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Prática
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Cardiograma de Tração do Sapo:
Estudo das Propriedades Elementares do Miocárdio.
Ac. Mauro
de Deus Passos - Monitor de Disciplina
Ac. Rodrigo César e Silva - Monitor de Disciplina
Prof. Dr. Luiz F. Junqueira Jr. - Professor e Coordenador
de Disciplina
Prof.
Hervaldo Sampaio Carvalho - Professor de
Disciplina
Prof.
Paulo César de Jesus - Professor de
Disciplina
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OBJETIVO
GENERALIDADES
PROTOCOLO EXPERIMENTAL
Material
Preparação do Experimento
Procedimentos e Breves Comentários
Verificação do automatismo
Verificação da excitabilidade
Verificação da condutibilidade
Verificação da contratilidade
Objetivo
Esta prática objetiva demonstrar e analisar aspectos das
quatro propriedades fundamentais do miocárdio, três de natureza
eletrofisiológica - automatismo, condutibilidade e
excitabilidade, e duas de natureza mecânica - contratilidade
e relaxamento.
Generalidades
O coração do sapo consta de um ventrículo único, do bulbo
arterial que sai do ventrículo, de duas aurículas separadas por
um septo, e de um seio venoso no qual desembocam as veias cavas.
O bulbo arterial bifurca-se em dois vasos calibrosos: um
esquerdo, que origina a carótida primitiva esquerda, a artéria
pulmo-cutânea e a artéria intestinal primitiva; o vaso direito
tem ramificações semelhantes, mas o ramo maior toma o nome de
aorta primitiva e provê a irrigação dos órgãos urogenitais,
dos membros inferiores e de outros órgãos.
O sangue venoso, por meio das veias cavas, desemboca no seio
venoso e daí na aurícula direita, de onde vai ao ventrículo
único. O sangue arterializado ou oxigenado provém dos pulmões
e da pele, atingindo a aurícula esquerda e depois o ventrículo.
Os sangues arterial e venoso lançam-se, pois, no único
ventrículo, porém não se misturam senão em proporções
mínimas. Quando o ventrículo se contrai, o sangue passa para o
bulbo arterial e distui-se para os vasos periféricos. Existe um
controle de resistência ao fluxo nos circuitos venoso e arterial
que determina a passagem de sangue venoso e de sangue arterial em
tempos diferentes, de modo a não se misturarem no interior do
ventrículo único.
O coração do sapo é utilizado para o estudo das
propriedades do miocárdio por sua simplicidade estrutural e
funcional e pela praticidade de manipulação experimental, o que
permite a fácil demonstração prática destas.
- Automatismo (Cronotropismo) - Diz
respeito a capacidade de o coração gerar seus
próprios estímulos elétricos, independentemente de
influências extrínsecas ao órgão.
No entanto, o automatismo pode ser modificado por
diversos fatores, adaptando a freqüência de contração
do coração as necessidades fisiológicas ou
alterando-se em situações patológicas. Os fatores que
exercem influência mais importante sobre o automatismo
são a atividade do sistema nervoso autônomo, os íons
plasmáticos, a temperatura e a irrigação coronariana.
Os estímulos responsáveis pela excitação automática
do miocárdio podem nascer em qualquer parte do
coração. Certas regiões (zonas de marcapasso), no
entanto, possuem a capacidade de gerar estímulos de
forma especial, fazendo-o com uma freqüência própria e
mais elevada que aquela das demais regiões do coração,
devido à sua diferenciação morfo-funcional e
consequente peculiaridade eletrofisiológica (tecido
nodal). A zona de automatismo que possui a freqüência
de descarga mais rápida comanda a ativação elétrica
cardíaca, submetendo a excitação de todo o coração
ao seu próprio ritmo, pelo que é denominada de
marca-passo do coração, representado pelo nodo
sinusal.
- Condutibilidade (Dromotropismo) - Diz
respeito a condução do processo de ativação
elétrica por todo o miocárdio, numa seqüência
sistematicamente estabelecida, à qual se segue a
contração do coração como um todo. O estímulo
elétrico gerado no nodo sinusal (marca-passo natural)
segue pela musculatura atrial e pelos feixes internodais
atingindo o nodo átrioventricular, de onde emerge
penetrando no feixe de His para espalhar-se pelo tecido
de condução intraventricular representado pelos ramos e
sub-ramos direito e esquerdo deste feixe. Este complexo
morfo-funcional gerador e condutor do estímulo elétrico
cardíaco é, pois, denominado tecido
excito-condutor.
- Excitabilidade (Batmotropismo) -
É a capacidade que tem o miocárdio de reagir quando
estimulado, reação esta que se extende por todo o
órgão. Isto é, ativando-se um ponto, todo o
órgão responde. Cada uma das respostas às ativações
regulares do marcapasso constitui uma sístole cardíaca.
