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Relatório sobre casos estudados no âmbito da pesquisa |
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O SOS-Imprensa compreende três formas de apelos: a primeira, relacionada com erros e abusos da imprensa; a segunda, ao contrário, a imprensa representa uma instância de recurso do cidadão e do interesse público; e a terceira, quando a própria imprensa está em risco, seja em relação ao sagrado instituto da liberdade de expressão, seja em relação às ameaças, agressões e assassinatos que, diariamente e em todo o mundo, vitimam jornalistas. Nesta seção, o visitante encontrará situações em que faltou zelo na produção da notícia, ora de forma intencional (dolosa); ora de maneira involuntária (ou faltou apuração, ou outras circunstâncias prejudicaram a qualidade da informação). |
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Os 100 casos aqui sumarizados representam uma amostragem das situações de erros e vítimas da imprensa, anotados pela equipe do SOS-Imprensa, projeto de pesquisa desenvolvido por um grupo de professor-coordenador e alunos, bolsistas e voluntários. O projeto foi concebido em 1995, vindo a ser apoiado pelo CNPq e pela UnB, através do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), entre 1996 e 2000. Ao longo de 2000, incorporaram-se à equipe quatro bolsistas de extensão, ou seja, a pesquisa gerou um Projeto de Extensão, cujo serviço básico é o funcionamento de um Disque-Imprensa (0xx61-3072024), embrião do que se pretende que venha a ser uma Ouvidoria Pública de Imprensa. |
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Em virtude do interesse demonstrado por alunos do curso de Comunicação Social da Universidade Católica de Brasília, um convênio foi assinado em 1999, entre a UnB e a UCB, para o funcionamento de pesquisa e serviço similares na Católica. Ao longo dos dois projetos, vários trabalhos foram apresentados, pelo coordenador e pelos bolsistas em congressos de Comunicação, alguns deles, fora do país. Alguns desses trabalhos receberam prêmios, por melhor apresentação (PIBIC) ou melhor monografia (Intercom). Chegamos a figurar entre os finalistas do Prêmio Luiz Beltrão (Intercom, Recife, 1998). Numerosas participações tornaram-se possíveis em seminários, simpósios, palestras e apresentações. Em outubro de 1999, realizamos um evento de extensão no Auditório Dois Candangos, da UnB, com a presença de 300 participantes e palestrantes de várias instituições. Foi o seminário SOS-Imprensa Intermediação e responsabilidade social. |
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A principal preocupação do SOS-Imprensa é o cidadão comum, que não dispõe de assessoramento e orientação quando é vítima de abusos da imprensa. Não raro, mesmo personalidades de poder e prestígio, seja no mundo da política ou da economia, seja no meio artístico, se vêem impotentes ante a arrogância do Quarto Poder, sobretudo quando este se impõe enquanto tribunal punitivo e moralizador, antes mesmo de qualquer sentença da Justiça. Por vezes, os acusados são inocentes, ou, simplesmente, conhecem o lado pernicioso da fama, seja em decorrência do fascínio mediático da pessoa pública (que perde o direito à vida privada, como no caso da Lady Di), seja pela súbita notoriedade de um cidadão comum, arrancado de repente do seu rincão e sossego, para ser exibido em entrevista coletiva como troféu de caça a terrorista (Jorge Mirândola). Sabemos, no entanto, que muitos casos não vêm a público. Muitas são as vítimas que não conseguem provar a sua inocência e sequer ser ouvidas. |
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Ouvir. Este é um dos propósitos do SOS-Imprensa. Ouvir, como se ser ouvido pudesse ser incorporado aos Direitos Humanos. Intermediar, quando desejado e possível. Ouvir sem duvidar, mesmo quando nem os amigos acreditam na versão de quem se defende. Não temos condição de olhar no fundo da consciência de ninguém. Daí, não promovermos nem acusações nem absolvições. Não fazemos, portanto, advocacia, muito embora possamos apontar para qualquer interessado quais são os seus direitos perante a imprensa e a mídia. Pesquisar, sempre, para entender e divulgar como se dão os erros, os abusos e os crimes da imprensa. E já não é pouca coisa, pois, estamos numa Faculdade de Comunicação, nela comprometidos com a formação dos futuros profissionais de Comunicação Social. |
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Pedimos, encarecidamente, que a nossa atividade seja compreendida como uma tarefa de utilidade pública e não como cerceamento da liberdade de expressão. Não compartilhamos com qualquer forma de censura, mas comungamos com a idéia de que quem torna pública uma informação ou opinião tem de ter em mente a responsabilidade pelo que faz e a consciência das conseqüências dos seus atos. O que o SOS-Imprensa tem de específico é a sua vocação para ouvidoria. Normalmente, os media watches (observatórios) vigiam a mídia, e em particular a imprensa, adotando como metodologia básica a leitura crítica de enunciados, conteúdos já difundidos. Em geral, os observatórios não incorporam às suas atribuições a audiência dos usuários, mais particularmente, as vítimas da imprensa. Esse é um dos traços específicos do SOS-Imprensa, daí, a idéia de se criar num espaço público, neutro, eqüidistante, como a universidade, um serviço de extensão dedicado, especialmente, a realização de um trabalho interativo com as vítimas da imprensa. |
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Muitos dos casos que se seguem foram objeto de registro, acompanhamento, estudo e documentação. Vários deles foram comunicados, originalmente, ao SOS-Imprensa. Grande parte deles, no entanto, foi incorporada pelo simples fato de que deles tomamos conhecimento e procuramos reuni-los numa espécie de Memorial e, por isso mesmo, inconcluso. Pode, a qualquer momento, ser ampliado, modificado, reescrito. Também está aberto a contribuições e contestações, desde que seguindo os mesmos princípios de responsabilidade aos quais já aludimos. Escreva para: www.unb.br/fac/sos ou silvalmd@unb.br . |
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Trata-se, portanto, de um trabalho em elaboração. Cada uma das situações aqui relatadas renderia, certamente, desdobramentos próprios. É dessa matéria bruta que temos partido para os nossos estudos e análises. Temos orgulho de informar que, nos últimos anos, orientamos e abrigamos numerosos projetos de Iniciação Científica e, agora, de extensão. Nesse período, o SOS-Imprensa foi, e continua sendo, uma referência, sobretudo para os jovens estudantes que não se conformam com a realidade que encontram e sabem que um dos confortos de se estar na área de Ciências Sociais Aplicadas é de podermos lidar com um campo que faz parte do vir a ser e não das coisas estabelecidas. |
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Prof. Luiz Martins da Silva |
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Coordenador do Projeto. |