Até a data da última atualização desta página, os seguintes alunos defenderam a dissertações de mestrado em 2003. A lista, a seguir, apresenta as referências em função das Áreas de Concentração do Mestrado com links para o resumo dos trabalhos.

Desenvolvimento Humano no Contexto Sócio-Cultural

  1. Gabriela Staerke de Rezende: A escola e as tarefas de desenvolvimento - Um estudo com adolescentes de uma escola da rede particular de ensino do DF (21/03/2003, orientadora: Maria Helena Fávero)

  2. Fabiana Vieira Gauy: Avaliação da Criança no Ambulatório de Saúde Mental: Comparação Entre um Procedimento Grupal e Individual (12/05/2003, orientadora: Suely Sales Guimarães)

  3. Larissa Guimarães Martins Abrão: O Feminino e o Masculino em “Malhação”: identidade e identificação de adolescentes frente à telenovela (15/04/2003, orientadora: Maria Helena Fávero)

  4. Janaina Bianca Barletta: Treinando respostas de adesão ao tratamento em portadores de AIDS hospitalizados: um estudo exploratório (11/ junho/ 2003, orientadora: Suely S Guimarães).

  5. Liana Salmeron Botelho De Paula: Ouvindo os sinais. Desenvolvimento e Interação de crianças surdas inseridas na escola regular e na escola especial (08/05/2003, orientadora: Maria Cláudia Santos Lopes De Oliveira).

  6. Jane Farias Chagas: Características familiares relacionadas ao desenvolvimento de comportamentos de superdotação em alunos de nível sócio-econômico desfavorecido (28/08/2003, orientadora: Denise de Souza Fleith)

  7. Sylvia Regina Carmo Magalhães Senna: Formação e atuação do psicólogo escolar no Distrito Federal: panorama atual e perspectivas futuras (25/08/2003, orientadora: Sandra Francesca Conte de Almeida).

  8. Cristiana de Campos Aspesi: Processos Familiares Relacionados ao Desenvolvimento de Comportamentos de superdotação em Crianças de Idade Pré-Escolar (10/10/2003, orientador: Denise de Souza Fleith).

  9. Patrícia Villa da Costa Ferreira Mendonça: Relação entre criatividade, inteligência e autoconceito em alunos bilíngües e monolíngues (19/09/2003, orientador: Denise de Souza Fleith).

  10. Silmara Carina Dornelas Munhoz: Processo de alfabetização: Uma análise das interações família-criança numa situação estruturada (27/06/2003, orientadora: Diva Maria Moraes Albuquerque Maciel).

  11. Gabriela Sousa de Melo: Diálogos Com Profissionais do Ensino Especial: O Contexto Histórico-Cultural e suas Repercussões na Prática Educacional do Distrito Federal (09/10/03, orientador: Silviane Bonaccorsi Barbato).

  12. Meireluce Leite Pimenta: “De mais ou de menos?” A resolução de problemas por surdos adultos (21/10/2003, orientador: Maria Helena Fávero).

  13. Vânia C Cavalcante Anchieta: Policial 24 horas: Um estudo sobre representação social da violência e identidade entre policiais civis do Distrito Federal (19/09/2003, orientadora: Ana Lúcia Galinkin)

  14. Michiele Morais de Medeiros Delamôra: Narrativas de mulheres trabalhadoras: mudanças e permanências nos significados sobre o ser mulher (16/10/2003, Silviane Barbato).

Processos Comportamentais

  1. Patrícia Fernandes de Miranda: Efeitos dos procedimentos de instrução verbal, modelação e modelagem sobre o estabelecimento de comportamentos de higienização bucal em crianças (07/02/2003, orientadora: Laércia Abreu Vasconcelos)

  2. Ana Amélia Lindoso Baumann das Neves: Instrução e auto-instrução: Efeitos do grau de variabilidade sobre a sensibilidade comportamental (20/02/03, orientadora: Josele Abreu-Rodrigues)

  3. Geison Isidro Marinho: Influências da Operação Estabelecedora sobre o Comportamento de Risco (18/03/2003, orientadora: Rachel Nunes da Cunha)

  4. Meg Gomes Martins: Controle Verbal e Ressurgência (20/03/2003, orientadora: Rachel Nunes da Cunha)

  5. Regiane de Souza Quinteiro: Aprendizagem de leitura receptiva e de comportamento textual: efeito do número de palavras treinadas sobre o repertório recombinativo (8/4/2003, orientadora: Elenice Seixas Hanna)  

  6. Manoel Rodrigues-Neto: Comportamento precorrente: Efeitos da média e variação do preço sobre a duração da procura por produtos em um supermercado (19/05/03, orientador: Jorge Mendes de Oliveira-Castro)

  7. Yvanna Aires Gadelha: Fortalecimento e Generalização de Comportamentos Sociais de Crianças com Deficiência Auditiva (13/05/2003, Orientadora: Laércia Abreu Vasconcelos)

  8. Ricardo Aurélio F Matos: Efeitos do grau de precisão e antecipação da apresentação de regras na determinação do comportamento operante (08/08/2003, orientador: Carlos Eduardo Cameschi)

  9. Isabella Monteiro de Castro Silva: Sensibilidade a tons de alta freqüência e reconhecimento de fala em adultos jovens e mais velhos (17/09/03, orientadora: Maria Ângela G Feitosa).

  10. Renata de Sousa Tschiedel: Programa de reabilitação audiológica para idosos usuários de aparelhos de amplificação sonora individual e seus interlocutores mais freqüentes (17/10/03, orientadora: Maria Angela Guimarães Feitosa).

  11. Danilo Assis Pereira: Equação para a Função de Sonoridade Obtida a Partir do Tempo de Reação (25/09/2003, orientadora: Maria Ângela Guimarães Feitosa).

  12. Ivo Oscar Donner: Efeitos do treinamento com neurofeedback sobre o desempenho em tarefas de atenção (14/11/2003, orientador: Lincoln da Silva Gimenes).

Psicologia Clínica

  1. Maria Helena Guerra Gomes Pereira: O autocuidado: a subjetividade em mulheres portadoras de HIV e em mulheres profissionais de apoio (16/04/03, orientador: Liana Fortunato Costa)

  2. Lucila S Mayor R de Andrade: Participação e Cidadania - O Esporte e a Educação em contexto comunitário (24/04/03, orientador: Liana Fortunato Costa)

  3. Marcelo Pio da Costa: O Pai. Quem? Metáfora paterna: Estruturação, identificação e gênero (23/04/2003, orientador: Tania Cristina Rivera)

  4. Roberta Nacfur Macedo: Encenações do eu e do outro: transferência, posição do analista, escrita (07/05/03, orientadora: Tania Cristina Rivera)

  5. Juliana Maria Fernandes Pereira: A adoção tardia frente aos desafios na garantia do direito à convivência familiar (16/05/03, orientadora: Liana Fortunato Costa)

  6. Míriam Cássia Mendonça Pondaag: O dito pelo não dito: desafios no trabalho com mulheres vítimas de violência (14/05/03, orientadora: Gláucia Ribeiro Starling Diniz).

  7. Sandra Eni Fernandes Nunes Pereira Drogadição e atos infracionais entre jovens na voz do adolescente em conflito com a lei do DF. (15/05/2003, orientadora: Maria Fátima Olivier Sudbrack)

  8. Valéria Giorgetti: A Subjetividade e suas implicações na escolha profissional e na formação do estudante de Psicologia (18/08/03, orientador: Fernando Luis González Rey)

  9. Dione de M. Lula Zavaroni. O infantil no trabalho psicanálise: considerações a partir da metapsicologia e do trabalho de construções/reconstruções em análise. (27/08/2003, Orientador: Luiz Augusto Monnerat Celes)

  10. Fabíola Maria de Carvalho Izaias: Da Arte como Fonte de Conhecimento do Psiquismo no Discurso Freudiano: primeiros escritos (15/09/03, orientador: Terezinha de Camargo Viana)

  11. Maria Lizabete de Souza Póvoa: Significações das famílias e dos técnicos das instituições sociojurídicas em relação às medidas socioeducativas (15/10/03, orientador: Maria Fátima Olivier Sudbrack).

  12. Maria Valeria de Ávila Gimenes Loureiro: Da Prescrição Teórica ao Arbítrio da Clínica: aprendendo a apreender a psicanálise como conhecimento complexo. (17/12/03, orientadora:  Terezinha de Camargo Viana).

Psicologia Social e do Trabalho

  1. Carla Sabrina Xavier Antloga: Estilo de contato da organização com o funcionário e prazer e sofrimento no trabalho: estudo de caso em uma empresa de material de construção no Distrito Federal (13 de fevereiro de 2003, orientadora: Ana Magnólia Bezerra Mendes)

  2. Janice Aparecida de Souza Pereira: Vivências de prazer e sofrimento na atividade gerencial em empresa estratégica: o impacto dos valores (13 de fevereiro de 2003, orientadora: Ana Magnólia Mendes)

  3. Ludmila Fernandes da Cunha: Essa via convida para correr?Influência de elementos físicos da via urbana no comportamento de velocidade dos motoristas (17/02/03, orientador: Hartmut Günther) 

  4. Thaís Zerbini: “Estratégias de Aprendizagem, Reações aos Procedimentos de um Curso via Internet, Reações ao Tutor e Impacto do Treinamento no Trabalho” (17/02/03, orientadora: Gardênia Abbad)

  5. Héden Cardoso Rodrigues Fischer: Validação de instrumento para diagnóstico de condições facilitadoras de mudança organizacional, em uma empresa pública (11/02/03, orientadora: Suzana Maria Valle Lima)

  6. Sonia Resende: Vivências de Prazer e Sofrimento no trabalho bancário: o impacto dos valores individuais e variáveis demográficas (20/03/03, orientadora: Ana Magnólia B. Mendes)

  7. Renata Silveira Carvalho: Avaliação de Treinamento a Distância: Reação, Suporte à Transferência e Impacto do Treinamento no Trabalho (13/03/03, orientadora: Gardênia da Silva Abbad)

  8. Tatiane Paschoal: Relação dos valores do trabalho e da interferência família-trabalho com estresse ocupacional. (13/03/03, orientador: Álvaro Tamayo)

  9. Ariane Agnes Corradi: Conflito trabalho-família entre brasileiros: Validação de instrumentos e estudo exploratório de um modelo (26/03/03, orientador: Cláudio Vaz Torres).

  10. Cristina Porto Costa: Quando tocar dói: Análise Ergonômica do Trabalho de violistas de orquestra ( 05/6/03, orientadora: Júlia Issy Abrahão)

  11. Maurício Miranda Sarmet: Análise Ergonômica de Tarefas Cognitivas Complexas Mediadas por Aparato Tecnológico: Quem é o Tutor na Educação a Distância? (24/06/03, orientadora: Júlia Issy Abrahão).

  12. Wladimir Jatobá de Menezes: Atendimento Presencial em Auto-Atendimento Bancário!? Um Paradoxo à Luz da Lógica dos Clientes, dos Atendentes e dos Gestores (14/08/03, orientador: Mário César Ferreira).

  13. Sandra Regina Ayres Rocha: “O pior é não ter mais profissão, bate uma tristeza profunda”: sofrimento, distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho e depressão em bancários (20/08/03, orientadora: Ana Magnólia Bezerra Mendes)

  14. Raíssa Rauter: Estrutura fatorial das questões do SAEB 2001 relacionadas a características da escola (11/09/03, orientador: Jacob Arie Laros).

Carla Sabrina Xavier Antloga: Estilo de contato da organização com o funcionário e prazer e sofrimento no trabalho: estudo de caso em uma empresa de material de construção no Distrito Federal (13 de fevereiro de 2003, orientadora: Ana Magnólia Bezerra Mendes)

 

Este estudo de caso investiga o estilo de contato da organização com o funcionário e suas relações com o prazer e sofrimento no trabalho. Realiza-se em uma empresa de comércio de material de construção do Distrito Federal. Tem como objetivo geral a ampliação do modelo da psicodinâmica, introduzindo o estilo de contato da organização como variável organizacional, e investigando a influência deste estilo no funcionamento da organização do trabalho e nas questões de prazer e sofrimento. São adotadas duas perspectivas teóricas: a abordagem gestáltica, que sustenta o modelo de estilo de contato, e a abordagem psicodinâmica, sustentando o conceito de prazer-sofrimento no trabalho. Por estilo de contato compreende-se, para este estudo, a forma como a organização se relaciona com seus funcionários, sendo este construto baseado no modelo de “Ciclo de Contato”. Organização do trabalho é compreendida como o resultado de um processo intersubjetivo de percepção de uma realidade onde estão envolvidos diferentes sujeitos, e onde há interações entre estes que são próprias do contexto onde o trabalho é executado. Prazer-sofrimento no trabalho é um construto dialético, na medida em que estes sentimentos coexistem no ambiente de trabalho, podendo haver o predomínio de um sobre o outro. O prazer está associado a sentimentos de realização e de liberdade. Sofrimento relaciona-se a sentimentos de desgaste e desvalorização. A metodologia do estudo utiliza estratégia qualitativa para coleta e análise de dados. Utiliza-se entrevistas coletivas semi-estruturadas com 23 trabalhadores dos setores caixas-crediário, vendas tradicionais, vendas “self-service”, administração e depósito, e individuais, também semi-estruturadas, com 2 gerentes. As entrevistas foram submetidas à análise de conteúdo categorial temática, realizada por juízes. Os resultados indicam, para o setor de caixas e crediário, as categorias “jornada de trabalho”, “empresa amiga versus empresa exploradora”, “relação com a chefia” e “dificuldades com os clientes”. Para o setor de vendas tradicionais, as categorias resultantes foram “ressentimentos”, “pressão no trabalho”, “jornada de trabalho”, “relação com a chefia”, “medo”, “benefícios versus sacrifícios” e “companheiros versus dedos duros”. No setor de vendas “self-service” têm-se as categorias “pressão”, “cansaço” e “a empresa como mãe”. As categorias resultantes para o setor administrativo foram “relação com a chefia”, “jornada de trabalho”, “sobrecarga” e “necessidade de gostar do emprego”. No depósito, as categorias foram “imagem da empresa para o funcionário”, “sobrecarga”, “medo” e “relacionamento com a chefia”. Para a entrevista com o gerente 1, as categorias resultantes foram “como a empresa vê o funcionário”, “vantagens para o funcionário que trabalha na empresa” e “desmotivação”. As categorias resultantes para a entrevista com o gerente 2 foram “jornada de trabalho”, “cansaço”, “amor e ódio pela empresa” e “empresa resistente à mudanças”. Com base nas 29 categorias resultantes identifica-se o predomínio de sofrimento no trabalho, e os estilos retroflector, egotista e proflector de adoecimento no contato com o funcionário. A organização do trabalho é marcada pelo volume de tarefas e pelo desgaste dos funcionários em todos os setores, e por ausência de espaço para falar sobre o trabalho. Esses resultados apontam para a relação entre estilo de contato de adoecimento e sofrimento dos funcionários, na medida em que o estilo de contato com o funcionário, quando é de adoecimento, influencia negativamente na organização do trabalho, levando ao sofrimento e à utilização de defesas. Os problemas enfrentados pelos funcionários e pela empresa podem ser contornados na medida em que se reestabeleça a saúde no contato com o funcionário, para que a organização do trabalho torne-se mais adequada e haja possibilidade de busca de prazer no trabalho.

  Palavras chave: estilo de contato, prazer-sofrimento no trabalho, organização.

Janice Aparecida de Souza Pereira: Vivências de prazer e sofrimento na atividade gerencial em empresa estratégica: o impacto dos valores (13 de fevereiro de 2003, orientadora: Ana Magnólia Mendes)  

Este estudo objetiva investigar a influência dos valores organizacionais no prazer-sofrimento vivenciado por trabalhadores de nível gerencial de empresa estratégia. Utiliza os pressupostos teóricos da psicodinâmica do trabalho e o modelo tridimensional de valores organizacionais proposto por Tamayo (2000) para estudar a organização do trabalho e o ambiente da empresa. De acordo com a psicodinâmica, a organização do trabalho se pauta no conteúdo das tarefas e nas relações sócio-profissionais. O prazer-sofrimento é apresentado como constructo teórico de comportamento dialético em razão da coexistência das duas vivências em um único contexto. Os valores são considerados como guias de comportamentos desejáveis no ambiente da empresa. São analisados os valores percebidos pelos empregados e o predomínio de determinadas dimensões de valores na organização pode repercutir na definição, manutenção ou transformação da relação indivíduo-organização e situações de trabalho. A metodologia integra a abordagem quantitativa e qualitativa na coleta e análise dos dados: utiliza como instrumentos validados a Escala de Indicadores de Prazer-Sofrimento - EIPST, likert de 5 pontos com 30 itens para medir o prazer-sofrimento, com dois fatores para o prazer – gratificação e liberdade e dois para o sofrimento – insegurança e liberdade e o Inventário dos Valores Organizacionais – IVO, instrumento para medir os valores organizacionais, é composto por 36 itens, Likert de 7 pontos, com seis fatores das dimensões dos valores organizacionais: autonomia-conservação, estrutura-igualitária-hierarquia, domínio-harmonia, (N 145). Entrevistas individuais realizadas com 10 gerentes com o objetivo de levantamento dos dados qualitativos. A escala e o inventário foram analisados por meio de estatísticas descritivas e análises inferenciais no SPSS – Statistical Package for Social Science e a entrevista submetida à análise de conteúdo. Os resultados indicam predomínio da vivência de prazer e vivência moderada de sofrimento, com ênfase no fator desgaste. O sofrimento se explica em razão do volume excessivo de trabalho e a relação revelada como ambígua com a empresa. As vivências de prazer emergem em função da percepção de liberdade e autonomia. Os destaques dos pólos de valores são domínio, autonomia e hierarquia, o que explica a percepção de autonomia e liberdade que, contudo, é condicionada à aceitação dos ideais de domínio da organização. A principal estratégia de enfrentamento ao sofrimento é a racionalização, recurso de defesa que busca evitar o adoecimento.

