.

Quero assinalar que o trabalho aqui apresentado, com exceção do capítulo 2 - selecionado por constituir para mim uma amostra da reflexão que muitos fazíamos até antes da erupção da crise e transições paradigmáticas já referidas -, contempla um conceito de comunicação não mais restrito exclusivamente às mídias de massa tradicionais - imprensa, rádio e televisão.

O conceito de comunicação aqui empregado estende-se à convergência da comunicação de massa com as telecomunicações e a informática; convergência que singelamente designo ao longo do livro como comunicações, ao invés de preferir conceitos hoje de uso mais corrente, porém, acredito, de vida mais efêmera, como multimídia, ciberespaço, ou estradas da informação. Mesmo que deles possa me valer circunstancialmente.

Ao longo dos sete anos da pesquisa que norteou os textos ora reunidos neste livro, procurei fundamentalmente responder uma questão: como pensar e levar adiante um processo nacional de democratização das comunicações, diante dos impasses teóricos e perplexidades políticas gerados pelo fim inarredável do projeto utópico que construímos, no século XX, em torno da revolução bolchevique e do seu modelo de socialismo estatal?

Oito anos se passaram e a questão, para mim, e tantos outros, permanece sem resposta. E não vai aí qualquer surpresa, tendo em vista as limitações do autor e a complexidade da busca. Tem sido, porém, estimulante a viagem intelectual e o embate político com questões e conceitos como crise e transição paradigmáticas, modernidade, o papel do Estado na contemporaneidade, esfera pública, cidadania, globalização, convergência, novas tecnologias e novas mídias, políticas públicas, pluralismo, alteridade, e a sempre fugaz, caprichosa, mas tão visceralmente necessária, democracia. Viagem e embate que prosseguem, movidos pelo imperativo absoluto de uma busca que é, na sua essência, política, mas que, espero e confio, é também balisada pelo rigor científico que deve sempre nortear todo trabalho acadêmico.

Brasília, janeiro de 2000
Murilo César Ramos
Faculdade de Comunicação
Universidade de Brasília