Quando qualquer outro ponto, que não o marcapasso
natural, consegue excitar o coração, a resposta extra
chama-se extrassístole. A ocorrência de
extrassístoles demonstra, pois, a extraordinária
capacidade de excitação do miocárdio, que pode
constituir-se em fenômeno puramente fisiológico ou em
manifestação de condições patológicas que acometem o
coração.
- Contratilidade (Inotropismo) - É a
propriedade que tem o coração de se contrair ativamente
como um todo único, uma vez estimulada toda a sua
musculatura, o que resulta no fenômeno da contração
sistólica. Assim, o coração funciona
uniformemente, como um sincício. Também o grau de
contratilidade pode ser modificado por diversos fatores,
intrínsecos e extrínsecos ao coração, com resultante
aumento (efeito inotrópico positivo) ou diminuição
(efeito inotrópico negativo) da força de contração.
Mas, em qualquer caso, o miocárdio sempre responde
obedecendo a lei do tudo-ou-nada: ou responde com
uma contração máxima ou não responde, em reação a
um estímulo; em outras palavras, sempre que se contrai o
faz ao máximo, embora a força máxima de contração
possa variar em diferentes batimentos, segundo
circunstâncias funcionais.
- Distensibilidade (Lusitropismo) -
Diz respeito a capacidade de relaxamento global que tem o
coração, uma vez cessada sua estimulação elétrica e,
em decorrência, terminado o processo de contração, o
que determina o fenômeno do relaxamento diastólico.
O relaxamento do coração também é um processo ativo,
dependente de gasto energético e de ações iônicas e
enzimáticas específicas.
Protocolo
Experimental
Material
- Diversos: estilete, pinças, tesouras, bisturi, agulhas,
linha, algodão, gase, vidraria e outros.
- Mesa de fixação de pequenos animais para atos
cirúrgicos.
- Transdutor de tensão: aparelho utilizado para
transformar o movimento de contração e relaxamento do
coração em sinais elétricos para registro. O
transdutor é composto de um cilindro que desliza no
interior de orifícios existentes em duas placas
metálicas paralelas. Esse movimento cria um campo
magnético variável nas placas, que por sua vez gera um
campo elétrico.
- Polígrafo: aparelho para registros gráficos
fisiológicos em papel apropriado. Usam-se, neste
experimento, duas penas desse aparelho. Uma registra o
tempo e o início de cada manobra,enquanto a outra
registra as ondas causadas pelas contrações cardíacas.
- Estimulador elétrico para estimulação de nervo.
- Drogas e substâncias: soro fisiológico ou solução de
Ringer, água quente e fria, acetilcolina, adrenalina.
Preparação do Experimento
- Imobilizar o sapo por meio da secção do tronco cerebral
com estilete. Este é o método que se emprega para
anestesiar o sapo. O estilete é introduzido ao nível do
espaço intervertebral atlanto-occiptal para seccionar o
tronco encefálico destruindo a medula oblonga, o que
interrompe as aferências das sensações dolorosas, bem
como as eferências motoras. O animal estará pronto para
o experimento quando apresentar total relaxamento ou
atonia dos seus quatro membros, e não mais responder
reflexamente a estímulos dolorosos induzidos nos mesmos
por meio de um pinçamento (Figura
1 - esquerda).
- Prender o animal em decúbito dorsal na mesa apropriada,
fixando seus quatro membros com cordão.
- Abrir o tórax e expor o coração, extirpando o esterno
e cortando amplamente o saco pericárdico. Observar a
contração e o relaxamento regulares do coração, e
primeiramente com ele em sua posição normal e depois
estando rebatido para trás, identifique o bulbo
arterial, os átrios e o ventrículo. Após sua remoção
do saco pericárdico, manter o coração sempre umedecido
pelo gotejamento de soro fisiológico ou de solução de
Ringer (Figura 1 - centro e
direita).
- Isolar o nervo vago: com o membro anterior esquerdo bem
extendido e fixado, identificar o oco axilar e, por
debaixo do tronco váculo-nervoso principal do membro,
localizar o tendão nacarado (esbranquiçado). Próximo a
linha mediana do torax, por cima do tendão, correm um
vaso e um fino nervo nas bordas de uma massa muscular.
Este é o nervo vago, que deve ser mantido isolado
passando um fio de linha sob o mesmo. Para certeza de que
o nervo isolado é mesmo o vago, estimular eletricamente
o mesmo e observar visualmente o efeito sobre a
frequência dos batimentos cardíacos, que em caso
positivo deverá sofrer acentuada redução (bradicardia)
ou até mesmo paralização (parada cardíaca por
inibição da atividade sinusal).
- Elevar a ponta do coração delicadamente com os dedos e
trespassá-la cuidadosamente com um fio de linha por meio
de uma agulha curva de sutura, o qual deverá ser
esticado verticalmente, mantendo suspenso o coração, e
então amarrado ao transdutor de tensão que está
conectado ao polígrafo tendo como intermediário um
amplificador de sinais.