  Palavras chaves: Psicodinâmica do trabalho, prazer e sofrimento, valores organizacionais

Patrícia Fernandes de Miranda: Efeitos dos procedimentos de instrução verbal, modelação e modelagem sobre o estabelecimento de comportamentos de higienização bucal em crianças (07/02/2003, orientadora: Laércia Abreu Vasconcelos)

A presente pesquisa investigou o efeito dos procedimentos de instrução verbal, de modelação e de modelagem no ensino dos comportamentos de escovação dos dentes, do uso do fio dental e da escovação da língua em crianças entre 7 e 12 anos de idade. Foram definidas três classes de comportamento: a de escovar os dentes, com 10 comportamentos para o Experimento 1 e com 14 comportamentos para o Experimento 2; a de utilizar o fio dental, com 4 comportamentos e com 6 comportamentos, para os Experimentos 1 e 2, respectivamente; e o de escovação da língua, incluído entre os comportamentos de escovar os dentes. Para o Experimento 1, foram selecionadas 12 crianças e para o Experimento 2, foram selecionadas 8 crianças. Em ambos os experimentos, as crianças foram expostas a um dos procedimentos. Para o procedimento de instrução verbal, a instrução era lida em voz alta pela experimentadora e especificava como deveria ser feita a higienização da boca. Um filme, especialmente feito para o procedimento de modelação, mostrava os movimentos adequados de escovação dos dentes, de utilização do fio e de escovação da língua, realizados pela experimentadora em si mesma. Para o procedimento de modelagem, eram feitos elogios e descrições do comportamento corretamente emitido, conforme a criança desempenhava cada um dos comportamentos das três classes de comportamento de higienizar a boca. Como forma de avaliar o acúmulo de placa bacteriana, foi utilizado o Índice de Higiene Oral Simplificado, IHOS, proposto por Greene e Vermillion (1964). Os efeitos do treino sobre a escovação de dentes no contexto familiar foram registrados para todos os participantes em alguns episódios de observação definidos pelas refeições das crianças. Os resultados mostraram maior eficiência do procedimento de modelagem sobre os índices de placa e o número de comportamentos de escovação propriamente dita no Experimento 1. Apesar de os procedimentos de instrução e modelação também terem produzido aumento do número de comportamentos de escovação propriamente dita emitidos, a modelagem produziu dados mais ordenados, que evidenciaram os efeitos positivos, aumentos e manutenção da emissão desses comportamentos. No Experimento 2, todos os procedimentos produziram diminuições do IHOS e aumento do número de comportamentos de escovação. Entretanto, a classe de comportamentos do uso do fio dental foi beneficiada pelos procedimentos de instrução e modelação. A freqüência de escovação da língua foi baixa em todo o estudo, porém, foi observada em maior freqüência nesses procedimentos, especialmente no Experimento 1. Os resultados do presente estudo apresentaram uma relação inversamente proporcional entre o número de comportamentos emitidos de escovação propriamente dita e o IHOS. Essa relação é mais clara quando há maior estabilidade no padrão de respostas. A variável tempo, apenas no procedimento de modelagem, do Experimento 1, mostrou uma relação diretamente proporcional ao número de comportamentos de escovação. Todos os procedimentos foram eficientes em aumentar e manter a freqüência da escovação em casa.

  Palavras chaves: instrução verbal, modelação, modelagem, higienização bucal.

  Ana Amélia Lindoso Baumann das Neves: Instrução e auto-instrução: Efeitos do grau de variabilidade sobre a sensibilidade comportamental (20/02/03, orientadora: Josele Abreu-Rodrigues)

O presente trabalho teve por objetivo observar se auto-instruções variadas (específicas) produzem efeitos similares ao de instruções variadas (específicas) e se auto-instruções variadas promovem uma maior sensibilidade à mudanças nas contingências do que auto-instruções específicas. Estudantes universitários foram divididos em dois grupos e expostos a três fases, sendo a Fase de Treino diferente para cada grupo. O Grupo Variado foi exposto a seis esquemas de reforçamento (VI, FT e FR, cada esquema com valores 5 e 15) e o Grupo Específico, a somente dois esquemas de reforçamento (FR 5 e FR 15). Cada grupo foi dividido em três subgrupos: auto-instrução, instrução e controle. Para os participantes dos grupos auto-instrução foi solicitado que escolhessem a alternativa, dentre cinco, que indicava a melhor maneira de ganhar pontos. Suas respostas foram fornecidas aos participantes dos grupos instrução, independente de sua acurácia. Os participantes dos grupos controle foram expostos apenas aos esquemas de reforçamento. Após a Fase de Treino, todos os participantes foram expostos às Fases de Teste 1 (FI 15 s) e Teste 2 (EXT). Foi observado que os participantes dos grupos de auto-instrução e instrução variadas apresentaram reduções nas taxas de respostas quando expostos às Fases de Testes, o que não ocorreu com os participantes dos grupos de auto-instrução e instrução específicas. Os participantes dos grupos controle (variado e específico) não mostraram dados sistemáticos. Esses resultados sugerem que (a) auto-instruções variadas (específicas) são funcionalmente equivalentes a instruções variadas (específicas) e (b) auto-instruções (instruções) variadas promovem maior sensibilidade comportamental que as auto-instruções (instruções) específicas. O presente estudo forneceu evidências adicionais de que auto-instruções podem ser funcionalmente equivalentes às instruções e que ambas afetam a sensibilidade comportamental.

  Palavras chave: instrução; auto-instrução; sensibilidade comportamental; variabilidade; humanos

Ludmila Fernandes da Cunha: Essa via convida para correr?Influência de elementos físicos da via urbana no comportamento de velocidade dos motoristas (17/02/03, orientador: Hartmut Günther)

Este estudo investigou a influência de elementos físicos do ambiente de trânsito sobre o comportamento de velocidade de motoristas do Distrito Federal. Indicadores dessa influência foram analisados a partir de dados coletados via questionário junto a 504 motoristas (210 mulheres e 294 homens; média de idade: 29.97). Procurou-se verificar: (1) a existência de correlações entre o relato sobre o comportamento de velocidade (CV) e o relato do comportamento dos motoristas em relação a alguns elementos físicos (CF); (2) o poder preditivo de CF em relação a CV; (3) o poder preditivo da combinação de CF, estilo de direção (ED) e dados demográficos em relação a CV; e (4) as medidas para o controle de velocidade indicadas pelos motoristas. Os resultados indicaram correlações significativas entre CV e CF, sugerindo que aspectos físicos podem influenciar o comportamento de velocidade. Especificamente, o comportamento de velocidade pode ser predito a partir das seguintes variáveis de CF: dirige acima da velocidade permitida em vias sem pardais e em vias sem barreiras eletrônicas, ultrapassa a velocidade permitida em vias sem semáforos e sem faixas de pedestres, modifica a velocidade antes de passar pelos pardais e modifica a velocidade do carro quando vê uma placa indicando a velocidade. De maneira geral, essas variáveis tiveram impacto maior sobre o grupo que relatou ‘correr’ freqüentemente. Aspectos demográficos não foram preditores significativos do CV num modelo envolvendo CF e ED. Mas observou-se que a variável de CF - dirigir acima da velocidade permitida em vias sem pardais - e as variáveis de ED - manter a velocidade da via e dirigir com pressa - apareceram como preditoras significativas do comportamento de velocidade. O aumento dos limites de velocidade das vias foi significativamente mais sugerido pelo grupo que relatou ‘correr’ freqüentemente. Por outro lado, mais placas de velocidade, de fiscalização e mais faixas de pedestres foram sugeridas por quem relatou ‘não correr’ freqüentemente. Assim, na perspectiva da Psicologia Ambiental, conhecer como os motoristas avaliam o seu comportamento de velocidade em relação aos elementos físicos do trânsito é importante, principalmente para investigar a eficiência das medidas utilizadas para o controle da velocidade e os seus efeitos psicológicos no comportamento dos motoristas.

Palavras-chaves: motorista, comportamento de velocidade, ambiente físico de trânsito, Psicologia Ambiental e Psicologia do Trânsito

Thaís Zerbini: “Estratégias de Aprendizagem, Reações aos Procedimentos de um Curso via Internet, Reações ao Tutor e Impacto do Treinamento no Trabalho” (17/02/03, orientadora: Gardênia Abbad)

Esta pesquisa teve como objetivo principal propor e testar um modelo reduzido de avaliação de Impacto de Treinamento no Trabalho inspirado, principalmente, no IMPACT (Abbad, 1999) e no MAIS (Borges-Andrade, 1982). Trata-se de uma versão adaptada à situação de treinamento a distância (via web). Foram construídos e validados cinco instrumentos: 1) Escalas de Estratégias de Aprendizagem (N=1860); 2) Escala de Reação aos Procedimentos Instrucionais (N=1896); 3) Escala de Reação ao Desempenho do Tutor (N=1060); 4) Escala de Falta de Suporte à Transferência (N=1080); e 5) Impacto do Treinamento no Trabalho (N=1575). A pesquisa, realizada junto ao SEBRAE, consistiu da avaliação do curso Iniciando um Pequeno Grande Negócio–IPGN, cujo objetivo principal é ensinar os participantes a elaboração de um plano de negócios. O total de inscritos no IPGN foi de 21.920 alunos, divididos em 110 turmas de, aproximadamente, 200 alunos cada uma. A coleta de dados ocorreu em dois momentos distintos: ao final e após o término do curso (42 a 105 dias). A coleta foi realizada via web por meio de instrumentos digitalizados e hospedados em páginas da internet. Todos os instrumentos apresentaram índices psicométricos satisfatórios. As variáveis explicativas de impacto, nos modelos de regressão múltipla stepwise e padrão, foram definidas como as médias das respostas dos participantes às três escalas de Estratégias-EEA: Busca de Ajuda Interpessoal (a=0,85), Elaboração e Aplicação Prática (a=0,75); Repetição, Organização e Ajuda do Material (a=0,78); à escala de Reação aos Procedimentos-ERPI (a=0,93); à escala de Reação ao Desempenho do Tutor–ERDT (a=0,98) e à escala Falta de Suporte à Transferência de Treinamento-EFS (a=0,91), além de variáveis demográficas e profissionais. A variável critério foi definida como a média  respostas dos participantes à escala Impacto do Treinamento no Trabalho (a=0,96). No Modelo 1, Falta de Suporte (b=0,30), Elaboração e Aplicação Prática (b=0,27) e Elaboração de um Plano de Negócio (b=-0,32), explicaram, em conjunto, cerca de 23% da variabilidade de Impacto (N=350). No Modelo 2, Falta de Suporte (b=0,25), Reação aos Procedimentos (b=0,32) e Elaboração de um Plano de Negócios (b=-0,24), explicaram, em conjunto, cerca de 25% da variabilidade de Impacto. Neste estudo, a variável relativa à suporte, explicou uma porção significativa da variabilidade de impacto, corroborando, em parte, os achados de inúmeras outras pesquisas. Entretanto, a porcentagem de explicação dessa variável sobre impacto foi muito menor do que as obtidas em outros contextos. Isto ocorreu, provavelmente, devido à pequena ênfase dada ao apoio familiar no instrumento de suporte e ao fato de que as variáveis de suporte enfatizarem aspectos da gestão de um empreendimento já instalado, o que não era a realidade de grande parte da amostra. Os resultados deste trabalho também diferem de outros, no que se refere à direção do relacionamento entre suporte e impacto. Neste estudo, avaliações desfavoráveis de suporte é que estiveram relacionadas positivamente com impacto. Este resultado não é surpreendente, uma vez que, no curso IPGN, é ensinado ao participante que um empreendedor de sucesso é aquele que transforma obstáculos em desafios. Satisfação com o curso e o uso de certas estratégias cognitivas e comportamentais de aprendizagem também estão relacionadas positivamente com impacto. Os resultados apóiam, em parte, o modelo reduzido de avaliação, porém mais estudos são necessários para conferir maior generalidade e validade aos resultados.

Palavras chaves: Avaliação de treinamento; Treinamento via internet, Estratégias de aprendizagem; Reação ao curso; Reação ao tutor; Suporte e restrições à transferência de treinamento, Impacto do treinamento no trabalho

Héden Cardoso Rodrigues Fischer: Validação de instrumento para diagnóstico de condições facilitadoras de mudança organizacional, em uma empresa pública (11/02/2003, orientadora: Suzana Maria Valle Lima)

O presente estudo teve como objetivo principal validar um instrumento de medida para diagnóstico de condições facilitadoras de mudança organizacional. Pretendeu-se ainda, avaliar as condições facilitadoras de mudança organizacional em uma organização financeira pública (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL), bem como comparar a percepção de diferentes grupos sobre essas condições, a título de exemplificação do uso do instrumento. A amostra consistiu de 707 empregados da CAIXA, lotados em todo o território nacional. O instrumento era composto de duas partes. A primeira continha 110 itens, construídos com base em literatura específica sobre mudança organizacional, em levantamento empírico e no estudo de Bressan (2001). A segunda compreendia itens sobre os dados biográficos e funcionais dos participantes da amostra, além de questões sobre a percepção de existência de mudanças na empresa e o tipo de participação do sujeito no processo. A partir de análise fatorial e de consistência interna dos itens, obteve-se um total de 87 itens na primeira parte e identificaram-se oito escalas de condições facilitadoras da mudança organizacional. As escalas tratam de “práticas gerenciais favoráveis à mudança”, “respeito a normas, padrões e hierarquia”, “suporte à mudança, por parte de grupos influentes, internos e externos”, “novas formas de realizar o trabalho”, “crenças frente à mudanças”, “resistência a mudança”, “fluxo da informação interna e externamente”, “pressões do ambiente externo”. Através da análise dos índices de consistência interna, observou-se que quatro desses fatores podem ser considerados como fortes, dois promissores e dois fracos. Foram efetuadas análises descritivas com o objetivo de exemplificar os possíveis usos do instrumento validado. O instrumento foi denominado de “Indicadores de Diagnóstico das Condições Facilitadoras da Mudança Organizacional – IDCFMO". 

 

Palavras chaves em português: mudança organizacional, diagnóstico para mudança organizacional, desenvolvimento organizacional, facilitadores da mudança organizacional

Sonia Resende: Vivências de Prazer e Sofrimento no trabalho bancário: o impacto dos valores individuais e variáveis demográficas (20/03/2003, orientadora: Ana Magnólia B. Mendes)

Neste trabalho, procurou-se relacionar as vivências de prazer e sofrimento no trabalho aos valores individuais, com enfoque na representação do valor Trabalho, a fim de verificar se, para o empregado, o trabalho está propiciando identidade e realização ou se tem mais um sentido de sobrevivência, na qual o trabalhador busca manter-se empregado por falta de opção e medo da exclusão. As hipóteses formuladas são: os bancários vivenciam maior sofrimento do que prazer no trabalho; os valores predominantes nos bancários são relacionados à Benevolência e à Segurança; os bancários do serviço privado vivenciam mais insegurança e ambos, de instituições públicas e privadas, vivenciam alto desgaste; os valores e as variáveis demográficas têm influência nas vivências de prazer-sofrimento no trabalho; o valor Trabalho predomina mais no grupo que vivencia maior prazer. Para responder às perguntas da pesquisa, são utilizadas as teorias da Psicodinâmica do Trabalho e a Estrutura Universal dos Valores Humanos, que fundamentam as definições das variáveis. As vivências de prazer-sofrimento são definidas operacionalmente em quatro fatores: Gratificação - sentimento de satisfação, realização, orgulho e identificação com o trabalho; Liberdade - sentimento de estar livre para pensar, organizar e falar sobre o trabalho, sendo reconhecido pelas chefias e colegas; Insegurança - receio de perder o emprego e não conseguir atender à expectativas de competência profissional, produtividade e pressões do trabalho; e Desgaste - sentimento de que o trabalho causa estresse, sobrecarga, tensão emocional, cansaço, ansiedade, desânimo e frustração. A organização do trabalho diz respeito a como o trabalho está dividido, ao conteúdo da tarefa, ao sistema hierárquico, às modalidades de comando e relações de poder e a questões de responsabilidade. Diante da rigidez da organização do trabalho e do estranhamento do trabalho em si, o indivíduo pode utilizar estratégias defensivas para manter sua saúde psíquica, estratégias que se caracterizam por comportamentos de isolamento psicoafetivo e profissional, de resignação, de descrença, de indiferença e de apatia. Tais defesas têm papel contraditório: ao mesmo tempo em que são necessários para manter o equilíbrio psíquico, podem levar o trabalhador ao imobilismo e à alienação. Os valores são definidos como critérios ou metas que transcendem situações específicas, são ordenados por sua importância e servem como princípios orientadores da vida do indivíduo. A estrutura dos valores possui duas dimensões bipolares: Abertura à mudança x Conservação, e Autopromoção x Autotranscendência. Participam da pesquisa 210 bancários da função de atendimento ao público, dos quais 61,3% de instituições públicas e 38,7% de instituições privadas; com idade predominante de até 30 anos (59,2%), nível universitário (75,2%), dos quais 51,9% do sexo masculino e 48,1% do sexo feminino, pouco mais da metade dos sujeitos com até 5 anos de serviço na instituição (57,2%) e quase a metade com remuneração entre 1 a 5 salários-mínimos (48,3%), sendo 43,5% chefes de família. Foram aplicados o Inventário de Valores de Schwartz – IVS – composto 50 itens com escala de –1 a 7, e a Escala de Indicadores de Prazer e Sofrimento no Trabalho – EIPST - com escala de freqüência, tipo Likert, de 5 pontos, com 30 itens. Para análise dos dados, utilizou-se estatística descritiva, teste “t” e regressões lineares. Verifica-se que os bancários vivenciam prazer e sofrimento de forma moderada, indicando utilização de estratégias defensivas. O fator Gratificação tem como preditor positivo o eixo Conservação e como negativo possuir nível superior completo. Liberdade apresenta como mediadores os valores em conjunto com as variáveis demográficas. Insegurança e Desgaste não apresentam como preditores os valores e as variáveis demográficas, o que leva a concluir que o sofrimento não é influenciado pelas características do indivíduo, mas sim pela organização do trabalho, confirmando-se os postulados da Psicodinâmica do Trabalho.

