LQC Instituto de Química Universidade de Brasília
Calor
Cada um de nós julga saber bem o que é o calor por todos termos experimentado, muitas vezes, os seus efeitos. Contudo, torna-se bastante difícil esclarecer esse fenômeno denominado de calor.
    A natureza do calor foi esclarecida pelo fato que parecia evidente e indiscutível: ao aquecermos um sistema, a temperatura do mesmo aumentar, sendo isto o indício de que o sistema cede “algo”. Precisamente este “algo” tem sido chamado de  “calor”. Mas como explicar o seguinte fenômeno: um metal em contato com um outro metal, como o caso de um projetil em um canhão, ao ser disparado o canhão aumenta a sua temperatura, ou seja, o segundo metal em contato teve a sua temperatura aumentada.  Suponhamos, agora, um peso de um lado de uma roldana e do outro lado uma hélice dentro de um recipiente com água, como mostra a figura abaixo, como explicar que ao cair o peso e movimentar a hélice, ocorre um aumento de temperatura no líquido.



    Acerca da natureza do calor haviam duas hípóteses no início do século 17. A primeira dizia que o calor é uma substância e Galileu foi adepto desta hipótese (1613). De acordo com tal conceito, o calor fica constituído por uma substância extraordinária capaz de se penetrar em todos os corpos e abandoná-los facilmente. Essa substância termogênea não se pode gerar nem suprimir, mas sim apenas ser distribuída e redistribuída entre os corpos. Quando a quantidade de calor do corpo diminui, de substância termogênea,  a sua temperatura abaixa (veja como essa dedução estaria de acordo com a nossa experiência cotidiana e contraditória com o conceito de calor, como veremos a seguir). No caso de  em um determinado corpo faltar totalmente a substância termogênea, o mesmo atinge a temperatura mínima possível pela teoria do calórico.
    A segunda hipótese foi avançada, em 1620, pelo filósofo inglês F. Bacon (1561 - 1626). Ele observou  o fato que conhecia todo o ferreiro: fortes e freqüentes marteladas produzem o aquecimento de um pedaço de ferro. Conhecia-se, igualmente, o método de obtenção do fogo pelo atrito. F. Bacon concluíu que o calor é um movimento interno das pequeníssimas partículas que constituem o corpo, onde a temperatura do corpo depende da velocidade de movimento dessas partículas. Esta hipótese tem o nome de teoria mecânica do calor e foi, em grande parte, argumentada e desenvolvida no  período de 1711 - 1765.
    Benjamin Thomson (depois Conde de Rumford) fez vários experimentos quantitativos de conversão de trabalho em calor, sugeriu em 1798 que o calor desenvolvido em uma operação com um canhão, deveria provir da energia mecânica gasta neste processo. Ele avaliou o trabalho produzido por um cavalo em uma hora.
    Numa definição mais específica de calor em Termodinâmica, calor é a quantidade que escoa através das fronteiras de um sistema durante uma mudança de estado, em virtude de uma diferença de temperatura entre o sistema e suas vizinhanças, e escoa de um ponto à temperatura mais alta para outro à temperatura mais baixa. Em  termos moleculares, calor é a transferência de energia que se aproveita do movimento caótico das moléculas.
    Para uma melhor compreensão, devemos atentar para alguns fatores: