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O livro Às Margens da Estrada do Futuro
– comunicações, políticas e tecnologias, do Prof. Murilo César
Ramos, assinala o início da Coleção Livros Eletrônicos, editada
pela Faculdade de Comunicação da UnB e disponibilizada em
seu Portal.
O referido livro foi escolhido para inaugurar
a coleção por ter sido, originalmente, aprovado para publicação
pela Editora da Universidade de Brasília (EDUnB), já tendo
portanto passado por crivo editorial independente. Por iniciativa
do autor, no entanto, o livro teve sua publicação em papel
cancelada, por entender o Prof. Murilo que seus conteúdos
se adaptariam melhor ao formato de livro digital, prestando-se
ainda ao processo tão necessário de pesquisa e experimentação
desse novo formato.
Podendo ser acessado, consultado e copiado
livremente, a obra, não obstante, e esta é a expectativa do
autor, bem como dos autores dos futuros livros eletrônicos
que serão publicados, deverá ter seus direitos autorais respeitados,
com os conteúdos corretamente referenciados, sempre que citados
em trabalhos, posteriores, de terceiros.
Por último, a Faculdade de Comunicação
da UnB tem a expectativa de receber críticas e sugestões de
todos os que eventualmente acessarem seu Portal e consultarem
o livro-eletrônico, pois isto será fundamental para o constante
aperfeiçoamento da iniciativa.
Nota Introdutória
Este livro-coletânea * nasceu do
desejo de colocar em ordem a maior parte do trabalho acadêmico
que realizei nos últimos sete anos. Trabalho que ordenei observando
as formas e versões originais, com apenas um ou outro reparo,
aqui e ali, para efeito de esclarecimento e atualização. São
artigos, capítulos de livros, palestras - aqueles mais estruturados
e com pretensão mais permanente; estas mais conjunturais,
efêmeras, pessoais.
No conjunto, e em retrospectiva,
esses textos mostram-se, muitas vezes passageiros, outras
vezes contraditórios, eventualmente superados, porém, espero,
não mais passageiros, contraditórios e superados do que esses
tempos extraordinários que estamos vivendo. Tempos de crise
e transição paradigmática nos grandes modelos explicativos
da sociedade, bem como, se não de crise, mas, certamente,
de uma profunda transição paradigmática nas comunicações,
capaz de tornar velho o que ontem parecia irremediavelmente
novo, com imprevisibilidade e velocidades marcantes.
Ao expor publicamente
essa fatia do meu trabalho, assim em conjunto e retrospectivamente,
pretendo acima de tudo testar a coerência mínima de seus principais
conceitos e teorias, de modo a prosseguir tentando compreender
e explicar para meus alunos e outras audiências os tempos
fascinantes que vivemos, não obstante o desamparo que muitos
experimentamos diante do fim aparente de nossas utopias.
Quero assinalar que o
trabalho aqui apresentado, com exceção do capítulo 2 - selecionado
por constituir para mim uma amostra da reflexão que muitos
fazíamos até antes da erupção da crise e transições paradigmáticas
já referidas -, contempla um conceito de comunicação não mais
restrito exclusivamente às mídias de massa tradicionais -
imprensa, rádio e televisão.
O conceito de comunicação
aqui empregado estende-se à convergência da comunicação de
massa com as telecomunicações e a informática; convergência
que singelamente designo ao longo do livro como comunicações,
ao invés de preferir conceitos hoje de uso mais corrente,
porém, acredito, de vida mais efêmera, como multimídia, ciberespaço,
ou estradas da informação. Mesmo que deles possa me valer
circunstancialmente.
Ao longo dos sete anos
da pesquisa que norteou os textos ora reunidos neste livro,
procurei fundamentalmente responder uma questão: como pensar
e levar adiante um processo nacional de democratização das
comunicações, diante dos impasses teóricos e perplexidades
políticas gerados pelo fim inarredável do projeto utópico
que construímos, no século XX, em torno da revolução bolchevique
e do seu modelo de socialismo estatal?
Oito anos se passaram e a questão, para mim,
e tantos outros, permanece sem resposta. E não vai aí qualquer
surpresa, tendo em vista as limitações do autor e a complexidade
da busca. Tem sido, porém, estimulante a viagem intelectual
e o embate político com questões e conceitos como crise e
transição paradigmáticas, modernidade, o papel do Estado na
contemporaneidade, esfera pública, cidadania, globalização,
convergência, novas tecnologias e novas mídias, políticas
públicas, pluralismo, alteridade, e a sempre fugaz, caprichosa,
mas tão visceralmente necessária, democracia. Viagem e embate
que prosseguem, movidos pelo imperativo absoluto de uma busca
que é, na sua essência, política, mas que, espero e confio,
é também balisada pelo rigor científico que deve sempre nortear
todo trabalho acadêmico.
Brasília, janeiro de 2000
Murilo César Ramos
Faculdade de Comunicação
Universidade de Brasília
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