Palavras-chave: Psicodinâmica, prazer-sofrimento no trabalho, valores humanos.

Gabriela Staerke de Rezende: A escola e as tarefas de desenvolvimento - Um estudo com adolescentes de uma escola da rede particular de ensino do DF (21/03/03, orientadora: Maria Helena Fávero)

Foi somente a partir de Erik Erikson que Psicologia do Desenvolvimento da Adolescência desfaz o binômio adolescência-conflitos. Robert Havighurst, o teórico central deste estudo, cunhou as chamadas tarefas de desenvolvimento da adolescência (TD) a partir da teoria psicosocial de Erikson. Segundo Havighurst, a adolescência constitui-se de oito TD, a serem cumpridas com sucesso para proporcionar o desenvolvimento saudável nas etapas futuras da vida. Este estudo propõe-se a averiguar se, uma escola de Ensino Médio da Rede Particular do DF, atende satisfatoriamente, segundo seus alunos adolescentes, sujeitos desse estudo, às TD. Por tratar-se de situação de interação verbal, submetemos as trocas verbais, depois de sua transcrição na íntegra, à análise dos atos da fala, como proposto por Chabrol e Bromberg, e defendido por Fávero (2000) para situações semelhantes. Para tanto foram desenvolvidas duas fases. Na primeira, avaliamos as TD com um painel de cinco juízes especialistas. Na segunda, propusemos uma discussão sobre a relação entre as TD e a Escola, desenvolvendo três grupos focais com os adolescentes. Cada grupo teve entre cinco a doze sujeitos de ambos os gêneros, totalizando 24 sujeitos. No final do trabalho com os grupos, solicitou-se a elaboração de uma metáfora que descrevesse a situação vivida.

  Palavras-chave: escola, tarefa de desenvolvimento, adolescentes, atos da fala, homogenização de opiniões

  Renata Silveira Carvalho: Avaliação de Treinamento a Distância: Reação, Suporte à Transferência e Impacto do Treinamento no Trabalho (13/03/2003, orientadora: Gardênia da Silva Abbad)

  O uso da Internet em treinamentos a distância vem sendo enfatizado, porém não se percebem avaliações sistemáticas dessas intervenções. A presente pesquisa compôs-se de dois estudos. O primeiro deles busca validar seis escalas de avaliação de treinamentos a distância, a saber: (1) Reação ao Desempenho do Tutor, (2) Reação à Interface Gráfica (Ambiente Eletrônico), (3) Reação a Resultados e Aplicabilidade, (4) Falta de Suporte à Transferência, (5) Impacto do Treinamento no Trabalho (em Profundidade) e (6) Impacto do Treinamento no Trabalho (em Amplitude). O segundo estudo avalia modelos de predição de três variáveis critério: Escores de Aprendizagem, Impacto do Treinamento no Trabalho (em Profundidade) e Impacto do Treinamento no Trabalho (em Amplitude). As variáveis antecedentes dos modelos integram os componentes de Reação, Características da Clientela e Suporte à Transferência, conforme classificação de Abbad (1999). As respostas aos instrumentos foram obtidas junto ao Sebrae, pela avaliação de um curso a distância, mediado pela Internet, oferecido gratuitamente em nível nacional. O objetivo instrucional do curso é o de capacitar o aluno a elaborar um plano de negócio, documento escrito de planejamento da abertura de um empreendimento. A coleta de dados foi realizada por meio de questionários digitalizados, hospedados em páginas da Internet, em dois momentos: ao final do curso, quando eram aplicados os instrumentos de dados pessoais e reações; e de 42 a 105 dias após o término do curso, para a coleta de dados de suporte à transferência e impacto do treinamento no trabalho. Houve diversos problemas metodológicos e de programação dos instrumentos que implicaram a construção de nove arquivos de dados para garantir maior aproveitamento de casos válidos. As amostras desses arquivos variaram de 340 a 2347 casos. Para atingir o objetivo traçado no Estudo 1, foram realizadas análises fatoriais. Análises de regressão múltipla padrão e stepwise foram as técnicas escolhidas para atingir os objetivos propostos no Estudo 2. Os resultados do Estudo 1 indicam que todas as escalas são válidas e confiáveis, sugerindo-se sua utilização em outros treinamentos a distância. As escalas de Impacto do Treinamento no Trabalho (em Amplitude) e Falta de Suporte à Transferência, termo este utilizado para justificar a inversão na escala de avaliação, são aplicáveis a todas as ações da organização-alvo que visem ao desenvolvimento de habilidades de empreendedorismo. No Estudo 2, o modelo de predição de Escores de Aprendizagem indica a influência de variáveis de uso de ferramentas de interação (acesso ao chat e ao mural de notícias), bem como de Reação a Resultados e Aplicabilidade. Em função do baixo poder preditivo dessas variáveis e de medidas não confiáveis de aprendizagem, sugerem-se mais estudos enfocando a variável critério, incluindo medidas de pré-teste. Os modelos de investigação do Impacto do Treinamento no Trabalho (em Profundidade e em Amplitude) revelam que indivíduos que percebem mais favoravelmente os resultados e a aplicabilidade do curso, que relatam não haver suporte à transferência e que tenham elaborado um plano de negócio apresentam maiores escores nas variáveis critério. São discutidas as limitações do estudo, suas contribuições e implicações práticas e teóricas. Sugerem-se igualmente caminhos para estudos futuros em avaliação de treinamento a distância.

  Palavras-chave: Avaliação de treinamento; Treinamento via internet; Reação ao curso; Desempenho do tutor; Interface gráfica; Ambiente eletrônico; Suporte e restrições à transferência de treinamento; Impacto do treinamento no trabalho; Empreendedorismo.

Tatiane Paschoal: Relação dos valores do trabalho e da interferência família-trabalho com estresse ocupacional. (13/03/2003, orientador: Álvaro Tamayo)

  O interesse pela compreensão do estresse ocupacional tem sido crescente nos últimos anos.  Esse construto refere-se ao processo em que o indivíduo percebe demandas do trabalho como estressores, os quais ao exceder sua habilidade de enfrentamento, provocam no sujeito reações negativas. O presente trabalho teve como objetivo investigar a influência da interferência família-trabalho e dos valores do trabalho sobre o estresse ocupacional. Para tanto, utilizou-se um instrumento composto pela Escala de Estresse no Trabalho, Escala de Interação Trabalho-Família e a Escala de Valores Relativos ao Trabalho. O instrumento foi aplicado a 237 funcionários de uma instituição bancária. Os resultados indicaram que a interferência família-trabalho influencia o estresse ocupacional, sendo que quanto maior o escore de interferência, maior o estresse. Sugere-se que a interferência família-trabalho possa favorecer, diretamente, o aparecimento de estressores organizacionais e influenciar cognições e afetos que influenciem a percepção de demandas do trabalho como estressores. Os valores do trabalho não apresentaram relação com o estresse ocupacional, o que pode ser decorrente do instrumento utilizado para avaliar o estresse ou da maior importância desses valores no processo de escolha da profissão. As contribuições da pesquisa, as limitações e perspectivas para pesquisas futuras são discutidas no trabalho.

Palavras chave: estresse ocupacional, valores do trabalho, interferência família-trabalho

Geison Isidro Marinho: Influências da Operação Estabelecedora sobre o Comportamento de Risco (18/03/2003, orientadora: Rachel Nunes da Cunha).

O presente estudo investigou os possíveis efeitos da operação estabelecedora condicionada reflexiva (OEC-R) sobre o comportamento de risco. Estudantes universitários foram expostos a cinco condições experimentais: Escolha Forçada (EF), Linha de Base (LB), Risco Baixo (RB), Risco Médio (RM) e Risco Alto (RA). As condições experimentais se diferiram em termos das perdas de movimentos programadas e do número de esquivas possíveis desses movimentos perdidos. A tarefa experimental consistiu em mover um quadrado colorido por uma matriz (5x5), a partir do canto superior esquerdo até a chegada no canto inferior direito. Durante a execução da tarefa, a borda da matriz piscava eventualmente em diferentes cores dependendo das contingências programadas, a qual indicava a perda de três movimentos e a possibilidade de esquiva dessas perdas. Nas condições EF e LB havia possibilidade de esquiva total e nas condições de risco havia possibilidade de esquivas parciais ou impossíveis (condição RA). Nas condições de risco, a OEC-R foi manipulada por meio da manipulação do número de esquivas possíveis (2, 1 ou 0 esquivas, conforme as condições RB, RM e RA, respectivamente). A resposta de esquiva tinha como conseqüência a apresentação de duas alternativas de escolha de diferiram-se em termos de magnitude e probabilidade de reforço. A alternativa “F” (propensão ao risco) tinha como conseqüência o acréscimo de 3 movimentos à matriz com probabilidade igual a 0,3. A alternativa “J” (aversão ao risco) tinha como conseqüência o acréscimo de 1 movimento à matriz com probabilidade igual a 0,7. Os participantes foram alocados em três grupos que se diferenciavam em termos da ordem de exposição às condições experimentais: o Grupo 1 foi exposto à ordem LB, RB, RM e RA; o Grupo 2 foi exposto à ordem LB, RM, RB e RA e, o Grupo 3 foi exposto à ordem  LB, RA, RM e RB. Os resultados demonstraram que os efeitos da manipulação da quantidade de perdas produziram aumentos no comportamento de propensão risco proporcionalmente ao aumento nas condições de risco (de RB para RA). Quando havia poucas perdas (RB), os participantes tenderam ao comportamento de aversão ao risco. Quando as perdas foram moderadas (RM), os participantes apresentaram comportamento de risco em proporções maiores do que a condição RB. E quando as perdas foram consideráveis (RA), a maioria dos participantes foi propensa ao risco. O presente estudo evidencia os efeitos da variável motivacional sobre o comportamento de risco, demonstrando a relevância da incorporação do conceito de Operação Estabelecedora na análise funcional do comportamento.

Palavras-chave: motivação, operação estabelecedora condicionada reflexiva, comportamento de risco.

  Meg Gomes Martins: Controle Verbal e Ressurgência (20/03/2003, orientadora: Rachel Nunes da Cunha)

  Do universo de temas proposto por Skinner (1978) acerca do comportamento verbal, este trabalho enfatizou o comportamento governado por regras vs. por contingências, mais especificamente, os comportamentos de seguir regras denominados rastreamento (tracking) e aquiescência (pliance). Partindo do pressuposto de que o controle social é importante para a diferenciação dos dois comportamentos, este trabalho apresentou uma replicação sistemática do experimento realizado por Dixon e Hayes (1998), visando enfatizar o controle social e as conseqüências reforçadoras controladas socialmente no grupo aquiescência e, ainda, observar os efeitos da ressurgência na Fase de extinção. Quarenta e dois participantes foram distribuídos em um dos 3 grupos: rastreamento, aquiescência I e aquiescência II. Os participantes foram instruídos a mover um círculo preto da parte superior esquerda até a parte inferior direita de uma matriz 5x5, utilizando duas setas de direção do teclado. Foi utilizado um esquema múltiplo razão fixa (FR1) variabilidade (respostas topograficamente diferentes)/razão fixa (FR1) estereotipia (respostas topograficamente iguais). O experimento consistiu de 4 Fases. Na Fase 1, todos os participantes foram expostos ao esquema múltiplo (estereotipia/variabilidade) de regras acuradas, na qual a regra fornecida pelo experimentador tinha correspondência com a contingência em vigor. Na Fase 2, os participantes dos grupos rastreamento e aquiescência I foram expostos a um esquema inverso à Fase 1, na qual a regra fornecida previamente pelo experimentador no começo do experimento não tinha correspondência com a nova contingência. Os participantes do grupo aquiescência II, na Fase 2, foram expostos à duas contingências, uma inversa da regra e outra de acordo com a regra; o comportamento de seguir à regra foi reforçado com 2 pontos e o comportamento de não a seguir foi reforçado com 1 ponto. Na Fase 3 foi programado um esquema múltiplo de igual probabilidade para as contingências que vigoraram na Fase 1 e na Fase 2. Por fim, na Fase 4, foi apresentado um esquema múltiplo extinção/extinção. Os resultados replicaram os dados encontrados por Dixon e Hayes (1998), ou seja, não foi encontrado diferença funcional entre os comportamentos governados por regras denominados rastreamento e aquiescência, quando aos participantes desses grupos foi fornecido reforço pela contingência e não pelo seguimento da regra. A maioria dos participantes do grupo aquiescência II contactou a contingência que oferecia menor ganho de reforços, e por isso concluiu-se que pode ser estabelecida uma diferença entre os comportamentos rastreamento e aquiescência quando foi fornecido ao grupo aquiescência um controle social mais efetivo que aquele apresentado no estudo de Dixon e Hayes (1998). O fenômeno da ressurgência pôde ser demonstrado no grupo aquiescência II, mas não nos grupos rastreamento e aquiescência I. A diferenciação funcional entre os comportamentos rastreamento e aquiescência depende não só do controle social implícito na regra, mas também da magnitude do reforço recebida pelo comportamento de seguir à regra fornecida pelo experimentador (variável social). Afirmações acerca do comportamento governado por regras devem considerar não apenas o estímulo antecedente verbal, mas a contingência tríplice como um todo.

Palavras-chave: controle verbal, regras, ressurgência, comportamento de rastreamento, comportamento de aquiescência

Regiane de Souza Quinteiro: Aprendizagem de leitura receptiva e de comportamento textual: efeito do número de palavras treinadas sobre o repertório recombinativo (8/4/2003, orientadora: Elenice Seixas Hanna)

O controle comportamental por elementos de estímulos compostos a partir do treino do todo e a emergência de repertório recombinativo ocorre na aprendizagem de leitura e de outras habilidades complexas. No presente trabalho dois experimentos investigaram o efeito do número de palavras treinadas sobre a aquisição de leitura recombinativa com pseudo-alfabeto. O Experimento 1 foi uma replicação parcial e sistemática de Albuquerque (2001), com seis estudantes universitários. Foram realizados, em um computador, treinos de pareamento de desenhos ambíguos (B) aos respectivos nomes ditados (A), de palavras impressas (C) às palavras ditadas (A) e de nomeação (D) das palavras impressas (C). Após os treinos AB, AC e CD, com dois estímulos de cada modalidade, foram realizados testes de equivalência (BC e CB) e testes de leitura recombinativa com palavras novas formadas por elementos das palavras de treino (BC, CB, AC, CD). Os participantes foram expostos a seis ciclos de treinos e testes, sendo treinadas relações de duas palavras em cada ciclo totalizando 12 palavras. Testes finais foram realizados com todas as palavras de treino e palavras com recombinação. O Experimento 2 utilizou um delineamento semelhante, mas os treinos e testes com figuras foram omitidos. Participaram desse estudo outros seis estudantes universitários. Os resultados mostraram que todos os participantes aprenderam as relações treinadas com as 12 palavras. Dentre esses, sete participantes apresentaram um aumento gradual na leitura recombinativa com o aumento de palavras treinadas, sendo a maioria participantes do Experimento 1. Os desempenhos observados confirmaram a importância da quantidade de treino com palavras formadas pelas mesmas letras para a aquisição de leitura recombinativa, sugerida em outros estudos. Participantes em estágios iniciais de aquisição e aqueles que não adquiriram leitura recombinativa apresentaram controle seletivo. Os achados mostram que o procedimento empregado com pseudo-alfabeto foi adequado para investigar a aquisição de repertório recombinativo por universitários. Eles sugerem também o treino AB como um fator que facilita a aquisição de controle por elementos de estímulos compostos. O aumento do número de participantes em estudos posteriores poderia demonstrar a generalidade dos achados.

Palavras-chave: leitura recombinativa, pseudo-alfabeto, controle seletivo.

  Ariane Agnes Corradi: Conflito trabalho-família entre brasileiros: Validação de instrumentos e estudo exploratório de um modelo (26/032003, orientador: Cláudio Vaz Torres).

  Conflito trabalho-família é uma forma de conflito entre papéis onde a participação do indivíduo em um ambiente interfere negativamente na participação no outro ambiente. Pode ocorrer do trabalho para a família e da família para o trabalho e pode se apresentar nas dimensões de tempo, sobrecarga e comportamento. Diferenças culturais entre modelos empíricos têm sido atribuídas à dimensão cultural de individualismo/coletivismo. No Brasil, não foram encontrados estudos considerando esta base teórica, o que fornece caráter inédito à pesquisa. Os objetivos deste estudo foram a) validar escalas de preditores de domínio específico de conflito trabalho-família (conflito no trabalho, envolvimento com trabalho, conflito na família e envolvimento com família), b) validar escalas de conflito trabalho-família baseado em tempo e em sobrecarga e c) realizar um estudo exploratório de um modelo de conflito trabalho-família para brasileiros. Para a validação dos instrumentos foram realizadas duas coletas de dados com indivíduos de baixa escolaridade em sub-culturas nacionais diferentes. O questionário foi desenvolvido a partir da tradução e retradução dos itens, com cuidados metodológicos que visaram reduzir as dificuldades vinculadas à baixa escolaridade. As características sócio-demográficas variaram em termos de idade, sexo, renda familiar, tipo de trabalho, número de filhos, estado civil, tempo de serviço e carga horária semanal de trabalho. O modelo foi desenvolvido com a segunda amostra do estudo de validação. Todos os instrumentos tiveram precisão pelo menos aceitável para a primeira amostra. Na segunda, nenhuma escalas foi validada. As escalas de conflito trabalho-família podem ser utilizadas tanto divididas em tempo e sobrecarga quanto em formato unidimensional. Para o modelo, os resultados mostraram que idade do filho mais novo e carga horária semanal do cônjuge foram preditoras de conflito de trabalho com família e idade do filho mais novo foi preditora de conflito de família com trabalho. Quanto às consequências de conflito, somente satisfação com trabalho apresentou preditores significativos. Satisfação com a vida foi predita por satisfação com trabalho e com família. A heterogeneidade da amostra permite ampla generalização dos resultados. Contudo, a questão da baixa escolaridade pode ter limitado os resultados do estudo de validação, mas também pode ser um ponto de apoio para estudos futuros. Os resultados foram interpretados em termos de diferenças entre sub-culturas e no número de itens que compõe as escalas. Foram apresentadas sugestões para o aprimoramento das medidas de preditores e discutidas questões sobre a relação entre as dimensões de tempo e sobrecarga nas escalas de conflito trabalho-família. Para o modelo, foram discutidos aspectos transculturais referentes a preditores de domínio específico e preditores cruzados. As relações entre as direções de conflito trabalho-família, entretanto, diferem da literatura da área e precisam ser melhor investigadas. As limitações da pesquisa incluem o uso de amostragem de conveniência e o número reduzido de itens das escalas. Pesquisas futuras deverão considerar mais aprofundadamente a influência de variáveis como escolaridade, renda e gênero, entre outras.