- Regular a sensibilidade do amplificador do polígrafo
para obtenção de boa excurção da pena registradora
(2-3 cm), para clara identificação das ondas de
atividade mecânica do coração. Identificar e
individualizar estas deflexões mecânicas no traçado,
as quais representam sequencialmente, de baixo para cima,
as contrações do seio venoso, dos átrios
conjuntamente, e do ventrículo único.
Figura
1: Imobilização do sapo, Abertura do torax e Exposição do
coração
Verificação do Automatismo
1. Observar a origem da sequência de contração do coração
e inferir onde situa-se o seu marcapasso natural (nodo sinusal).
Para tanto, identificar o local que ao ser submetido a
alteração de temperatura induzida pelo contato de um tubo
contendo água gelada ou água quente, resulta em modificação
da frequência cardíaca.
2. Verificar a frequência cardíaca basal (em batimentos por
minuto), observada em situação controle (Figura
2), e a frequência cardíaca na vigência de
estímulo da região do nodo sinusal com um tubo contendo água
gelada (bradicardia) e com outro contendo água quente
(taquicardia) (Figura 3 - esquerda
e direita).
Figura 2:
Freqüência Cardíaca Basal (70 - 80 bpm)
Figura 3: Discretas elevação e redução transitórias da
freqüência cardíaca, respectivamente,
pelo aquecimento (esquerda) e pelo esfriamento (direita) do nodo
sinusal
A queda da temperatura implica em diminuição do
metabolismo das fibras cardíacas, da permeabilidade das
membranas aos íons excitatórios e ao potássio, o que dificulta
o desencadeamento de potenciais de ação no miocárdio. Já a
elevação da temperatura tem efeito oposto. O metabolismo da
fibras, a permeabilidade das membranas e, consequentemente, a
excitabilidade aumentam. O que acontecerá com a frequência
cardíaca nessas duas situações?
3. Estimular o nervo vago com estímulos elétricos, variando
sua freqüência, intensidade e duração, por períodos
variáveis de tempo e verificar a redução da freqüência
cardíaca, a suspensão dos batimentos e o surgimento de
batimentos de escape a persistente estimulação vagal (escape
vagal) (Figura 4).
Figura 4: Redução da freqüência
cardíaca resultante da estimulação vagal por tempo variado,
com surgimento de batimentos de escape
No coração as terminações dos nervos parassimpáticos
dirigem-se principalmente aos nodos sinusal e atrioventricular.
Uma parte bem menor vai aos músculos atrial e ventricular.
Quando da estimulação destes nervos, é liberado o
neurotransmissor acetilcolina (Ach) nas junções sinápticas
nicotínica e muscarínica, fato que ocasiona dois efeitos
principais sobre o coração: a freqüência de descarga do nodo
sinusal e a velocidade de condução do potencial de ação
através das fibras átrioventriculares são reduzidas. Se a
estimulação for suficientemente intensa, pode ocorrer parada
sinusal ou bloqueios de graus variados da condução do estímulo
pelo nodo átrio-ventricular.
Sabendo-se que a acetilcolina aumenta a permeabilidade da
membrana das fibras cardíacas ao íon potássio, tente explicar
os efeitos acima descritos.
Quando ocorre uma estimulação muito forte que faz cessar
totalmente a contração do músculo cardíaco, desencadeia-se
uma reação de escape ao controle vagal, conhecida como escape
vagal. Seis mecanismos principais explicam o escape vagal: surgimento
de focos ideo-ventriculares, depleção e metabolização da Ach,
liberação de adrenalina pela medula adrenal, adaptação
sináptica à Ach, atuação dos reflexos barorreceptor e de
Bainbridge. Procure entender cada um destes mecanismos.
4. Pingar sobre o seio venoso, algumas gotas de uma solução
de adrenalina (Figura 5 - esquerda).
5. Pingar também sobre o seio venoso, após lavá-lo com
Ringer ou soro fisiológico, algumas gotas de
acetilcolina (Figura 5 - direita).
Figura 5: Elevação e
redução da freqüência cardíaca induzidas, respectivamente,
pela instilação de adrenalina (esquerda) e de acetilcolina
(direita) sobre o nodo sinusal
A adrenalina e nor-adrenalina são drogas simpaticominéticas,
isto é, mimetizam a ação da atividade simpática quando
aplicadas farmacologicamente no organismo. Seu mecanismo básico
de atuação é o aumento da permeabilidade das membranas das
fibras cardíacas aos íons excitatórios Ca+2 e Na+.
Sendo assim, o que se espera que aconteça com a freqüência
cardíaca e com a amplitude das contrações cardíacas frente a
um estímulo adrenérgico induzido pela administração de uma
dessas catecolaminas?
A acetilcolina é uma droga parassimpaticomimética, com
efeitos antagônicos aos da adrenalina e nor-adrenalina. A
perfusão de Ach no tecido excito-condutor provoca efeitos
semelhantes, mas muito menos intensos, aos da estimulação
vagal, pelos motivos colocados no item 3. Logo, como deve ser a
resposta da frequência cardíaca ao estímulo colinérgico?
(A ser completado)