Palavras-chaves: conflito trabalho-família, baixa escolaridade, validação, modelo empírico

  Maria Helena Guerra Gomes Pereira: O autocuidado: a subjetividade em mulheres portadoras de HIV e em mulheres profissionais de apoio (16/04/03, orientador: Liana Fortunato Costa).

O autocuidado, conceito teórico proposto pela autora, é construído subjetivamente num processo complexo, que envolve o imaginário social da epidemia, os aspectos culturais de gênero, a epidemiologia e as políticas públicas, além da postura dos profissionais de apoio. O presente trabalho tem por objetivo abrir novas leituras, por meio do autocuidado, frente à dificuldade (i) de mulheres portadoras de HIV sexualmente ativas conseguirem se preservar, diante da heterossexualização, feminização, e pauperização da epidemia; e (ii) das profissionais de apoio em facilitarem a promoção de tal autocuidado nas portadoras de HIV. Para tanto, foi utilizada a Investigação Qualitativa, metodologia que privilegia o processo de construção, com a qual se explorou a configuração do autocuidado das portadoras de HIV e das profissionais de apoio de uma ONG/Aids. Foram realizadas duas entrevistas de grupos focais: (i) com seis portadoras de HIV, com menos de cinco anos de diagnóstico, entre 20 e 50 anos de idade; e (ii) com cinco profissionais de saúde da ONG. A primeira entrevista configurou oito zonas de sentido, nas quais o momento de diagnóstico do HIV foi compreendido como crucial para a reflexão sobre o autocuidado, envolvendo a autopercepção, a exclusão sócio-econômica e a limitação da inserção familiar na constituição de suas possibilidades. Na segunda entrevista, foram construídas onze zonas de sentido; e o burnout se configurou como tema central para a compreensão do autocuidado nas relações familiares originais e como resgate do autocuidado nas novas formas dessas profissionais se inserirem nas relações atuais. Com esse panorama agravado pela política de descentralização das ONGs/Aids, o estudo aponta para o questionamento ético-político das profissionais e para a co-responsabilização das instituições de formação. Diante do enfoque nas profissionais e em suas práticas, sugerimos que as profissionais se incluam para refletir sobre suas posturas, propiciando assim novas ontologias discursivas que facilitem a emancipação de si mesmas, das portadoras de HIV e das ONGs no contexto brasileiro atual.

  Palavras-chaves: Autocuidado, HIV/Aids, Portadoras de HIV, Profissionais de Apoio, Subjetividade.

Lucila S Mayor R de Andrade: Participação e Cidadania - O Esporte e a Educação em contexto comunitário (24/04/03, orientador: Liana Fortunato Costa)

  Este trabalho teve como objetivo pesquisar o esporte como veículo de educação para cidadania na comunidade, a partir da compreensão das relações que acontecem entre os participantes do programa esportivo de uma organização não governamental, em uma cidade satélite do Distrito Federal. Este estudo foi baseado na teoria sistêmica e da complexidade, e a intervenção foi desenvolvida por meio do método de pesquisa-ação. Os participantes foram os voluntários que trabalham na Ong, os jovens inscritos no treinamento de futebol de salão masculino, e suas famílias. Os instrumentos utilizados foram a observação participante e as oficinas que utilizaram relatos de experiência, estudos, sessões lúdicas de treinamento esportivo, e desenhos. As reuniões foram gravadas em fita cassete e transcritas para análise. As informações foram analisadas por meio da proposta da hermenêutica de profundidade que propõe uma reinterpretação das formas simbólicas da comunicação. A pesquisa avalia os desafios e os benefícios gerados por programas esportivos comunitários com objetivo de educação, a partir da percepção sobre cidadania de todos os participantes envolvidos. Os resultados mostraram os limites de programas comunitários que devem enfrentar os desafios da auto-sustentação, trabalho voluntário, carência, buscar modelo de trabalho com enfoque lúdico, e buscar política social significativa. Os pontos relevantes foram a competência das famílias como parceiras das organizações, o trabalho de promoção das redes sociais gerados pela interação, e a criação de ambientes favoráveis para o desenvolvimento de crianças resilientes. Para a Educação Física e a Psicologia Comunitária, esta proposta interdisciplinar trará outras perspectivas para a construção de pontes entre as áreas, que tanto beneficiará a academia quanto à comunidade. O resultado desta pesquisa tem um amplo campo de aplicação contribuindo significativamente para reflexão de trabalhos esportivos similares, para atividades de iniciação esportiva, para educação física escolar e para qualquer prática esportiva, onde o objetivo principal seja o desenvolvimento integral do ser humano. O grupo de pesquisa, visto como um grupo de crescimento, proporcionou novas reflexões sobre um tema de tamanha complexidade como o da Educação para Cidadania.

  Palavras chave: educação esportiva na comunidade, educação física e psicologia comunitária; participação; cidadania; ludicidade.

Marcelo Pio da Costa: O Pai. Quem? Metáfora paterna: Estruturação, identificação e gênero (23/04/2003, orientador: Tania Rivera)

  O presente trabalho tem como objetivo diferenciar o Nome-do-Pai da metáfora paterna, tendo aquele como efeito deste. Encontramos o Nome-do-Pai inscrito na subjetividade caso a metáfora tenha sido operada, valendo afirmar, portanto, que, sem ela, não há inscrição do mesmo. Quem opera a metáfora?Apontando o reducionismo teórico de alguns autores da teoria psicanalítica ao considerar o pai estritamente simbólico, sublinhamos a necessidade de se incluir o imaginário e o real na operação da metáfora paterna, pois é o pai enquanto sintoma que enoda os três registros.Esta dissertação considera parte integrante à metáfora os processos de identificação e escolha objetal, tocando diretamente a questão do gênero dos executores das funções parentais, assunto de altíssima relevância no processo de estruturação subjetiva. Para tanto, é necessário conclamar os representantes da raça humana a ocuparem os lugares simbólicos estratégicos na estruturação e identificação do sujeito, de forma a encarnarem a lei que a cultura os conferem: “A lei se encarna nos sujeitos sob as formas mais diversas, mais extravagantes, mais caricatas que se chama supereu”(Lacan 1995).Lacan, ao longo da sua obra, acusa a necessidade de “humanizar o desejo” (Lacan 1998), levantando a questão sobre o objeto do desejo da mulher e seu caráter não-anônimo: “A função de resíduo que sustenta e ao mesmo tempo mantém a família conjugal, na evolução das espécies, valoriza o irredutível de uma transmissão, que tem a constituição subjetiva implicando a relação com um desejo não-anônimo” (Lacan 1998).O ponto principal deste trabalho encontra seu ápice na discussão sobre o sexo do objeto de desejo da mulher, defendendo a idéia da metáfora paterna ser operada por um sujeito de sexo oposto ao sujeito que desempenha a função materna. Considerando a mulher como representante do lugar materno por excelência, o homem seria o executor da metáfora: “Mas ela encontra o significante de seu próprio desejo no corpo daquele a quem sua demanda de amor é endereçada” (Lacan in Escritos, p.701). Além destes pontos já citados, esta dissertação propõe trabalhar a questão da metáfora paterna  na análise a partir da consideração do caráter não-decidido das estruturas clínicas na infância, tendo na posição do analista uma similaridade com a do pai como causa de desejo. Assim posto, a questão sobre a ocupação dos lugares simbólicos tem sua amplitude à medida que inclui o corpo dos executores das funções simbólicas, inclusive o corpo do analista.

  Palavras-chave: Estruturação, identificação, gênero, Nome-do-Pai, funções

Roberta Nacfur Macedo: Encenações do eu e do outro: transferência, posição do analista, escrita (07/05/03, orientadora: Tania Cristina Rivera)

  A clínica psicanalítica não pode ser pensada longe da experiência e da noção da transferência, e é nesta mesma e na proposta de seu manejo que vamos buscar a idéia da posição do analista, entendida mais do que como o lugar que o analista ocupa na transferência, mas como a implicação de seu próprio ser desempenhando um papel de operador clínico. Neste trabalho pensamos a posição do analista implicada dentro da divisão constituinte do sujeito psicanalítico entre o eu, miragem imaginária de totalidade e o sujeito evanescente, acolhendo essa divisão como a matéria prima de sua posição e do próprio trabalho de análise. A posição do analista se caracterizada por um movimento de colocar-se em trânsito entre os pólos desta divisão, trânsito este que apresenta uma tendência à renúncia do eu, marcada pela abstinência em atuar e em assumir um nome, que não pode ser mais que vacilante. Esta particularidade, este preço a ser pago pelo ser do analista ao ocupar sua posição nos apresenta a necessidade de outras atividades que, se não são imprescindíveis são complementares ao trabalho clínico, no sentido de conferirem ao analista uma saída para a questão da renúncia. A escrita psicanalítica é uma dessas atividades que se mostra como uma alternativa. No entanto, ao nos aprofundarmos em seu movimento, nos surpreendemos com a escrita, por esta também estar submetida à condição de cisão do sujeito, de fato é desta condição que ela tira toda a sua riqueza, exatamente como o trabalho de análise. Sendo assim a posição do analista, como parte do trabalho de análise e a posição de autoria como parte do trabalho da escrita, estão implicados, não só numa posição de renúncia, a primeira dentro de uma questão ética e a segunda dentro de uma dimensão estética, como numa disposição de tomar a própria divisão como a possibilidade de seu trabalho.

Fabiana Vieira Gauy: Avaliação da Criança no Ambulatório de Saúde Mental: Comparação Entre um Procedimento Grupal e Individual (12/05/2003, orientadora: Suely Sales Guimarães)

  O reconhecimento da alta incidência de problemas comportamentais e emocionais durante a infância e do impacto desses problemas ao longo da vida das pessoas afetadas, implica a necessidade de técnicas acuradas de avaliação do repertório comportamental do indivíduo, de modo a auxiliar a decisão sobre a intervenção e a escolha do procedimento mais adequado para intervir. Entretanto, a literatura é escassa em estudos sobre a eficácia e peculiaridades de diferentes procedimentos de avaliação em saúde mental infanto-juvenil. O objetivo deste estudo foi comparar os resultados obtidos em dois procedimentos – um grupal e outro individual – para avaliação do comportamento da criança através da queixa materna. Participaram deste estudo 29 mães que buscavam atendimento para seus filhos em uma unidade de saúde mental infanto-juvenil e que concordaram em participar dos dois procedimentos de avaliação. A avaliação grupal (AG) foi realizada através do procedimento de rotina do serviço, que consistia em uma entrevista aberta com as mães, conduzida por uma equipe de profissionais. A avaliação individual (AI) consistiu em uma entrevista estruturada elaborada a partir dos itens do Child Behavior Checklist (CBCL) e conduzida por uma profissional treinada. As participantes foram designadas alternadamente para dois grupos, de modo que 48% delas participou primeiro da entrevista individual e 52% participou primeiro da entrevista grupal. Os resultados obtidos foram comparados tomando como referência o total de 67 categorias comportamentais e quatro variáveis contextuais identificadas através da entrevista individual. As categorias encontradas foram distribuídas em duas áreas e sete classes. A área de Problemas Internalizantes incluiu as classes Isolamento, Queixas Somáticas e Ansiedade/Depressão; e a área de Problemas Externalizantes incluiu as classes Problemas de Atenção, Comportamento Delinqüente e Comportamento Agressivo. As variáveis contextuais foram classificadas em Outras Variáveis Relevantes. Os resultados mostraram um número maior de dificuldades comportamentais identificadas pela avaliação individual (864) do que pela avaliação grupal (120). As duas avaliações identificaram mais Problemas Externalizantes (AI:419; AG:71) do que Problemas Internalizantes (AI 381; AG:26), com maior diferença na classe Ansiedade/Depressão (AI:236; AG:15) e a menor diferença na classe Problemas de Atenção (AI:120; AG:38). Estes resultados mostram que um número substancialmente maior de comportamentos problema foi identificado através de entrevista individual estruturada do que através de entrevista grupal aberta realizada com os mesmos informantes. É possível que o uso de um roteiro estruturado em entrevistas grupais possa oferecer mais informações com otimização do tempo de avaliação.

Palavras-chave: avaliação comportamental; entrevista grupal; entrevista individual; saúde mental infanto-juvenil.

Larissa Guimarães Martins Abrão: O Feminino e o Masculino em “Malhação”: identidade e identificação de adolescentes frente à telenovela (15/04/2003, orientadora: Maria Helena Fávero)

  Levando-se em conta que o processo de desenvolvimento se dá em meio ao contexto social, cultural e histórico, e que o papel da mídia é fundamental na configuração deste contexto, este trabalho tem por objetivo investigar as questões de gênero presentes nos atos da fala de adolescentes, numa situação de interação focada em uma cena da telenovela brasileira “Malhação” (rede Globo, edição 2001), tomando por  base as narrativas midiáticas na construção da identidade de gênero. O trabalho foi desenvolvido com 47 sujeitos de ambos os sexos, estudantes da sexta e oitava séries do primeiro grau e da primeira e terceira séries do segundo grau, de duas escolas de Ituiutaba/MG, sendo 23 sujeitos de uma escola da rede pública e 24 sujeitos da uma escola da rede particular de ensino. Os sujeitos foram divididos em oito grupos heterogêneos quanto ao sexo (quatro grupos em cada escola), formados por seis participantes, três sujeitos femininos e três masculinos, aos quais era apresentada uma cena, de aproximadamente oito minutos, de “Malhação”. Em seguida, os sujeitos eram solicitados a discutir a referida cena. A discussão dos sujeitos, em todos os grupos, foi registrada em áudio e vídeo e a transcrição destes registros foram submetidas à análise dos atos da fala. Os resultados mostram que, sobretudo com os sujeitos da 6ª e 8ª séries, independentemente da rede de ensino á qual se vinculam, há o predomínio da discussão sobre o julgamento moral dos personagens da cena escolhida. Os sujeitos da terceira série, principalmente aqueles pertencentes à rede particular, afastam-se deste objeto de discussão para centrar-se em objetos mais gerais, tais como o papel da mídia, a distribuição de renda, etc. Os resultados sugerem, também, que apesar de haver uma dominação feminina em termos de freqüência de manifestações verbais, a análise dos atos da fala leva a crer que ainda se reverbera o discurso da polarização e da distribuição de papéis generizados, que privilegiam o status masculino.

Palavras-chave em português: desenvolvimento; identidade; gênero; mídia; atos da fala

JuliJuliana Maria Fernandes Pereira: A adoção tardia frente aos desafios na garantia do direito à convivência familiar (16/05/03, orientadora: Liana Fortunato Costa)

 

  A realização do presente estudo partiu do questionamento da relação causal entre a escassez de adotantes e as dificuldades encontradas na adoção tardia. O objetivo foi investigar a articulação entre Justiça e abrigo quanto ao cadastramento de crianças maiores e adolescentes para estas adoções. Participaram da pesquisa profissionais de uma Vara da Infância e Juventude (Juiz Titular e duas técnicas) e de um abrigo (dois diretores, uma técnica, uma administradora e quatro mães-sociais), além de duas crianças e três adolescentes considerados passíveis de adoção pela instituição. Norteada pela proposta novo-paradigmática, através do pensamento sistêmico, a investigação privilegiou a metodologia qualitativa, utilizando-se da Hermenêutica de Profundidade como referencial metodológico. Os dados foram coletados através de entrevistas semi-dirigidas e técnica de colagem. Os resultados evidenciaram a importância do processo que antecede o cadastramento para adoção, pautado no esgotamento de recursos para a manutenção na família de origem. Neste percurso constatamos: a) situação de abandono da família biológica; b) fragmentação das ações e abandono da rede de atendimento; c) tradições assistencialistas; d) abandono e privação de direitos de crianças e adolescentes; e) dificuldades na articulação entre a Justiça e abrigos, com indicativos de mudança; f) demanda por alternativas de colocação familiar; g) participação da subjetividade dos profissionais nas ações; h) dificuldades inerentes à realização das adoções tardias no contexto brasileiro; i) e, finalmente, importância de se atentar para o vínculo com o abrigo nos casos de encaminhamento para família adotiva. Mais do que a adoção, a pesquisa evidenciou a emergente ideologia da desinstitucionalização, baseada na garantia do direito à convivência familiar. As principais conclusões se referem à importância do trabalho interdisciplinar e interinstitucional, no qual a atuação do profissional capacitado é imprescindível. O estudo evidenciou a necessidade de um trabalho de autogestão co-participativa, de investimento nos profissionais e no modelo de atendimento nos abrigos, além de maior implicação da sociedade. 

  Palavras-chave: adoção tardia; direito à convivência familiar; abrigo, desinstitucionalização.

Manoel Rodrigues-Neto: Comportamento precorrente: Efeitos da média e variação do preço sobre a duração da procura por produtos em um supermercado (19/05/03, orientador: Jorge Mendes de Oliveira-Castro)

A procura almeja, dentre outros, aumentos na magnitude dos reforços (ganhos em qualidade) e diminuições dos custos (preços mais baixos) na compra de produtos.  Assim, sendo a procura pré-compra influenciada pelas conseqüências do comportamento de compra e consumo, pode ser considerada como um comportamento precorrente, ou mediador para o comportamento de compra.  A literatura tem indicado efeitos de diversas variáveis, como o preço base e a variação de preços, na predição da freqüência e duração da procura.  Estudos anteriores têm atribuído uma tendência de duração maior da procura por produtos com preços médios mais elevados a uma provável relação direta entre preço base e variação de preços.  Deste modo, quanto maior a variância de preços observada, maior seria a probabilidade de que a procura mais demorada seja reforçada.  O presente estudo pretende isolar estas duas variáveis seguindo uma análise operante, propondo uma investigação sobre os efeitos do preço base e da variação de preços sobre a duração do comportamento de procura por produtos em um supermercado, utilizando uma metodologia de observação direta do comportamento dos consumidores.  No Experimento 1, visando investigar os efeitos do preço base, foram utilizados produtos com variação semelhante de preços e preços médios diferentes.  No Experimento 2, visando investigar os efeitos da variação de preços, foram selecionados dois produtos com variações diferentes para os preços e preços base semelhantes.  Os resultados do Experimento 1 indicaram uma menor duração de procura para produtos com preços médios diferentes e variação de preços semelhantes.  No Experimento 2, a duração da procura por produtos com preços semelhantes e variação de preços diferentes não diferiu significativamente.  Desta forma, os resultados não corroboram sugestões de estudos anteriores.  A partir dos dados do presente estudo, sugere-se uma influência maior do preço base que a variação de preços sobre a duração do comportamento de procura por produtos em um supermercado. 

Palavras-chaves: análise do comportamento, comportamento do consumidor, comportamento de procura, preço médio, variação de preços.

Míriam Cássia Mendonça Pondaag: O dito pelo não dito: desafios no trabalho com mulheres vítimas de violência (14/05/03, orientadora: Gláucia Ribeiro Starling Diniz).

Este estudo buscou entender a violência familiar a partir da experiência de vida de mulheres na meia idade. O enfoque teórico utilizado foi a perspectiva sistêmica feminista. A pesquisa teve quatro objetivos: 1. avaliar as reações de mulheres à oferta de intervenção grupal voltada para vivências de violência conjugal e familiar; 2. entender as concepções que as mulheres têm da violência; 3. identificar formas de enfrentamento da violência; 4. identificar crenças sobre os papéis do homem e da mulher na vida familiar. A hipótese central foi que a concepção das mulheres sobre o que constitui ou não violência estaria intimamente relacionada com suas crenças sobre os papéis de homens e mulheres na vida conjugal e familiar. Outra hipótese foi que as concepções das mulheres sobre violência influenciariam a escolha de formas de enfrentamento para lidar com tal situação. Os dados foram coletados em quatro grupos de mulheres e em sete entrevistas individuais com algumas das participantes dos grupos. Essas atividades fizeram parte de um projeto de pesquisa-ação desenvolvido na rede pública de saúde. Esse projeto visa a promoção e prevenção da saúde mental da mulher. O método proposto por Spink e Lima (2000) para a pesquisa com práticas discursivas foi utilizado na interpretação dos dados. As mulheres demonstraram ter uma visão tradicional e estereotipada dos papéis masculinos e femininos na relação conjugal e familiar. A adoção de papéis de gênero tradicionais constitui a base da identidade feminina. Entretanto, isso gera insatisfação e cria obstáculos para que as mulheres construam sua existência como seres autônomos. Esta impossibilidade, por si só, pode ser tida como violência sutil. Outro dado importante é que as participantes internalizaram a tendência social de responsabilizar a mulher (pelas dificuldades) pelos fracassos da vida familiar e pela ocorrência de violência. Essa internalização ofusca a possibilidade delas se colocarem na condição de vítimas, especialmente no tocante à violência sexual. Isso explica parcialmente a dificuldade delas de procurarem ajuda. Apesar de terem se referido às suas experiências conjugais e familiares como difíceis e geradoras de estresse e sofrimento, poucas mulheres nomearam os padrões de relacionamento e de resolução de conflitos como violência. O silêncio, o segredo, e o não dito são marcas que caracterizam a forma de lidar com a violência presente em suas vidas. A ausência de nomeação e de uma concepção de suas vivências como violência familiar, somadas à falta de reconhecimento de sua condição de vítimas, destituem de sentido a proposta de participar de uma intervenção grupal para lidar com essa questão. As participantes tenderam a usar formas passivas de enfrentamento da violência. Dentre elas, destacam-se as tentativas de evitar a ocorrência de violência ou de minimizar os riscos mais imediatos dos episódios de agressão. O rompimento do vínculo amoroso aparece como a última forma de lidar com a violência. A dificuldade de enfrentamento da violência sexual é muito grande. Ficou evidente que a postura tradicional em relação aos papéis de gênero afeta as atitudes e as reações das mulheres à violência. As mulheres tiveram dificuldade de participar do trabalho grupal oferecido. Concluiu-se que a forma como o trabalho grupal é proposto tem impacto na qualidade de participação. Em três dos grupos apenas uma ou duas reuniões aconteceram. Nesses grupos a proposta de lidar com a violência foi explicitada. No quarto grupo a temática da violência não foi colocada como foco do processo. Nesse caso tanto a evasão grupal quanto a resistência ao registro dos encontros foram menores. Falar de violência no contexto grupal tem implicações. De um lado, a mulher que relata um episódio de violência que esteve guardado como segredo durante anos tem dificuldade de permanecer no grupo. Por outro, o próprio grupo sente o peso de histórias tão marcadas pela violência. Constatamos que é fundamental refletir sobre os desafios envolvidos na construção de  propostas de  intervenção no caso da violência contra a mulher. Sugere-se que em instituições que não estejam voltadas especificamente para a questão da violência, como é caso dos serviços de saúde, a temática não seja colocada como foco dos trabalhos grupais. Um espaço de aceitação e confiança deve ser criado para que a temática da violência possa emergir espontaneamente, de modo que seja menos ameaçador nomear e falar dela.

Palavras-chave: violência familiar, intervenção grupal, gênero, saúde mental da mulher.

Yvanna Aires Gadelha: Fortalecimento e Generalização de Comportamentos Sociais de Crianças com Deficiência Auditiva (13/05/2003, Orientadora: Laércia Abreu Vasconcelos)

O conceito de generalização tem sido amplamente utilizado tanto na pesquisa básica quanto na aplicada e sua importância é clara também no contexto de atuação do profissional psicólogo. Entretanto, a diversidade de utilização do conceito, com significados diferentes, dificulta a compreensão do fenômeno e indica a necessidade de maiores investimentos nos campos conceitual e empírico. Este estudo apresenta a variação conceitual desde a década de 30, uma revisão dos procedimentos utilizados no estudo da generalização com animais e humanos e uma análise de estudos sobre comportamentos sociais, uma área que se beneficia do estudo sobre a generalização de estímulos. Buscou-se investigar os efeitos de diferentes níveis de similaridade, parâmetro freqüentemente utilizado na descrição da generalização de estímulos, sobre a freqüência de comportamentos sociais fortalecidos e generalizados de oito crianças com deficiência auditiva. Os participantes foram expostos a um de dois procedimentos de treino: o treino de comportamentos sociais associado à manipulação de variáveis que podem facilitar a ocorrência de generalização pós-treino dos comportamentos alvo (TCSG) e o treino de comportamentos sociais (TCS). A similaridade foi definida a partir de três aspectos: espaço físico, tarefas e composição dos pares. No TCSG, a similaridade com o contexto escolar foi favorecida: (1) pelo uso de uma sala freqüentemente visitada pelas quatro crianças expostas a esse procedimento; (2) pelo uso das tarefas de colorir e brincar, semelhantes às realizadas em sala de aula e no recreio e (3) pela composição de um par de crianças que freqüentavam a mesma turma. No TCS, a similaridade com o contexto escolar foi diminuída: (1) pela utilização de uma sala pouco familiar às crianças; (2) pelo uso de tarefas incomuns na rotina escolar, cozinhar e montar quebra-cabeça e (3) pela presença de um par de crianças que não compartilhavam a mesma turma na escola. Ambos os procedimentos envolveram instruções, reforçamento social e feedback verbal que especificava os comportamentos sociais funcionais. Os comportamentos alvo foram selecionados a partir da observação direta em sala de aula e no recreio das crianças com dificuldades de interação social indicadas pela direção, coordenação e professores da escola. Dois testes de generalização foram realizados: (1) no ambiente experimental, em condição de extinção, com a variação da distância da experimentadora em relação às crianças e (2) no ambiente natural, em sala de aula e no recreio. Os efeitos sobre o desempenho dos participantes nos ambientes experimental e natural foram semelhantes para os dois procedimentos. Ambos foram efetivos em aumentar a freqüência dos comportamentos sociais funcionais e diminuir a freqüência dos comportamentos sociais disfuncionais de todas as crianças em todos os ambientes. Esse resultado pode ser explicado pela similaridade funcional entre os procedimentos e o contexto natural. As tarefas selecionadas, o uso de pares e de reforçamento social, associado à seleção de comportamentos alvo com significância social no contexto natural dos participantes, podem ter contribuído para a ocorrência de generalização de comportamentos sociais funcionais observada em ambos os procedimentos de treino.

 

Palavras-chave: generalização de estímulos; similaridade física; similaridade funcional; comportamento social; reforço social.

 

  Cristina Porto Costa: Quando tocar dói: Análise Ergonômica do Trabalho de violistas de orquestra ( 05/6/2003, orientadora: Júlia Issy Abrahão)

Ao longo da vida profissional, os músicos confrontam-se com demandas que podem conduzir ao adoecimento e mesmo à interrupção de suas carreiras. Tal fato solicita reflexões que possibilitem a construção de perspectivas mais saudáveis na prática instrumental. A Ergonomia, baseada em seus eixos de bem-estar, segurança, eficiência e eficácia no processo produtivo, pode contribuir de forma significativa ao entendimento destas questões. Este estudo foi realizado em contexto de orquestra sinfônica vinculada ao Governo do Distrito Federal, com o objetivo de investigar a ocorrência de queixas de dor relacionadas ao tocar em músicos violistas e detectar possíveis indicadores de fatores de risco presentes na situação de trabalho. Para tanto, adotou-se como metodologia a AET – Análise Ergonômica do Trabalho, centrada no estudo da atividade. A amostra consistiu de seis violistas (N=6), cuja experiência varia entre 1 e 29 anos. Cinco dos sujeitos sentem dor e as estratégias adotadas para seu gerenciamento são de cunho individual e coletivo, o que requer aprofundamentos. Questões referentes à rigidez das relações hierárquicas foram sinalizadas pelos músicos como relevantes à ocorrência de dor. Os resultados apontam para a existência de fortes constrangimentos advindos da organização do trabalho e ressaltam a variabilidade que perpassa as dimensões física, cognitiva e psíquica da atividade. A articulação destes elementos revelou-se contundente para a intensificação das queixas de dor. Considerando os dados obtidos, são feitas algumas recomendações no sentido de transformar as condições de trabalho dos músicos e possibilitar maior flexibilização quanto à organização do trabalho.

 

Palavras-chaves: dor, violista, orquestra, ergonomia

 

Sandra Eni Fernandes Nunes Pereira Drogadição e atos infracionais entre jovens na voz do adolescente em conflito com a lei do DF. (15/05/2003, orientadora: Maria Fátima Olivier Sudbrack)

Por meio de uma abordagem sistêmica e psicossocial, partimos do pressuposto de que, em contexto de pobreza e exclusão social, a drogadição não se limita a uma dependência do sujeito em relação ao produto, mas compreende níveis de dependência relacional, favorecendo a inserção do adolescente no circuito da delinqüência. O presente estudo tem como objetivo descrever e discutir a relação entre esses níveis de dependência e a prática de atos infracionais entre os jovens, na perspectiva do adolescente em conflito com a lei. A metodologia utilizada foi qualitativa, sendo os dados coletados através de entrevistas semi-estruturadas, aplicadas em 29 adolescentes, autores de infração, da Vara da Infância e Juventude de Brasília. O método de análise refere-se à análise de conteúdo do tipo construtivo-interpretativo. Os resultados apontam várias conexões entre os níveis de dependência relacional e a prática de infrações que foram divididos em dois grandes eixos: o ato infracional e a dependência de efeitos e crenças; e o ato infracional e as dependências de contexto (dependências relacionais afetivas, dependência dos pares, do provedor e do fornecedor). Os diferentes níveis de dependência identificados na voz dos adolescentes mostram a multiplicidade e complexidade das relações entre a drogadição e a prática de atos infracionais entre jovens e, portanto, a necessidade de um trabalho de intervenção em rede.

Palavras chave: Adolescente em conflito com a lei, drogadição, atos infracionais, redes sociais.

 

Maurício Miranda Sarmet: Análise Ergonômica de Tarefas Cognitivas Complexas Mediadas por Aparato Tecnológico: Quem é o Tutor na Educação a Distância? (24/06/03, orientadora: Júlia Issy Abrahão)

As inovações tecnológicas têm assumido um papel de destaque como elemento de mudança social. Tal mudança é evidenciada, nas diferentes formas de produção humana, pelo papel norteador da tecnologia na construção, aplicação e transmissão de conhecimentos. Os sistemas informatizados e a Internet vêm sendo usados como ferramentas de apoio à educação, tanto no ensino presencial quanto a distância. A Educação a Distância – EaD - tem adquirido força por ampliar a possibilidade de educação às pessoas que não possuem tempo para o ensino formal ou que estão distantes das instituições de ensino. Assim, o processo pedagógico passa a ser mediado por aplicativos informatizados, muitas vezes utilizando a Internet como via de acesso, por um lado contribuindo para o aprimoramento da relação ensino-aprendizagem, e por outro estruturando e delimitando o papel dos diferentes atores nesta relação. O objetivo do presente trabalho é verificar qual é o papel do tutor na EaD e qual a influência dos aparatos tecnológicos informatizados na sua atividade. O estudo foi realizado em uma Escola que oferece cursos técnicos a distância com suporte via Internet. A amostra foi composta por 4 tutores, de uma equipe de tutoria composta por 5 funcionários, com tempo de serviço variando de 1 semana a 3 anos, 3 deles com superior completo, e com experiência anterior na função. A metodologia utilizada foi a Análise Ergonômica do Trabalho – AET, com base no modelo de Análise Cognitiva da Tarefa – ACT, proposto por Marmaras e Pavard. Foram realizadas entrevistas com os tutores, análise do Portal da Escola por 5 especialistas, análises dos textos das sessões de chat (onde há o maior contato com os alunos), bem como observações globais e sistemáticas, o que permitiu a elaboração de uma crônica da atividade dos tutores neste estabelecimento. Os resultados apontam a incerteza e a variabilidade das demandas dos alunos e, conseqüentemente, das ferramentas utilizadas, como elementos que complexificam a atividade do tutor. Eles se manifestam pela multiplicidade de tarefas, pela natureza das demandas, pela quantidade e qualidade das ferramentas, pela pressão temporal, pela quantidade de tutores e pela instabilidade do sistema. Estes elementos exigem que os tutores tratem diferentes informações simultaneamente, executem um número elevado de ações, antecipem demandas, procedimentos e interrupções, buscando estratégias operatórias que minimizem o custo cognitivo de atenção constante e dividida, memória e resolução de problemas. Ao final, são elaboradas recomendações referentes à organização do trabalho e à usabilidade das ferramentas visando a melhoria do trabalho dos tutores. Da mesma forma, discute-se a necessidade de compreender melhor quem é o tutor na EaD, fornecendo parâmetros mais claros para a concepção e avaliação de ferramentas informatizadas que facilitem o seu trabalho.

Palavras chaves: ergonomia cognitiva, tarefas cognitivas complexas, educação à distância, usabilidade, sistema informatizado, tutor.

Janaina Bianca Barletta: Treinando respostas de adesão ao tratamento em portadores de AIDS hospitalizados: um estudo exploratório (11/ junho/ 2003, orientadora: Suely S Guimarães).

  Adesão ao tratamento vem sendo estudada ao longo do tempo. Uma definição de adesão muito encontrada na literatura é o seguimento rigoroso da prescrição médica por parte do paciente associado ao comportamento de colaboração mútua de promoção de saúde entre profissionais e paciente. A não-adesão é universal por ser um comportamento controlado por inúmeras variáveis e que exige respostas múltiplas. Além disso, a adesão interfere diretamente na eficácia do tratamento, tornando-se uma preocupação constante para os profissionais de saúde. A AIDS, a partir da introdução da terapêutica medicamentosa com anti-retrovirais (ARV), ganhou característica de doença crônica, com o prolongamento da vida de pacientes portadores do HIV. A adesão precária pode provocar resistência do vírus ao medicamento e piora geral no estado de saúde do paciente. Com o objetivo de desenvolver um procedimento para treino de adesão ao tratamento entre portadores de HIV/AIDS hospitalizados, este estudo realizou um procedimento sistematizado, com sessões subseqüentes em seis pacientes internados no HUB. Foi realizada uma entrevista inicial semi-estruturada com  objetivo de identificar as barreiras de adesão e descrever o repertório inicial do participante e que serviu de base para a realização do treinamento. Assim, a entrevista abarcou aspectos sobre o sistema de crenças e conhecimento sobre o vírus e tratamento, as dificuldades do uso do ARV, descrição da rede de suporte social e as mudanças decorrentes do diagnóstico. O treinamento focou o aumento de informações corretas, treino em soluções de problemas e mudança de crenças distorcidas. O treinamento foi composto de oito sessões que seguiam um elenco de sete temas flexíveis e seqüenciados conforme a demanda do participante: (a) educação e orientação, (b) medicação, (c) adesão, (d) doenças oportunistas, (e) alimentação, (f) enfrentamento da doença e (g) relaxamento. O critério para mudança de tema era o entendimento do participante, verificado através de um teste de compreensão. Os resultados mostraram lacunas importantes no repertório dos participantes, incluindo o desconhecimento do significado de CD4+ e carga viral, da importância da adesão ao ARV conforme prescrita e conseqüências da adesão precária. Outro problema encontrado foi a falta de habilidade em lidar com situações aversivas em decorrência da doença, assim como crenças negativas em relação ao tratamento. Os efeitos colaterais e as características da medicação foram apontados como barreiras de adesão significativas. As sessões de treinamento duraram em média 40 minutos. A maior dificuldade encontrada pelos participantes em relação ao treinamento foi a repetição dos nomes técnicos como Transcriptase Reversa. A partir de uma orientação personalizada e direcionada atendendo as especificidades de cada participante foi possível aumentar o repertório de comportamentos assertivos.

Palavras chaves: AIDS; hospitalização; treinamento, adesão.

Ricardo Aurélio F Matos: Efeitos do grau de precisão e antecipação da apresentação de regras na determinação do comportamento operante (08/08/2003, orientador: Carlos Eduardo Cameschi)

O controle exercido por regras  vem sendo amplamente investigado pelos analistas do comportamento. O objetivo deste trabalho consistiu em investigar os efeitos da apresentação de regras com diferentes graus de precisão no início ou 24 horas antes da sessão experimental. O experimento foi realizado em duas fases com 52 estudantes universitários. A tarefa consistiu em clicar e arrastar sílabas sem sentido ZAF e WUP para uma das caixas dispostas lado a lado na parte inferior do monitor; as respostas de seguir ou não-seguir as regras foram reforçadas em razão fixa dois (FR 2). A manipulação da precisão das regras foi de acordo com a porcentagem estipulada para seguir que, neste trabalho, foi de 100%, 50% e 0% de precisão das regras. Na Fase A havia a possibilidade de acúmulo na oportunidade para obtenção do reforço por seguir e não seguir as regras, em duas tentativas sucessivas; na Fase B esta possibilidade foi eliminada. Os dados mostraram que o comportamento de seguir as regras foi sensível à mudança na precisão das mesmas em todos os participantes. O momento em que a instrução foi fornecida não se mostrou relevante no controle do comportamento, pois os dados dos grupos que receberam as instruções 24 horas antes e dos que as receberam imediatamente antes da tarefa não mostraram diferenças significativas quanto ao seguimento de regras. Esses resultados sugerem que as contingências de reforço, a despeito de estar ou não em acordo com as regras, assumiram o controle do comportamento em função de suas propriedades discriminativas.

 Palavras chaves: controle instrucional, seguimento de regras, exposição antecipada e precisão das regras.

Liana Salmeron Botelho De Paula: Ouvindo os sinais. Desenvolvimento e Interação de crianças surdas inseridas na escola regular e na escola especial (08/05/2003, orientadora: Maria Cláudia Santos Lopes De Oliveira)

 

A Educação Especial se baseia na premissa de que os portadores de necessidades educativas especiais devem ser respeitados em sua individualidade e é papel das instituições sociais garantir condições para sua plena inclusão social. Na era da informação, o acesso às condições de comunicação e ao conteúdo das informações são aspectos importantes da inclusão social das pessoas com surdez. Todavia, deve-se levar em conta os aspectos econômicos, educacionais e sociais, que, na complexa realidade brasileira, constituem barreiras à inclusão. O objetivo geral desse trabalho é analisar as interações criança-criança e professoras-crianças que podem ser caracterizadas como expressão de diferentes tipos de motivação social (cooperação, competição e individualismo).  Nos contextos de duas escolas, uma especial e outra regular, foram observadas as pautas interativas e comportamentais de 5 crianças surdas, freqüentando classe de apoio pedagógico, na escola especial e, em turno alternativo, em seu primeiro ano de inserção  na escola regular. Procurou-se examinar as interações de crianças surdas com seus colegas ouvintes e dos próprios surdos entre si, nos dois contextos escolares, a fim de explorar o desenvolvimento de padrões de interação cooperativos, competitivos e individualistas. O que se pretende é identificar a influência desses padrões interativos no desenvolvimento – ou constrições ao mesmo – de crianças surdas, tendo em conta as especificidades da competência social e comunicativa dos portadores de deficiência auditiva severa. O estudo apresenta uma abordagem teórica sociocultural construtivista e uma metodologia qualitativa e interpretativa. Foi realizado utilizando-se a análise em contexto de situação natural, envolvendo a apreciação de seqüências interativas, observadas no contexto das salas de aulas dos ensinos regular e especial freqüentadas pelos sujeitos. Tais seqüências foram analisadas tendo em conta os detalhes do processo interativo envolvendo os participantes, com especial ênfase  nos processos de motivação social em ambos contextos observados. Dentre os resultados obtidos podemos observar que, quando inseridos no contexto da escola regular, as crianças surdas se mostram mais cooperativas entre si, ao passo que no Centro de Ensino Especial assumem posturas marcadamente competitivas. Tal fato pode ser compreendido quando se considera a possibilidade de o contexto da escola regular ser percebido pelas crianças surdas como um ambiente com graves barreiras a superar, o que se define pelo caráter das atividades propostas e das práticas sociais em que ouvintes e surdos são inseridos – atividades de conteúdo pedagógico, jogos e interações informais. Como exceção, pôde-se observar situações e atividades propiciadoras de formação de zonas de desenvolvimento proximal no grupo dos surdos e entre estes e os ouvintes ou com as professoras. No tocante a essas últimas, as análises apontam a centralidade de seu papel na constituição do padrão motivacional apresentado pelos alunos.

Palavras chaves: sociocultural construtivista, interações, crianças surdas, motivação social, cooperação, competição, individualismo

Wladimir Jatobá de Menezes: Atendimento Presencial em Auto-Atendimento Bancário!? Um Paradoxo à Luz da Lógica dos Clientes, dos Atendentes e dos Gestores (14/08/2003, orientador: Mário César Ferreira).

Esta dissertação em Ergonomia da Atividade tem como objetivo geral compreender o paradoxo existente entre atendimento presencial em auto-atendimento, a partir da análise das lógicas que caracterizam os interlocutores e suas mediações dentro de um contexto de produção de bens e serviços bancários. O quadro teórico adotado para investigar e compreender o objeto do estudo teve como enfoque teórico conceitual o campo da Ergonomia do Trabalho, de origem franco-belga,  aplicada ao serviço de atendimento ao público, que se apóia em um modelo teórico descritivo que trata as situações de atendimento como uma resultante da lógica dos gestores, dos clientes e dos atendentes (Ferreira, 2002). A Análise Ergonômica do Trabalho (AET), apoiada ao modelo teórico descritivo, mostrou-se uma ferramenta eficaz para o estudo e a compreensão das mediações dos três interlocutores presentes no contexto de produção de bens e serviços bancários. A partir dos aspectos que caracterizam o modo de gestão, o modo de utilização dos serviços e o modo de ser e agir, respectivamente dos gestores, clientes e atendentes, evidenciou-se que, em relação ao paradoxo atendimento presencial em auto-atendimento, existe um consenso entre todos os interlocutores quanto à permanência dos atendentes nesse serviço. Sob a lógica dos gestores, estes se posicionam favoráveis, pois além de incrementar as suas intermediações financeiras, passa a cumprir uma das diretrizes das estratégias de atendimento que é potencializar as oportunidades de negócios; sob a lógica dos clientes, estes se posicionam favoráveis, pois o paradoxo não influi nos seus modos de utilização de serviços;  e, sob a lógica dos atendentes, estes se posicionam favoráveis, pois se sensibilizam com as dificuldades encontradas pelos clientes em suas operações nos terminais, apontam que os terminais não são 100% auto-instrucionais e que as atualizações constantes das operações justificam manter o atendente. O posicionamento dos três interlocutores levou às seguintes conclusões: em relação aos gestores – existe uma tendência em transformar o atendente nos 'braços, pernas e cabeça’ do banco, que se personifica no atendente, abandonando sua condição de ser abstrato; em relação ao cliente – percebe-se uma tendência em despersonificar o atendente, substituindo e encarnando a figura do banco na identidade singular do atendente; e por fim, em relação ao atendente – este tende a incorporar o banco, e na busca da estratégia de defesa como forma de aliviar o seu sofrimento, o trabalhador termina por naturalizar o sofrimento e por confundir os seus próprios desejos com os da organização, alienando-se e cristalizando toda e qualquer tentativa de mudança na situação de trabalho.

Palavras chave: Ergonomia da Atividade, Auto-atendimento Bancário, Custo Humano do Trabalho e Estratégia de Mediação.

 

Sandra Regina Ayres Rocha: “O pior é não ter mais profissão, bate uma tristeza profunda”: sofrimento, distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho e depressão em bancários (20/08/2003, orientadora: Ana Magnólia Bezerra Mendes)

Este estudo de caso investiga o processo de adoecimento por Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (Dort) e a depressão desenvolvida em sua conseqüência. Os participantes são bancários afastados do trabalho por acometimento de Dort. O referencial teórico é da psicodinâmica do trabalho que investiga a saúde psíquica dos trabalhadores, obtida pela constante luta pelo prazer e evitação do sofrimento no trabalho. O prazer é concebido como uma vivência de satisfação, expresso por meio da gratificação, da realização, do reconhecimento, da liberdade, da valorização no trabalho. O sofrimento diz respeito a uma experiência dolorosa relativa a sentimento de angústia, medo ou insegurança. Ambos constituem um constructo único, dialético, influenciado pelo contexto de produção de bens e serviços a que está submetido o trabalhador. Este contexto contempla as condições de trabalho, a organização do trabalho e as relações socioprofissionais. Na interação do trabalhador com seu contexto de produção, dá-se o estabelecimento de estratégias de mediação que podem ser mobilização coletiva ou estratégias defensivas. A primeira transforma situações geradoras de sofrimento em fonte de prazer e as últimas evitam o contato dos trabalhadores com a experiência dolorosa. Além deste referencial, o estudo apóia-se, também, na literatura sobre Dort e sobre depressão. Dort refere-se a diversas patologias do sistema músculo-esquelético que acometem extremidades superiores, têm início insidioso e podem resultar em incapacidade laborativa. O conceito de depressão utilizado refere-se à Depressão Essencial, cujo elemento característico é o embotamento afetivo com desaparecimento do prazer em todas as instâncias da vida e robotização dos comportamentos. A metodologia do estudo contempla estratégia qualitativa para análise e coleta de dados. Utilizam-se entrevistas coletivas e individuais semi-estruturadas com, respectivamente, 19 e 7 participantes. Todas as entrevistas foram submetidas à análise categorial temática por juízes. Os resultados para as entrevistas coletivas indicam três categorias construídas a priori -  Condições de trabalho; Organização de trabalho e Relações sociais de trabalho - e outras quatro categorias construídas a posteriori: “ Em banco tudo é cronometrado”; “Você é colega enquanto está produzindo”; “Não valeu a pena”; e “ Fui traído, o banco não liga a mínima para mim.” As categorias resultantes das entrevistas individuais foram : “ Nunca pensei que pudesse ser uma patologia”; “O pior é não poder mais trabalhar, bate uma tristeza profunda”; “Quem disse que você tem Dort?”; “ Nunca fui uma pessoa triste.” Com base nestas categorias, identifica-se rigidez do contexto de produção que impossibilita satisfação de necessidade dos trabalhadores. A aceleração das cadências como estratégia defensiva em resposta às exigências de produtividade é valorizada por pares, chefia e clientes, mas evita a identificação do sofrimento. O adoecimento por Dort é gradual e passível de negação, dada a invisibilidade dos sintomas. Longo trajeto é percorrido até o diagnóstico e tratamento adequado da doença. O afastamento do trabalho se dá tardiamente. Médicos e lesionados resistem em fazer uso deste recurso. A depressão surge em conseqüência das limitações impostas pela doença e do afastamento do trabalho. Caracteriza-se por tristeza profunda, falta de vontade de sair de casa, diminuição do prazer, necessidade de isolamento e sentimento de inutilidade.

Palavras-chave: prazer-sofrimento; Dort; depressão relacionada a Dort.

  Valéria Giorgetti: A Subjetividade e suas implicações na escolha profissional e na formação do estudante de Psicologia (18/08/03, orientador: Fernando Luis González Rey)

O presente trabalho busca contribuir para a reflexão sobre a formação nos cursos de Psicologia, através da compreensão da subjetividade na escolha do estudante pelo curso, bem como da subjetividade de sua formação. Procura refletir, também, sobre o significado que o aluno atribui ao curso e sobre a maneira pela qual este significado pode influenciar nos rumos tomados pelo estudante durante sua formação. Esta reflexão baseou-se na abordagem complexa e sócio-histórica da Subjetividade e na abordagem Psicossocial sobre as escolhas profissionais.  A interpretação e a investigação foram, então, realizadas sob o enfoque proposto pela abordagem da Sociologia Clínica das Histórias de Vida e da Epistemologia Qualitativa. Foram realizadas entrevistas com três alunas do sétimo semestre do curso de Psicologia de uma Universidade privada, através das quais investigaram-se suas Histórias de Vida. Percebeu-se que os motivos que as levaram a escolher a Psicologia como profissão, e que o significado atribuído ao curso, bem como suas concepções sobre o profissional psicólogo,  relacionavam-se mais as suas necessidades afetivas. Verificou-se, assim, que os sentidos produzidos através das experiências vivenciadas pelas estudantes são constituintes da profissão. Ainda, que a representação do psicólogo como um profissional de ajuda se mantém em semestres avançados, evidenciando que o curso não tem colaborado para modificar tal imagem. E, finalmente, que o significado da necessidade de ajudar as pessoas, expressado pelas estudantes, revelou-se como uma manifestação da subjetividade nas ações que as estudantes assumiram nas suas histórias pessoais. Os resultados obtidos não são conclusivos, assim como não era esta a pretensão da pesquisa, mas apontam para a necessidade de maiores reflexões e pesquisas qualitativas e em profundidade, para que se possa avançar no tema da formação de estudantes de Psicologia. 

Palavras chave: Subjetividade; Epistemologia Qualitativa; Escolha Profissional; Formação Profissional; História de Vida.

 

Dione de M. Lula Zavaroni. O infantil no trabalho psicanálise: considerações a partir da metapsicologia e do trabalho de construções/reconstruções em análise. (27/08/2003, Orientador: Luiz Augusto Monnerat Celes)

Freud constituiu um modo muito específico de considerar a infância na teoria e na prática da psicanálise. O conjunto de noções, idéias e articulações teóricas que Freud foi elaborando ao longo de sua obra em torno do relato das cenas, lembranças e fantasias dos primeiros anos de vida de seus pacientes acabaram por estabelecer na psicanálise a noção do infantil. No retorno à obra freudiana, reconstituímos o percurso de Freud na elaboração do conceito do infantil, ressaltando as noções que foram, sucessivamente, sendo articuladas e incorporadas ao mesmo. Constatamos que o conceito do infantil não foi explicitamente formulado por Freud, mas que, a despeito disso, adquire uma posição articuladora e de fundamental importância na teoria e na prática da psicanálise. A proposta central desta dissertação consiste, por um lado, em reafirmar o infantil como um conceito psicanalítico e referendar a importância que este construto assume no cerne da psicanálise. Por outro, propomos que o termo infantil seja usado para nos referirmos à infância reconstruída em análise e, deste modo, demarcar a diferença entre a infância cronológica e o infantil na psicanálise e, assim, resguardar a relação indissociável que o conceito do infantil estabelece com a metapsicologia e com a prática da psicanálise.

Palavras-chave: Infantil, Infância, Psicanálise

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 Jane Farias Chagas: Características familiares relacionadas ao desenvolvimento de comportamentos de superdotação em alunos de nível sócio-econômico desfavorecido (28/08/2003, orientadora: Denise de Souza Fleith)

Nas últimas três décadas, fatores educacionais e familiares relacionados ao desenvolvimento de comportamentos de superdotação têm sido objeto de crescente investigação. As pesquisas realizadas no âmbito educacional têm focalizado variáveis como a percepção e atitude de professores acerca do fenômeno da superdotação, o processo de identificação do talento, formas de atendimento ao aluno superdotado, características do ambiente escolar e, mais recentemente, o superdotado com dificuldades de aprendizagem. Os estudos empíricos têm investigado, ainda, aspectos do ambiente familiar relacionados à formação da identidade, ao desenvolvimento cognitivo e emocional do superdotado, à posição na família, ao estilo parental e à concepção e percepção dos pais sobre a superdotação. Os estudos transculturais e pesquisas com amostras de grupos minoritários e de nível sócio-econômico desfavorecido foram apontados como temas relevantes para pesquisas futuras na área. Nesta direção, este estudo teve como objetivo identificar características familiares relacionadas ao desenvolvimento de comportamentos de superdotação em alunos de nível sócio-econômico desfavorecido. Nesse sentido, foram investigadas: (a) a percepção de pais, alunos, educadores e psicólogos acerca do fenômeno da superdotação, do suporte e estímulo familiar oferecido ao aluno superdotado, (b) diferenças entre alunos superdotados e não superdotados e seus pais com relação a fatores familiares como comunicação, uso do tempo, ensino, frustração e satisfação com os comportamentos do filho, necessidade de informação e expectativas parentais, e (c) a relação entre nível de criatividade de alunos superdotados e não superdotados e seus pais. Para tanto, foram adotados como modelos teórico-metodológicos o Modelo Bioecológico do Desenvolvimento Humano e o Modelo dos Três Anéis. A amostra foi constituída por 14 alunos superdotados que freqüentavam a sala de recursos e seus pais, 14 alunos não superdotados e seus pais, 4 gestores da área de educação, 4 professoras e 2 psicólogas. Os dados foram coletados por meio de entrevista semi-estruturada, questionário, Inventário de Sucesso Parental - PSI e Teste de Pensamento Criativo – Produção de Desenhos (TCT-DP). Para análise dos resultados foram utilizados o teste t, a correlação de Pearson e a análise de conteúdo. Os resultados indicaram que pais, alunos, educadores e psicólogos percebiam a superdotação como um conjunto de fatores relacionados às habilidades cognitivas e acadêmicas superiores, características afetivas e inatas. Pais e filhos percebiam de forma diferente as interações entre eles em termos de comunicação, uso do tempo, ensino e satisfação parental. Ficou, também, evidenciado que o ambiente familiar do aluno superdotado é mais enriquecido do que o ambiente do aluno não superdotado, dispondo de vários recursos materiais e físicos. Além disso, a família do superdotado valoriza a educação como prioridade, sendo mais participativa na vida acadêmica de seus filhos. Os resultados, ainda, revelaram que a maioria dos alunos superdotados que participaram do estudo eram do gênero masculino e ocupavam uma posição especial na família, como primogênitos e unigênitos. Além disso, não foi observada relação entre os níveis de criatividade de pais e filhos. Ficou evidenciado, porém, que os alunos superdotados apresentaram desempenho superior no teste de criatividade quando comparados aos alunos não superdotados.

Palavras chave: Superdotação, família, criatividade, nível sócio-econômico desfavorecido.

 

Sylvia Regina Carmo Magalhães Senna: Formação e atuação do psicólogo escolar no Distrito Federal: panorama atual e perspectivas futuras (25/08/2003, orientadora: Sandra Francesca Conte de Almeida).

Este trabalho apresenta um panorama atual da formação e atuação do psicólogo na Rede Oficial de Ensino do Distrito Federal, identificando aspectos positivos e negativos que permeiam o processo formativo desse profissional, desde um ponto de vista teórico e prático, as condições institucionais, sociais e culturais que influenciam sua prática, em íntima interação com as condições pessoais. Nosso objetivo é compreender as necessidades desses profissionais, em termos de formação inicial e continuada, ensejando vislumbrar alternativas possíveis e necessárias ao fortalecimento e consolidação da identidade profissional, via uma atuação que vise à saúde e ao bem-estar dos sujeitos na instituição escolar. Foram pesquisados 43 sujeitos, profissionais dos serviços de Atendimento Especializado (equipes de avaliação e intervenção das queixas escolares) e Atendimento Preventivo (trabalho em psicologia escolar preventiva e institucional), da Secretaria de Estado da Educação do DF. As entrevistas semi-estruturadas investigaram dados relativos à formação inicial e continuada, tempo de serviço na área, abordagens teóricas da Psicologia e da Psicologia Escolar que orientam a prática profissional, atividades desenvolvidas no exercício das práticas profissionais, conflitos e impasses inerentes à atuação na escola e sugestões para o aperfeiçoamento das condições de formação e de intervenção. Os dados foram analisados qualitativamente, por meio do método de análise de conteúdo, e discutidos a partir de dois eixos principais: a Formação e a Atuação do Psicólogo Escolar, no DF. Os resultados apontam, em alguns casos, para novas concepções e práticas, na área da Psicologia Escolar, embora não consolidadas, entremeadas de dificuldades geradas, principalmente, pela inconsistência dos conteúdos teóricos e práticos da formação inicial e pela impregnação dos modelos tradicionais de atuação do psicólogo no imaginário social escolar. Os psicólogos escolares sentem-se responsáveis por uma grande variedade de funções, para as quais não se vêem preparados, enquanto ainda prevalecem atividades de avaliação e intervenção das queixas escolares, apesar do discurso emblemático da necessidade de ser o psicólogo um agente de mudança e transformação sociais, no interior das escolas. Os resultados desse estudo levarão à composição de um quadro atual e pormenorizado da situação do psicólogo escolar, no DF, permitindo estudos comparativos com pesquisas anteriores e apontando perspectivas futuras.

Palavras-chave: psicologia escolar, formação, atuação profissional.

 

Raíssa Rauter: Estrutura fatorial das questões do SAEB 2001 relacionadas a características da escola (11/09/2003, orientador: Jacob Arie Laros).  

Os questionários do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) são uma importante fonte de informação sobre quais variáveis se associam ao rendimento escolar dos alunos. O foco desse estudo está nos construtos latentes subjacentes a 163 questões relacionadas a características da escola, distribuídas nos diferentes questionários contextuais do SAEB 2001. Usando análise fatorial, foi identificada uma estrutura de 24 fatores, sendo 19 fatores de primeira ordem e 5 fatores de segunda ordem. Apenas 83 das 163 questões foram incluídas na estrutura fatorial. Possíveis razões pelas quais quase 50% das questões não foram incluídas foram verificadas e podem estar relacionadas a problemas na construção dos itens. Apenas um dos construtos previstos no quadro de referência para construção dos questionários do SAEB 2001 não teve fator empírico equivalente. Os demais foram medidos, ainda que com um número menor de questões. Uma segunda análise fatorial foi feita em uma sub-amostra independente para verificar a replicabilidade da estrutura fatorial identificada na primeira sub-amostra. Dos 19 fatores de primeira ordem, 12 se mostraram perfeitamente replicáveis e 6 apresentaram estrutura muito semelhante. Os fatores de segunda ordem não apresentaram replicabilidade satisfatória. Modelos de regressão múltipla dos fatores de primeira e de segunda ordem predizendo a proficiência média em Matemática, na 4a série do Ensino Fundamental, apontaram a capacidade preditiva dos fatores identificados. Ainda que o nível socioeconômico médio dos alunos da escola explique 58% da variância, há um percentual razoável da variância explicada por fatores escolares (11% pelos de primeira ordem e 4% pelos de segunda ordem). Em geral, o conteúdo dos fatores de primeira ordem é muito específico. Os fatores de segunda ordem são mais abrangentes, embora alguns sejam compostos por um número baixo de questões. A estrutura hierárquica de fatores escolares, identificada neste estudo, deve ser verificada após cada ciclo do SAEB. A reelaboração das questões e o aperfeiçoamento dos questionários nos próximos ciclos podem melhorar a estrutura fatorial e a mensuração dos fatores associados ao rendimento escolar.

Palavras chave: Avaliação educacional, Análise fatorial, Validação cruzada, Escola eficaz, SAEB.

 

Cristiana de Campos Aspesi: Processos Familiares Relacionados ao Desenvolvimento de Comportamentos de superdotação em Crianças de Idade Pré-Escolar (10/10/03, orientador: Denise de Souza Fleith).

A educação do aluno com comportamentos de superdotação, no Brasil, ainda encontra barreiras de naturezas distintas. As políticas educacionais que prestam apoio à implantação de programas específicos para atender às necessidades especiais desses alunos, apesar de existirem, não são vistas como prioritárias. As oportunidades de formação de profissionais que lidam com a questão da superdotação são escassas nos currículos de graduação. Além disso, ainda há mitos, preconceitos e idéias errôneas largamente difundidas e que têm dificultado o atendimento adequado aos alunos que demonstram comportamentos de superdotação ou altas habilidades. Os estudos na área da superdotação também possuem desafios interessantes, já que a natureza desse fenômeno é multidimensional, situacional e relativa ao contexto histórico-cultural. A manifestação dessas características se deve ao entrelaçamento das características genéticas e ambientais, inserindo a família como um contexto importante no desenvolvimento dos comportamentos de superdotação dos filhos. Isto ocorre, principalmente, quando a criança está no início de sua socialização, já que a idade pré-escolar é um momento de transição importante para investigar fenômenos que combinam características herdadas e adquiridas. O clima psicológico e afetivo, as crenças, os valores, as práticas parentais são sistemas de códigos cognitivos e padrões de comunicação que dão forma aos processos familiares que atuam como contexto favorável ou desfavorável ao desenvolvimento dos comportamentos de superdotação dos filhos. Este estudo teve como objetivo investigar padrões presentes nos processos familiares que se relacionam ao desenvolvimento dos comportamentos de superdotação de crianças em idade pré-escolar. As variáveis investigadas foram: inteligência não-verbal e criatividade dos pais, mães e filhos; atitudes e práticas parentais; características comportamentais dos filhos e características físicas do ambiente familiar. Participaram do estudo 12 crianças em idade pré-escolar atendidas pelo Programa de Atendimento aos Portadores de Altas Habilidades da Secretaria de Estado de Educação do DF e suas respectivas famílias compostas por 12 mães e 9 pais. Como referencial teórico-metodológico, foi utilizada a abordagem bioecológica do desenvolvimento humano. A realização do estudo exigiu uma composição de instrumentos que pudessem acessar as variáveis investigadas. Foram utilizados testes psicométricos de inteligência não-verbal e do pensamento criativo, escala de características comportamentais, inventário sobre atitudes parentais, questionário e entrevista semi-estruturada. Os dados foram analisados quantitativa e qualitativamente. Os resultados indicaram diferenças de atitudes entre pais e mães em relação à educação do filho, sendo que essas foram observadas somente na análise qualitativa. Observou-se uma correlação positiva entre a inteligência não-verbal do pai e do filho. Observaram-se correlações positivas e negativas de algumas atitudes das mães e dos pais com alguns comportamentos de superdotação dos filhos no contexto escolar. Os resultados indicaram, de modo geral, que o ambiente familiar é centrado nas necessidades dos filhos, os membros são unidos e os relacionamentos harmoniosos, os pais são responsivos e o ambiente é rico em estímulos materiais.  Observou-se uma ativa participação dos pais na vida acadêmica dos filhos e um monitoramento do cumprimento das responsabilidades dos filhos por meio de práticas educativas indutivas. As interações priorizam mais o desenvolvimento intelectual e moral dos filhos. As expectativas dos pais e mães quanto ao desempenho acadêmico e profissional dos filhos estão relacionadas à satisfação e ao papel de contribuição social do filho. Os pais percebem os filhos muito similarmente às características descritas na literatura. Os pais percebem a própria vida profissional como algo importante e procuram mostrar esse valor aos filhos, mas a vida familiar é colocada como a grande prioridade dos pais.

  Palavras chaves: Superdotação; Família; Pré-Escola; Atitudes Parentais; Práticas Parentais

 

Fabíola Maria de Carvalho Izaias: Da Arte como Fonte de Conhecimento do Psiquismo no Discurso Freudiano: primeiros escritos (15/09/03, orientador: Terezinha de Camargo Viana)

Este trabalho representa um esforço por sistematizar no discurso freudiano alguns dos momentos essenciais da instituição e da consolidação da arte na posição de fonte de conhecimento do psiquismo. Para tanto, realiza a análise de três textos em que Freud elege os fenômenos estéticos como alvo central de suas problematizações: Personagens Psicopáticos no Palco, Delírios e Sonhos na Gradiva de Jensen e Escritores Criativos e Devaneio. Inicialmente, aborda como a teorização dos mecanismos envolvidos na fruição estética confere consistência a uma ligação entre obra de arte e psiquismo do espectador. Depois, acompanha a configuração das produções artísticas como espaço onde seria possível encontrar verdadeiras descrições de processos psíquicos, o que leva Freud a investigar a fonte do conhecimento dos artistas. Por fim, rastreia, na comparação por ele realizada da criação artística com o fantasiar, o estabelecimento de uma ligação entre as obras de arte e a vida anímica do artista e entre o psiquismo do artista e o psiquismo do público. Cada um desses momentos revela-se fundamental para a constituição da arte como fonte de conhecimento, o que, concluímos, dá-se em diversos níveis, levando a um enriquecimento das ilações que podem ser traçadas a partir da exploração dessa produção psíquica, ilações essas que acabam por remeter à própria construção da teoria psicanalítica

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Palavras chave: Psicanálise, Arte, Freud.

Isabella Monteiro de Castro Silva: Sensibilidade a tons de alta freqüência e reconhecimento de fala em adultos jovens e mais velhos (17/09/03, orientadora: Maria Ângela G Feitosa).

A audiometria de alta freqüência vem sendo estudada como um procedimento psicoacústico capaz de detectar precocemente alterações em sensibilidade advindas de processos que afetam a cóclea inicialmente em sua porção basal. Entre eles pode-se citar o envelhecimento. A diminuição do reconhecimento de fala na presença de ruído é uma manifestação em indivíduos com elevação dos limiares tonais em alta freqüência. O sexo masculino, conforme estudos clássicos e recentes, apresenta maior elevação dos limiares no decorrer do processo de envelhecimento do que o sexo feminino. A queixa em relação ao reconhecimento de fala está relacionada a alterações sensoriais, indicadas por aumento dos limiares tonais, principalmente em alta freqüência, e a alterações neurais como no processamento temporal da informação verbal. O objetivo do presente estudo foi avaliar a sensibilidade a tons puros de 250 Hz a 16 kHz, comparando os limiares das freqüências utilizadas na avaliação clínica com os limiares das altas freqüências e correlacionar tais achados com o desempenho de reconhecimento de fala em quatro condições de apresentação (silêncio, S/R +10, S/R 0 e S/R –10). Os procedimentos foram aplicados em grupos de adultos jovens (25 a 35 anos) e mais velhos (45 a 55 anos) com e sem queixas auditivas. Os participantes apresentaram limiares auditivos dentro do padrão clínico de normalidade, pesquisados através da audiometria convencional que avalia as freqüências de 250 Hz a 8 kHz. Os grupos mais velhos apresentaram limiares mais elevados em todas as freqüências, mais significativamente nas mais altas (8 a 16 kHz), quando comparados com os grupos jovens. O sexo masculino apresentou limiares mais elevados do que o sexo feminino nas freqüências de 3 a 10 kHz. Examinou-se também o reconhecimento de fala e observou-se que, em situações de silêncio, o número de erros foi equivalente nos dois grupos etários. Com a apresentação de ruído competitivo, o desempenho de reconhecimento de fala piorou para todos os participantes, principalmente para os grupos de adultos mais velhos, com diferenças estatisticamente significativas. Em situações mais ruidosas, a ocorrência de erros de omissão mostrou-se elevada, enquanto que, em situações menos competitivas, as substituições por outros vocábulos ocorreram com maior freqüência. Análise fonética também foi executada e observou-se maior preservação das vogais do que das consoantes, nas substituições produzidas.

Palavras-chave: audiometria de alta freqüência; sensibilidade auditiva; reconhecimento de fala; presbiacusia; fala no ruído.

Patrícia Villa da Costa Ferreira Mendonça: Relação entre criatividade, inteligência e autoconceito em alunos bilíngües e monolíngues (19/09/03, orientador: Denise de Souza Fleith)

O aprendizado de uma segunda língua predomina na maioria dos países industrializados. Com o mundo cada vez mais globalizado, com o desenvolvimento cada vez mais rápido de novas tecnologias, maior será a necessidade de aprendizado de uma segunda língua, a fim de favorecer o intercâmbio econômico e social. Neste sentido, vários estudos têm investigado a relação entre a proficiência em duas línguas e diversas variáveis cognitivas e afetivas. Portanto, este estudo teve como objetivo estudar a relação entre criatividade, inteligência e autoconceito em alunos bilíngües e monolíngües. Participaram deste estudo 269 alunos, do gênero masculino e feminino, adolescentes e adultos, de uma instituição particular de ensino de língua inglesa, localizada em Brasília. Os instrumentos utilizados foram o Teste Torrance de Pensamento Criativo - TTCT, Teste Não-Verbal de Raciocínio para Adultos-TNVRA e Escala Fatorial de Autoconceito - EFA. Para análise dos resultados foram empregados a análise multivariada de variância, o teste t e a correlação de Pearson. Os alunos bilíngües apresentaram escores superiores nas medidas de criatividade verbal e figurativa e de inteligência quando comparados aos alunos monolíngües. Foi observada uma correlação positiva entre criatividade e autoconceito para alunos bilíngües. A análise univariada revelou que os alunos monolíngües se percebiam de forma mais satisfatória do que os bilíngües nas dimensões segurança, autocontrole e aspecto ético-social relativas ao autoconceito. Os resultados indicaram, ainda, que os alunos do gênero masculino apresentaram escores superiores aos do gênero feminino apenas na medida de originalidade verbal. Não foram observadas diferenças entre adolescentes e adultos em relação à criatividade, inteligência e autoconceito. Da mesma forma, não foi observada interação entre nível de proficiência em uma segunda língua, gênero e faixa etária em relação à criatividade, inteligência e autoconceito.

Palavras chaves: criatividade, inteligência, autoconceito e aprendizagem de uma segunda língua

Silmara Carina Dornelas Munhoz: Processo de alfabetização: Uma análise das interações família-criança numa situação estruturada (27/06/03, orientadora: Diva Maria Moraes Albuquerque Maciel)

A sociedade atual pode ser caracterizada como grafocêntrica, ou seja, é regida pelo mundo das letras. Neste contexto, ser alfabetizado significa muito mais que ser capaz de utilizar o código alfabético. É preciso envolver-se com a leitura e escrita, incorporar seu uso e apropriar-se de suas práticas sociais. Ao abordar o tema letramento o presente trabalho refere-se ao processo de alfabetização. Assume uma postura em que reconhece o papel ativo do sujeito e a influência cultural presente nas interações estabelecidas entre este e seu mundo. Assim, é nas interações que vive que o indivíduo co-constrói o significado do ler e escrever. Desta forma, o grupo familiar, a escola, a mídia, a sociedade como um todo motivam a construção de crenças e valores acerca do processo de alfabetização. Além disso, as crenças e valores da família em relação à leitura e escrita, podem interferir na relação dos pais com a criança neste momento singular, o da alfabetização. Frente a tais aspectos, este estudo teve como objetivo contribuir para a construção do conhecimento sobre as interações entre família e crianças que estão sendo alfabetizadas. Participaram do estudo 15 díades (adulto-criança), formadas por alunos da 1ª série do ensino fundamental de uma escola pública do Plano Piloto de Brasília (DF) e seus responsáveis. Foram realizadas observações na sala de aula e em uma situação estruturada (SE) envolvendo leitura e escrita. A SE era constituída de dois momentos: o Período de Atividade Exploratória Livre e, posteriormente, O Momento da Tarefa. Entrevistas semi-estruturadas com o adulto foram conduzidas em seguida. Toda essa fase de construção dos dados foi registrada em vídeo e/ou áudio, complementado pro diário de campo. O processo de análise envolveu três níveis: análise das estratégias utilizadas pela instituição escola em relação ao ler e escrever; uma análise descritiva e interpretativa do conjunto dos dados (SE e entrevistas), a fim de delinear a dinâmica das interações adulto - criança na SE; e análise microgenética das interações presentes em episódios significativos selecionados da SE. Esta última privilegiou as seqüências de interações, buscando desvelar os processos comunicativos e meta-comunicativos presentes nas interações. As análises apontaram para a presença de indicadores de compreensão da alfabetização como uma habilidade mecânica de decifrar, não percebendo-se esta como um processo no qual o ritmo de desenvolvimento de cada criança deve ser respeitado. Excessiva preocupação com a “inteligência” dos filhos para aprender a ler e escrever e a relação direta destas habilidades com o meio acadêmico, são fatores que criam uma conotação que distancia, da criança, a vivência da leitura e escrita como algo prazeroso, funcional e constituído na vida cotidiana. Considera-se a necessidade de maior interação entre escola e família a fim de que se possa manter na criança sua motivação inicial pelo conhecimento e pela linguagem escrita, assim como de novos trabalhos que busquem conhecer mais sobre a interação família-criança em relação à leitura e escrita.

Palavras chave: Processos de aquisição da leitura e escrita na escola; Práticas de letramento na família, Situação estruturada de letramento; Análise microgenética.

Gabriela Sousa de Melo: Diálogos Com Profissionais do Ensino Especial: O Contexto Histórico-Cultural e suas Repercussões na Prática Educacional do Distrito Federal (09/10/03, orientador: Silviane Bonaccorsi Barbato).

Esta pesquisa teve por objetivo comparar as políticas públicas da Educação Especial no Brasil e no Distrito Federal com as práticas narradas por especialistas em Deficiência Mental e professores pré-escolares de Centros de Ensino Especial, situados em Brasília, Brasil. Foi baseada na perspectiva histórico-cultural e teve como foco a formação do Conceito Complexo Educação Especial. Com o intuito de entender a formação desse conceito  também foram consideradas as inter-relações entre a Deficiência Mental, o papel da brincadeira nas atividades pré-escolares, a utilização da brincadeira como estratégia de aprendizagem e a relação entre desenvolvimento humano e psicologia. O estudo foi desenvolvido em duas fases. A primeira ocorreu no período entre setembro e dezembro de 2001, quando seis especialistas que trabalhavam com Deficiência Mental e educação foram entrevistados individualmente. A segunda fase foi realizada entre o período de  junho e setembro de 2002, quando foram entrevistados nove professores que trabalhavam com crianças pré-escolares, portadoras de Deficiência Mental, em entrevistas semi-estruturadas. As entrevistas foram gravadas em fitas cassete e posteriormente transcritas. Os resultados indicaram que o Conceito Complexo Educação Especial foi formado por nove Temas Iniciais, que por sua vez, organizam-se em cinco Temas Complexos. Os Temas Iniciais encontrados foram classificados como: Sujeitos Entrevistados, Descrição do Contexto Escolar, Prática Pedagógica, Diagnóstico e Processo de Avaliação, Trabalho em Equipe, Função do Centro de Ensino Especial, Processo de Inclusão, Inclusão Social e Exclusão Social. Os Temas Iniciais foram categorizados em cinco Temas Complexos, definidos pela seguinte formação complexa de significações: Processos de Ensino Aprendizagem, Políticas Públicas, Organização da Instituição Escolar, Formação de Professores, Alunos. A análise da formação conceitual indica que as narrativas dos Temas Complexos pelos especialistas apresentaram suas significações formadas aproximando-se de conceitos históricos científicos da Educação Especial. Por outro lado, as narrativas dos professores indicaram a prática baseada fortemente em crenças culturais sobre Deficiência Mental. Concluímos que a formação de professores deve considerar o papel do senso comum na Educação Especial a fim de transformar as práticas pedagógicas dos professores nas escolas do Distrito Federal, no Brasil.

Palavras chave: Ensino Especial, Deficiência Mental, Políticas Públicas em Educação, Formação de Professores, Brincadeira, Educação Infantil.

Renata de Sousa Tschiedel: Programa de reabilitação audiológica para idosos usuários de aparelhos de amplificação sonora individual e seus interlocutores mais freqüentes (17/10/03, orientadora: Maria Angela Guimarães Feitosa).

A prevalência de uso de aparelhos de amplificação sonora individual (AASI) entre idosos é baixa, e o primeiro ano após a aquisição é considerado um período crítico de adaptação, dentro do qual há risco de desistência. Esta desistência reflete em perda de qualidade de vida e desperdício dos escassos recursos de serviços de saúde pública destinados à compra de AASIs. Sabe-se que o acompanhamento do usuário após a aquisição aumenta a probabilidade de adaptação ao uso do AASI e que a família apresenta um papel facilitador neste processo. Desta forma, os objetivos deste trabalho foram: 1) desenvolver um programa de treinamento de estratégias de comunicação para indivíduos idosos portadores de deficiência auditiva usuários de AASIs e seus interlocutores mais freqüentes; 2) verificar a contribuição da participação de interlocutores freqüentes no processo de reabilitação audiológica dos sujeitos em questão; 3) promover melhor adaptação dos sujeitos em relação ao uso do AASI em função de esclarecimentos a respeito do AASI, da deficiência auditiva, da percepção da fala e do uso de estratégias de comunicação. Participaram deste estudo cinco idosos usuários de AASI beneficiários de programa de doação do SUS e cinco interlocutores destes, os quais eram todos membros da família. Os participantes foram divididos em dois grupos: o grupo controle recebeu uma sessão única de orientação; o grupo experimental participou de um programa de reabilitação audiológica fracionado em quatro sessões, nas quais foram discutidos assuntos sobre AASI, deficiência auditiva, percepção da fala e estratégias de comunicação. Antes e após estas sessões, foram aplicados questionários que procuraram mapear eventuais mudanças entre usuários e interlocutores de ambos os grupos em opiniões, conhecimentos e comportamentos referentes a AASI, deficiência auditiva, percepção da fala e estratégias de comunicação. Tanto os usuários como os interlocutores em ambos os grupos se beneficiaram do atendimento recebido, embora o impacto tenha sido maior sobre o grupo experimental. O estudo mostrou que é promissor o investimento em programas de reabilitação audiológica tanto para idosos usuários de AASI como para seus interlocutores mais freqüentes, a fim de se obter maior satisfação com o AASI e melhores resultados na adaptação.

Palavras-chave: aparelhos de amplificação sonora individual, idoso, reabilitação audiológica, estratégias de comunicação, presbiacusia.

Maria Lizabete de Souza Póvoa: Significações das famílias e dos técnicos das instituições sociojurídicas em relação às medidas socioeducativas (15/10/03, orientador: Maria Fátima Olivier Sudbrack).

Este estudo investigou as significações das famílias e dos técnicos, em relação às medidas socioeducativas, no contexto das reuniões multifamiliares, denominadas encontros. Destes encontros foram focalizados três, com suas respectivas intervisões (reuniões de planejamento e avaliação). As reflexões ocorridas nestes encontros, que focalizaram a medida socioeducativa, permitiram que a família e o técnico compartilhassem suas experiências institucionais. Neste espaço de maior acolhimento e aproximação puderam expressar seus sentimentos, desejos, crenças e críticas sobre as medidas socioeducativas e sobre a aplicação das mesmas no sistema institucional.

Palavras chaves: medidas socioeducativas, adolescentes em conflito com a lei, grupo multifamiliar 

Meireluce Leite Pimenta: “De mais ou de menos?” A resolução de problemas por surdos adultos (21/10/03, orientador: Maria Helena Fávero).

O presente trabalho investigou a resolução de problemas matemáticos de comparação realizados por jovens surdos, a construção das suas competências numéricas e a sua compreensão textual. Adotamos a intervenção psicopedagógica como procedimento de pesquisa, com o intuito de evidenciar as particularidades da construção desses sujeitos, dentro de uma perspectiva cognitivo- desenvolvimental. Nosso estudo se desenvolveu em quatro fases, relacionadas entre elas, de tal forma que os dados obtidos por meio da análise de uma fundamentou a seguinte. Na primeira, entrevistamos professores de surdos sobre o ensino da matemática. Na segunda, avaliamos as competências matemáticas de sujeitos adultos surdos quanto ao domínio da lógica do sistema de numeração. Na terceira fase, pesquisamos os termos em LIBRAS que melhor traduzissem a expressão “n a mais que” e “n a menos que” em situação de comparação de conjuntos. Na quarta fase, investigamos a resolução de problemas matemáticos de comparação em dois momentos: a resolução individual sem intervenção da experimentadora e o segundo, com a sua intervenção. Alunos de escola pública do DF, de séries iniciais da Educação de Jovens e Adultos na modalidade Supletivo, na faixa etária de 18 a 30 anos e com média de 8 anos de escolarização entre ensino especial e regular, participaram das últimas três fases. Os resultados obtidos por meio da análise dos dados indicam que a dificuldade dos sujeitos surdos frente a problemas de matemática advém não de uma suposta limitação em relação à compreensão textual, em si, mas do processo de escolarização ao qual foram submetidos que prima pela aquisição de regras de procedimentos de resolução, em detrimento da aquisição conceitual; no processo de escolarização do sujeito, se estabelecem dificuldades de compreensão das diferentes funções do número, de compreensão da lógica do sistema numérico e da lógica de sua notação; a falta de proficiência em LIBRAS dos professores compromete a organização de significados semióticos, e conseqüentemente, a aquisição de conhecimentos e as oportunidades sociais. 

Palavras chaves: Resolução de problemas, surdos, competências numéricas, LIBRAS.

Danilo Assis Pereira: Equação para a Função de Sonoridade Obtida a Partir do Tempo de Reação (25/09/03, orientadora: Maria Ângela Guimarães Feitosa).

As funções potência, como a de Piéron, têm sido muito usadas na psicofísica para descrever o comportamento do indivíduo perante intensidades distintas de diversos estímulos. No entanto, uma equação que descreva a função de sonoridade obtida a partir do tempo de reação, que possibilite compreender o fenômeno e fazer comparações entre as variabilidades intra- e inter-sujeitos, ainda não foi devidamente demonstrada na literatura. Esta pesquisa buscou uma função matemática que pudesse descrever os dados empíricos de sonoridade obtidos e, ainda, compará-la com as funções mais usualmente descritas. Dez estudantes universitários sem queixas audiológicas com idade média de 20,5 anos participaram desta pesquisa. A tarefa consistia em indicar a presença de tons puros de 1000 Hz, cujos valores de intensidade eram variados e ajustados ao limiar absoluto individual. Os tons eram gerados e formatados por módulos programáveis e as respostas dos participantes eram registradas através de um mouse. O procedimento psicofísico utilizado foi o dos estímulos constantes. Os resultados mostraram que o tempo de reação declina em função do aumento da intensidade, resultando numa curva de decaimento, de inclinação mais acentuada para os valores próximos ao limiar. A análise matemática demonstrou que a equação exponencial de Woodworth e Schlosberg descreve a função de sonoridade mais adequadamente do que a equação de Piéron.

Palavras-chave: sonoridade, tempo de reação, psicofísica, equação de Woodworth e Schlosberg, equação de Piéron.

Michiele Morais de Medeiros Delamôra: Narrativas de mulheres trabalhadoras: mudanças e permanências nos significados sobre o ser mulher (16/10/2003, Silviane Barbato).

Entender os processos de constituição do sujeito a partir de sua inserção na cultura, tendo como fundamento a relação entre a linguagem e o pensamento que se  expressa nos conceitos e significados, construídos e mediados dialogicamente, tem sido uma das questões investigadas pela psicologia histórico-cultural. Partindo desse referencial o presente estudo tem como objetivo conhecer os conceitos e significados que compõe o conceito complexo ser mulher, relacionando memória, identidade, narrativas de histórias de vida com as práticas sociais e culturais. Utilizamos uma metodologia qualitativa, por tratar-se de um campo de práticas interpretativas interessada nos significados construídos pelas pessoas no seu contexto cultural e pela valorização da interação entre pesquisadora-participantes no processo de construção dos dados.  Participaram deste estudo 7 (sete)  mulheres que trabalham em um órgão público federal , com idade entre 26 e 48 anos, moradoras de cidades  e do plano piloto do Distrito Federal, com escolaridade variando entre 1° Grau e superior. Os dados foram construídos em 16 encontros semanais, com duração entre 60 e 90 minutos, gravados em áudio, nos quais foram realizadas atividades, entre elas, narrativas de histórias de vida, que suscitaram diálogos entre as participantes sobre o conceito ser mulher.  Para a análise dos dados todas as falas foram transcritas na íntegra  e submetidas à análise temática dialógica.. Os resultados obtidos indicaram o conceito complexo ser mulher organiza-se em termos de antigos e novos  papéis e qualidades que mantém entre si uma relação dialética. Foram encontrados 8 (oito) papéis principais: mãe, esposa, filha/neta, dona de casa, trabalhadora, provedora, descasada e mãe solteira. Observamos que os papéis mulher mãe e mulher esposa são os mais significativos em termos da organização do conceito complexo ser mulher. O papel maternal  parece perpassar o exercício dos outros papéis, definindo um modo feminino de atuação baseado nas qualidades que constituem o papel ser mãe, dos quais destacamos: paciência, cuidado, compreensão, amor, abnegação.  Constatamos também que por ser um grupo constituído também de senhoras descasadas e mães solteiras, o papel mulher provedora, no qual a mulher assume a chefia da família., ocupou um lugar relevante na organização do conceito em estudo. Consideramos que, embora assumam esse papel, há um desejo de manter o modelo tradicional de organização familiar: pai, mãe e filhos, no qual a mulher cuida da casa e dos filhos e o homem do sustento.  A mulher trabalhadora, no qual se incluem todas as participantes, afirmam que consideram que a mulher teve perdas e ganhos com o trabalho: de um lado conquistou a independência financeira, a liberdade e a valorização de sua inteligência, mas  acham que também tiveram  perdas, porque o  homem deixou de exercer funções que elas ainda consideram que sejam dele, entre elas o provimento do lar.

 Palavras chaves em português: dialogismo, narrativas, identidade, formação de conceitos, mulheres, trabalho.

Ivo Oscar Donner: Efeitos do treinamento com neurofeedback sobre o desempenho em tarefas de atenção (14/11/2003, orientador: Lincoln da Silva Gimenes).

  O neurofeedback é uma técnica que ensina os indivíduos a obter controle voluntário sobre seus ritmos cerebrais. Ela tem sido utilizada, há quase duas décadas, para tratar indivíduos portadores do distúrbio do déficit de atenção (DDA). Os resultados positivos, obtidos com estes indivíduos, suscitaram a questão dessa técnica ser eficaz também para melhorar a atenção, em indivíduos não portadores desse déficit. Este estudo buscou verificar os efeitos do treinamento com neurofeedback sobre o desempenho em tarefas de atenção, em estudantes, não portadores do déficit de atenção, das séries finais do ensino fundamental de uma escola particular em Brasília, DF, Brasil. Os estudantes foram treinados para aumentar a amplitude do ritmo beta e reduzir a amplitude do ritmo theta. Protocolo semelhante tem sido utilizado para treinar crianças com distúrbio do déficit de atenção. Os resultados não mostraram evidências significativas de influência do treinamento com neurofeedback sobre o desempenho de tarefas de atenção. Conclui-se que a atenção, em indivíduos não portadores do déficit de atenção, pode não ser sensível aos efeitos do treinamento com neurofeedback devido ao “efeito teto”, isto é, a atenção desses indivíduos já se encontra em seu desempenho máximo. A melhora de desempenho dos indivíduos portadores do déficit de atenção, em testes de atenção, pode ser um efeito do “treino para atentar”, que acompanha os procedimentos do treinamento em neurofeedback. Sugere-se que futuras pesquisas possam diferenciar os efeitos do treinamento em neurofeedback dos efeitos do “treino para atentar”.

Palavras chaves: Biofeedback; Neurofeedback; Beta; Theta; Razão theta/beta; Atenção; Sistema para avaliação e pesquisa comportamental (BARS); Distúrbio do déficit de atenção.

Maria Valeria de Ávila Gimenes Loureiro: Da Prescrição Teórica ao Arbítrio da Clínica: aprendendo a apreender a psicanálise como conhecimento complexo. (17/12/03, orientadora:  Terezinha de Camargo Viana).

Este trabalho apresenta problemas referentes à transmissão e à assimilação do conhecimento em psicanálise, com o objetivo de promover a reflexão crítica acerca da conjugação entre teoria e prática psicanalíticas. Constrói uma visão sinóptica do ambiente conceitual de determinada comunidade psicanalítica, configurando a psicanálise como conhecimento complexo. A comunidade estudada é composta por psicanalistas filiados a IPA, submetida a exame por meio da avaliação dos editoriais e foco das publicações realizadas no IJPA na década de 1990 e entorno. É apresentado um caso ilustrativo da apreensão da psicanálise como conhecimento complexo colhido neste ambiente. A partir deste caso é apontada a aproximação da psicanálise aos modelos complexos, o uso de modelos em psicanálise, a utilidade das teorias e a relação entre paradigmas clínicos e teóricos. Reflexões provenientes de experiência de estar-em-formação psicanalítica em comunidade vinculada a IPA são entremescladas por proposições oriundas da filosofia da linguagem, da lingüística contemporânea e das considerações de psicanalistas que são referências teóricas consagradas nesta comunidade. O aspecto da construção social da linguagem científica psicanalítica é ligado à dialogia e à interatividade – elementos tidos como fundadores do processo de construção da identidade e da função psicanalítica. Com o conhecimento gerado são propostos procedimentos político-pedagógicos envolvidos no processo de transmissão e assimilação, com a sugestão de criação de contextos apropriados à melhoria do processo de aprendizagem do conhecimento e à interiorização de valores e preceitos éticos específicos à psicanálise.

Palavras-chave: Visão de Mundo; Visão Sinóptica; Conhecimento Complexo; Psicanálise; Compreensão Psicanalítica; Letramento Psicanalítico; Discernimento; Capacidade Negativa.

 

 

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